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Jorge Ben, clássico de 1969, ganha versão em vinil

01 / mar
Publicado por José Teles às 19:53

jorge ben tropical

A Polysom lança na série Clássicos em Vinil  o LP Jorge Ben, de 1969, um dos discos obrigatórios do artista, em particular, e da MPB em geral.  A liberdade estética de Jorge Ben (a alguns anos do “Jor”), não permitia que ele se encaixasse em movimentos ou grupos e, paradoxalmente, que entrasse e saísse de todos. Quando começou em 1962, foi enquadrado como bossa-novista, com ressalvas, o violão dele soava muito primitivo comparado ao requintado e complexo toque de João Gilberto.

Logo vestiria a camisa da MPB, com escalação garantida no Fino da Bossa, musical apresentado, na TV Record, por Jair Rodrigues e por Elis Regina. Uma escapadela para uma participação no Jovem Guarda, levou Elis a defenestra-lo da engajada e nacionalista MPB. Jorge Ben se passou de mala e guitarra Fender para a turma do iê iê iê.

Em 1965, lançou o clássico O Bidu – Silêncio no Brooklin, pela AU (selo da pernambucana Rozenblit). Um disco que só anos mais tarde seria reavaliado e assimilado, para se tornar um clássico. Então veio o tropicalismo, que agregou a música de Babulina ao movimento, e depois o próprio. Ele prontamente entrou na vibe, e lançou (pela Rozenblit) dois compactos com algumas das mais bem resolvidas canções tropicalistas, sobretudo o primeiro disquinho: com Guerra, Queremos Guerra e A Minha Menina.

Embora tenha dado a Gal Costa dois grandes sucessos em 1968, País Tropical e Ela Já Não Gosta Mais de Mim, ele não lançou LP naquele ano, a Rozenblit marcou bobeira. No ano seguinte, na Phillips, influenciado pela derrubada de barreiras promovida pelo tropicalismo, Jorge Ben fez o LP mais tropicalista da MPB,

São 12 faixas, das quais pelo menos dez tocaram muito no rádio na época. Somente Jorge Ben para, careta, dar um titulo com extensão de dois versos a uma canção popular:  Quem Foi Que Roubou a Sopeira de Porcelana Chinesa Que a Vovó Ganhou da Baronesa?

Um LP cheio de hits, de ousadias sonoras, gráficas, o mais lisérgico da música popular brasileira. A versão de Charles Anjo 45, que fecha o repertório, é o primeiro happening lançado em disco no Brasil. Jorge Ben, o álbum soa como se fosse um projeto vindo do futuro não um álbum feito há 47 anos, em quatro canais.

Confiram o áudio de Jorge Ben em Charles Anjo 45:

 


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