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Recorde no Nordeste, atrasos e prejuízos: balanços financeiros de 2019 do futebol brasileiro

Klisman Gama
Klisman Gama
Publicado em 10/05/2020 às 10:17
Foto: Reprodução
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Boa parte dos clubes que disputaram a Série A em 2019 divulgou o balanço financeiro relativo ao período. O cenário de crescimento econômico no futebol brasileiro, alcançando um novo patamar, acabou sendo atrapalhado pela pandemia do novo coronavírus. Porém, isso não é suficiente para esconder as receitas recordes que vários clubes tiveram, principalmente o Flamengo e os nordestinos Bahia, Ceará e Fortaleza. 

Ao todo, 14 times que disputaram a Primeira Divisão em 2019 publicaram o balanço até o dia 30 de abril, data limite de acordo com a Lei Pelé, que estabelece essa apresentação fiscal para os clubes de futebol. Os que não divulgaram, se apegam na Medida Provisória 931, que alongou o prazo de publicação da prestação de contas para empresas, mas as agremiações esportivas não entraram nela. Desta forma, o debate segue com o Ministério Público para que sejam contemplados. Nesta situação atual do país, algumas equipes não apresentaram por vários motivos. Alguns por conta dos atrasos relativos à covid-19, que atrapalharam a realização de reuniões no Conselho Deliberativo, ou porque impediu que auditorias externas terminassem seus serviços a tempo.

Este último foi o caso do Santa Cruz, que tem o balanço pronto, mas não liberou ainda porque republicará os de 2017 e 2018 assim que a BDO, auditoria externa contratada, terminar o levantamento com relação às duas temporadas citadas. O Náutico apresentou um demonstrativo resumido, já que o completo não ficou pronto a tempo por conta da pandemia. Apenas o Sport apresentou os dados por completo dentre o Trio de Ferro do Recife.

Recordes e preocupações

Por um lado, vale destacar as receitas recordes alcançadas por diversos clubes. Estes são os que têm seguido um modelo mais equilibrado financeiramente, sendo bem geridos e crescendo a cada ano. No Nordeste, Bahia, Ceará e Fortaleza tiveram a maior receita da sua história. O Tricolor baiano teve mais de R$ 189 milhões, enquanto o do Pici ultrapassou R$ 120 milhões. O Vozão conseguiu R$ 98 milhões, quase quebrando a barreira dos três dígitos. Outro detalhe interessante: ambos tiveram um ano no ‘azul’, arrecadando mais do que gastaram. R$ 3.881.000, R$ 3.444.392 e  R$ 5.768.766, respectivamente.

Descendo no mapa do Brasil, dentre o total de times que apresentou os balanços, seis foram superavitários. E destes, três tiveram recorde de arrecadação. Destaca-se, principalmente, o caso do Flamengo, Grêmio e Athletico. O atual campeão brasileiro teve R$ 950 milhões de receita. Recorde no futebol brasileiro. Ainda mais, terminou o ano com R$ 62 milhões de superávit. O Tricolor Gaúcho vem se destacando pela gestão austera do presidente Romildo Bolzan e alcançou R$ 420 milhões na receita e superávit R$ 22 milhões. Quarto ano consecutivo de aumento. No caso do Furacão, a venda de atletas e conquista da Copa do Brasil o levaram a uma receita pouco acima dos R$ 378 milhões e superávit de R$ 63 milhões. Cifras inéditas no Rubro-negro paranaense.

Por outro lado, alguns clubes ainda têm bastante com o que se preocupar neste momento. É o caso do trio carioca, composto por Fluminense, Vasco e Botafogo, que tentam sobreviver com as dívidas altíssimas, atrasos salariais e temporadas deficitárias. Juntos, gastaram R$ 35 milhões a mais do que receberam em 2019. Quem apresentou o maior déficit, disparadamente, foi o São Paulo. O Tricolor paulista arrecadou R$ 398 milhões mas, ainda assim, teve um saldo negativo de R$ 156 milhões. Números preocupantes que vão minando a capacidade desses clubes diante de Flamengo e Palmeiras, que vão se distanciando dos demais.

Sem dados

Ao todo, seis clubes que disputaram a Série A e sete da Série B não publicaram os demonstrativos. As justificativas são as mesmas apresentadas no começo do texto: a pandemia do novo coronavírus, além de outros problemas administrativos, em alguns casos. A não publicação até a data limite acarreta em diferentes sanções aos clubes, como nos acordos feitos sobre dívidas com a União, inelegibilidade de dirigentes em qualquer clube ou empresa ligada ao esporte.

Da Primeira Divisão, não entregaram a documentação o Atlético-MG,  Avaí, Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro e CSA. Dentre eles, Corinthians e Cruzeiro apresentam uma pior situação, com altas dívidas a serem pagas no curto prazo. Da Segundona, Brasil de Pelotas, Coritiba, CRB, Cuiabá, Figueirense, Londrina e Vitória não apresentaram o balanço financeiro.

Arrecadação dos clubes da Série A

Athletico - R$ 378.764.000 de receita, com superávit de R$ 63.400.000

Bahia - R$ 189.485.000 de receita (maior da história), com superávit de R$ 3.881.000

Botafogo - R$ 191.337.000 de receita, com déficit de R$ 20.849.000

Ceará - R$ 98.077.486 de receita (maior da história), com superávit de R$ 5.768.766

Flamengo - R$ 950 milhões de receita, com superávit de R$ 62 milhões

Fortaleza - R$ 120.490.995 de receita (maior da história), com superávit de R$ 3.444.392

Fluminense - R$ 250.018.000 de receita, com déficit de R$ 9.304.000

Goiás - R$ 90.846.836 de receita, com superávit de R$ 2.801.865

Grêmio - R$ 420 milhões de receita, com superávit de R$ 22 milhões

Internacional - R$ 389.462.445 de receita, com déficit de R$ 3.019.465

Palmeiras - R$ 641.915.000 de receita, com superávit de R$ 1.724.000

São Paulo - R$ 398.017.000 de receita, com déficit de R$ 156.149.000 

Santos - R$ 399.829.000 de receita, com superávit de R$ 23.501.000

Vasco - R$ 204.373.000 de receita, com déficit de R$ 5.095.000

Arrecadação do Trio de Ferro do Recife

Náutico - Apesar da divulgação de um balanço simplificado, o faturamento total e o superávit/déficit ficaram de ser publicados ao lado do demonstrativo completo.

Santa Cruz - A direção confirmou que a receita é um pouco maior que R$ 18 milhões, enquanto o superávit é de R$ 2,5 milhões

Sport - R$ 39.208.327 de receita, com déficit de R$ 22.644.360

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