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Diógenes Braga conta detalhes de 2020 com o Náutico: "Foi realmente bem duro"

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Publicado em 07/02/2021 às 7:23
Diógenes Braga concedeu entrevista à Rádio Jornal. Foto: Felipe Ribeiro/ JC Imagem
Diógenes Braga concedeu entrevista à Rádio Jornal. Foto: Felipe Ribeiro/ JC Imagem
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De fácil trato e sempre solícito à imprensa, o vice-presidente do Náutico, Diógenes Braga, saiu de cena nos últimos meses. Optou pelo silêncio. Deixou as entrevistas de lado para depositar todas as energias em evitar o rebaixamento do Náutico à Série C do Campeonato Brasileiro na temporada 2020. Enfrentou duras críticas da torcida. Levou um susto em relação à saúde. Precisou, inclusive, se afastar de alguns jogos do Náutico na Série B por recomendação médica. Mas, no final, deu tudo certo. Aliviado pela permanência alvirrubra na Segunda Divisão e cheio de lições tiradas da temporada 2020, ele contou parte dessa experiência ao repórter da Rádio Jornal Antônio Gabriel. Também detalhes do que o torcedor pode esperar do planejamento do Náutico para a temporada de 2021.

CONFIRA A ENTREVISTA

Antônio Gabriel (Rádio Jornal) – O ano de 2020 foi o mais complicado da sua vida nos âmbitos pessoal e profissional?

Diógenes Braga – Foi. 2020 foi o ano mais difícil na questão de dividir os afazeres pessoais, o Náutico, a família, né? Em meio a uma pandemia, que afasta muito e, eu até conversando com o presidente, a gente comentou que o último trimestre, pegando ali outubro, novembro e o início de dezembro foram os piores meses da vida da gente. Foi realmente bem duro.

Antônio Gabriel – Como foi tomada a decisão de ficar em silêncio neste período? E como foi tudo isso? Já que, em silêncio, você não dá a resposta, mas ouve muitas coisas.

Diógenes Braga – Eu sou um torcedor de essência e, quando eu estava como torcedor apenas, eu ficava muito curioso e ansioso por saber o que passava nos bastidores. Então, como dirigente, eu sempre tive uma preocupação muito grande de informar. Mas a intenção sempre foi informar. Então, às vezes, eu até saía um pouco da minha alçada de dirigente, mas a intenção sempre foi informar. E aí, em um dado momento, quando o time deu uma baixada grande, houve uma percepção, não só minha, de que essas entrevistas não estavam ajudando. Na verdade, na hora que a gente falava a informação não estava esclarecendo, estava trazendo polêmica. Então a gente entendeu que era melhor retrair, mergulhar no clube e buscar soluções. Quanto a estar ouvindo, é natural. Quando você se coloca na posição de dirigente de um clube como o Náutico, tem que estar preparado. Agora dizer que foi fácil, não foi, não é, nem nunca vai ser.

Antônio Gabriel – Aquele jogo contra o Sampaio Correa, na viagem seguinte você não fez parte da delegação. O que aconteceu naquele período?

Diógenes Braga – Não foi uma coisa legal. Sempre fui uma pessoa que teve uma saúde muito boa e tenho uma preocupação muito grande quanto a isso, porque sei da importância que tenho para a minha família. Não só minha esposa e filhos, mas para os meus pais, irmãos tudo. Naquele jogo (contra o Sampaio Correa) eu tive um pico de pressão. Sem ser medicado, os médicos perguntaram se precisava de ambulância, eu disse que não, acabei voltando para o hotel e aí os jogos que eu fiquei ausente foi uma orientação dos médicos do Náutico para que eu não fosse, pelo menos aos que fossem fora. Me ausentei, mas está tudo bem, passou. Me recuperei rapidamente para sentir o alívio que eu senti após o jogo contra o Cruzeiro.

Antônio Gabriel – Qual foi o planejamento inicial de 2020?

Diógenes Braga – A gente delimitou algumas coisas e foi exatamente a mesma coisa que fiz em 2018, 2019 e 2020. E a primeira coisa era respeitar orçamento. E aí foi feito e, dentro desse respeito, a gente buscou estabelecer uma condição de levar o clube a um ano de cumprimento dos compromissos. Fizemos manutenção significativa do elenco campeão da Série C. E naquele momento, a gente apostou muito na base. E achamos que era uma decisão acertada. Até acho que a ideia de manter uma base de elenco não foi equivocada, mas, provavelmente, a gente errou na mão. E isso passou muito pelo sentido de manter orçamento. E a ideia da gente era que a gente conseguisse reforçar mais o time e trazer alguns reforços a mais para a Série B. E aí a gente teve um problema pesadíssimo que foi a pandemia e refletiu na nossa segunda maior receita, que era a campanha de sócio. A maior era a cota de TV da Série B. Tínhamos um projeto lindo com a campanha de sócios. O montante que chegava para o clube chegava perto da cota da Série B. E, para um início de temporada, o que a gente imaginou: mantenho a minha base e trago três, quatro pilares e teremos um elenco forte. Só que aí a gente sofreu com peças de reposição. A gente até conseguiu ter qualidade, mas não conseguiu ter número de jogadores. Então foi uma temporada muito atípica, mas de muito aprendizado. Exigiu demais da gente.

Antônio Gabriel – Houve uma melhora muito grande do elenco a partir da chegada do Hélio dos Anjos. Nesse quesito, como foi a resposta do elenco?

Diógenes Braga – Taticamente é importante colocar que ele se preocupou em estabilizar a defesa. Em relação à questão motivacional, o que ele fez foi passar uma confiança muito grande. Quando Hélio veio, o neto dele tinha acabado de nascer e ele disse ao elenco que veio porque acreditava. E que não interessava se os problemas do Náutico foram antes ou depois, mas que a partir dali, eram dele também. Passou uma confiança muito grande porque chegou abraçando o elenco e o elenco absorveu de forma muito boa, porque o elenco é comprometido com o clube e muito profissionais com todos os treinadores que eles trabalharam. A retomada que a gente fez foi muito bonita. Se pegar a primeira partida de Hélio, que foi contra o Guarani, até o final do campeonato a gente fez uma campanha de G4, né?

Antônio Gabriel – No grupo e nos treinamentos, dá para falar um pouco da importância do Kieza?

Diógenes Braga – O que chama atenção em relação a Kieza é o amor que ele tem pelo clube. O que ele fez nessa reta final é algo de não se acreditar. Mas externamente não se sabe disso. Ele teve uma lesão grau dois a três. Poderia ter tirado ele da competição. E, por iniciativa dele, chamou o nosso fisioterapeuta e se tratou em três períodos. Passou Natal e Ano Novo se tratando. Ele só dizia que queria que tirasse a dor, que ele ia voltar, não queria saber. Que não estava preocupado de abrir ou se machucar. E entrou em campo e todo mundo viu a participação dele em gols fundamentais, mas o quanto ele corria para marcar zagueiro, brigar. Ele é aquela questão da liderança pelo exemplo.

Antônio Gabriel – A organização administrativa, financeira para 2021 vai ser mais difícil que a de 2020?

Diógenes Braga – A princípio vai ser um pouco mais difícil, sobre o que eu falei a respeito da campanha de sócio. A gente lançou a campanha de sócios há pouco tempo e vai dar um Norte, vai dar uma noção muito grande de como a gente pode seguir. Nós temos um elenco base. Apenas o Anderson não tem contrato. Mas é claro que a gente precisa de contratações, repor peças que estão encerrando contrato e isso vai depender da campanha de sócios e de possíveis negociações de atletas. As Copas (do Nordeste e do Brasil) fazem falta, sim. Mas a gente tem que buscar alternativas que podem ser em cima da venda de atletas e é possível que isso ocorra mais a partir de agora que acabou a Série B, que os clubes de Série A estão na reta final, mas já começam a se mexer neste sentido e a gente conseguindo negociações evidentemente que vai vislumbrar possibilidades.

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