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Autoridades devem vestir a carapuça e buscar o fim da violência no futebol

Ramon Andrade
Ramon Andrade
Publicado em 03/05/2014 às 11:56
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"Ele matou meu filho e me matou também...Ele nunca mais vai estar aqui comigo".

A declaração acima é de Joelma Valdevida da Silva, mãe de Paulo Ricardo Gomes da Silva, que foi assassinado, logo após a partida Santa Cruz 1 x 1 Paraná, no estádio do Arruda.

Nós não temos a noção da dor que essa mãe está sentindo após saber que seu filho foi morto de uma maneira tão absurda. Paulo Ricardo foi vítima de uma privada que foi arremessada do alto da arquibancada e atingiu sua cabeça.

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As autoridades muito menos têm essa noção. Porque essa não foi o primeiro episódio de violência nos estádios de futebol. Infelizmente, não foi a primeira pessoa que morreu. Outros fatos já aconteceram e nada foi feito. Palavras de indignação foram proferidas, mas não se transformam em ação.

O que aconteceu com Paulo Ricardo foi um crime e tem que ser tratado como tal pela Polícia Militar, Juizado do Torcedor, Governo do Estado, Prefeitura do Recife, Corpo de Bombeiros, Ministério Público, Assembleia Legislativa, Câmera dos Deputados, Federação Pernambucana de Futebol e clubes. Todos são responsáveis pelo fato absurdo e vergonhoso que mancha a história do nosso futebol.  Deveriam vestir a carapuça e buscar uma saída para esse problema social.

É triste chegar a conclusão de que não vale mais a pena ir ao estádio de futebol para torcer. Sou um apaixonado pelo esporte, sempre tive um prazer de ir ao estádio e levar amigos que nunca foram. Abrir as portas de um esporte apaixonante. Mas a violência está vencendo o jogo por conta da inércia dos nossos dirigentes. Então, o que eu vou fazer num lugar em que não oferece segurança? O que fazer num lugar em que os comandantes não pensam em fazer um trabalho de conscientização, ressocialização e muito menos punição aqueles que tentam andar fora da ordem?

Ir ao estádio de futebol não está causando mais prazer, mas sim medo.

O Brasil é sede de uma Copa do Mundo, Recife é uma das cidades que vai receber jogos do evento internacional e nós não pensamos num plano para mudar esse cenário violento quando o país está no centro das atenções da mídia mundial.

O momento é agora. Se não mudarmos agora, o futuro do futebol tende a ser triste, muito triste.

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