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Filho, somos campeões

Karoline Albuquerque
Karoline Albuquerque
Publicado em 06/10/2019 às 19:21
Muheres, negros e LGBTs poderão denunciar violência através do aplicativo e site do Náutico. Foto: Léo Motta/JC Imagem
Muheres, negros e LGBTs poderão denunciar violência através do aplicativo e site do Náutico. Foto: Léo Motta/JC Imagem
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Por Franco Benites

Jornalista, foi repórter de Política do Jornal do Commercio

Filho, dias desses o papai assistiu a um documentário (o excelente Losers, da Netflix) sobre como derrotas podem se transformar em vitórias. No segundo episódio, sobre o Torquay United, um modesto time de futebol da Inglaterra fadado a perder, um resignado torcedor da equipe afirma que se você vai a campo na expectativa de uma vitória do Torquay você é um idiota. Essa também poderia ser a história do Náutico, filho. Mas não hoje, não neste ano em que você foi concebido. Acabamos de nos tornar campeões da Série C. É a terceira divisão do futebol brasileiro apenas, mas quem liga? É o primeiro e único título nacional do Náutico, mas quem está contando?

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Nem sei se você vai gostar de futebol, filho. Tudo bem se não gostar. Eu mesmo já fui mais apegado ao futebol do que sou hoje. E se você gostar de futebol, talvez escolha outro time que não o Náutico para torcer. Não será nenhum drama. Suas escolhas serão sempre SUAS escolhas. Estarei feliz se você estiver feliz.

Nasci em 1980, no Rio de Janeiro, um ano antes do Flamengo se tornar campeão mundial. As minhas primeiras camisas de time de futebol foram flamenguistas. Mas me mudei para o Recife ainda muito pequeno e aqui estou eu, um torcedor a menos da imensa nação rubro-negra carioca, e um torcedor a mais da modesta e hoje especialmente feliz torcida do Náutico. Eu também poderia ter abraçado outra camisa rubro-negra, filho. A minha primeira vez em um campo de futebol foi na Ilha do Retiro para ver um jogo do Sport.

Lá se vão pouco mais de 30 anos, mas eu lembro exatamente da magia desse dia. Daqui a alguns anos você viverá essa experiência e eu espero estar junto de você. Ir a jogos do Náutico e também do Sport, com meu padrasto, me ajudou a ver beleza no futebol e na festa das torcidas independente do meu time estar em campo ou vencer. Respeitar e valorizar quem torce (ou pensa) diferente de nós são valores que espero repassar a você, mas teremos muito tempo para isso.

Hoje, queria estar no Recife celebrando o título do Náutico com seu avô Vernier e vendo a festa dos demais torcedores alvirrubros nas ruas. Dizem que somos poucos, que cabemos em uma kombi. E daí, filho? Também nos chamam de alvirrosas, de "barbies" e fazem referência aos torcedores do Náutico como afeminados e gays como se isso fosse um problema. Não é, nunca foi e nunca será. Um dia também conversaremos sobre isso. Somos o que somos e que sejamos felizes. E hoje somos campeões.

O Náutico, meu filho, não é o time de maior torcida, não tem o maior estádio de futebol e não é o clube com mais títulos no Recife, quem dirá no Brasil. O Náutico já foi um clube de elite, feito por e para uma aristocracia. Nessa época seu velho pai nem era nascido, filho. Tudo muda e isso felizmente mudou. O Náutico hoje é tão plural quanto possível, com torcedores de todos os tipos. Ganhamos todos, filho. Tudo muda a ponto de eu não me sentir mais como o torcedor do Torquay. Ir a campo e esperar que o Náutico vença e se torne campeão não é mais uma idiotice, filho.

As derrotas de um clube marcam, entristecem, mas são passageiras. As glórias são eternas, filho.Um dia você ouvirá falar da fatídica Batalha dos Aflitos, mas saberá também que quando o Náutico tinha tudo para fechar as portas deu a volta por cima no ano seguinte.

Vou repetir, filho, para que não fique dúvida: as glórias são eternas. Elas podem ser sofridas, como foi com a conquista do títula da Série C, mas são eternas. Quando eu era criança, eu tinha orgulho de dizer que o Náutico era hexacampeão pernambucano mesmo sem ter vivido nesse época. Uma nova geração de torcedores vai poder dizer que viu o Náutico ser campeão da Série C (sim, é apenas a terceira divisão do futebol brasileiro, mas, de novo, quem se importa?). Uma outra geração, a sua, não viu o time colocar a faixa de campeão no peito, mas eu estarei aqui para contar como foi.

Do alto de suas 25 semanas de vida, você dá chutinhos na barriga de sua mãe e eu sonho que você já celebra comigo: "pai, somos campeões". Tomás, que você saiba desde já, desde sempre: sou o campeão máximo por você ter escolhido a mim e a sua mãe para cuidarmos de você. E viva o Clube Náutico Capibaribe, campeão da Série C 2019.

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