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Emocionado, massagista do Náutico agradece apoio e fala pela primeira vez após sair da prisão: "Sofrimento que só Deus sabe"

LOURENÇO GADÊLHA
LOURENÇO GADÊLHA
Publicado em 19/03/2021 às 15:27
Paulinho, como é mais conhecido, é bastante querido no Náutico. Foto: Caio Falcão/Divulgação
Paulinho, como é mais conhecido, é bastante querido no Náutico. Foto: Caio Falcão/Divulgação
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O dia 19 de março de 2021 ficará marcado para sempre na memória de Paulo Mariano Neto. Isso porque o massagista do Náutico foi liberado do Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (COTEL) na manhã desta sexta-feira após passar 23 dias preso sob a acusação de ter assaltado um ônibus. O funcionário do clube alvirrubro foi liberado para responder o processo em liberdade após o desembargador Evandro Magalhães, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE), conceder um habeas corpus na noite de quinta-feira (18). Emocionado, Paulinho, como é conhecido, conversou com a reportagem do Jornal do Commercio, e, em tom de agradecimento, falou sobre o sentimento de deixar a prisão, onde estava em detenção desde o dia 24 de fevereiro.

"Foi muito difícil esses 23 dias lá dentro, um sofrimento que só Deus sabe. Gostaria de agradecer primeiramente a Deus, mas também tenho que agradecer aos meus advogados Virgínia Kelle e Fernando, que me apoiaram demais, me ajudaram e confiaram na minha inocência desde o início. O apoio da minha família, dos meus amigos. Isso foi fortalecendo. Agradeço também a oportunidade que o desembargador Evandro Magalhães me deu de responder o processo em casa, voltando para junto da minha família. Eu não estou nem acreditando ainda que cheguei em casa. Não desejo isso para ninguém, mesmo quem cometeu um erro. Eu sou prova viva de que fui para esse lugar (COTEL) sem ter feito nada, sem nunca ter me envolvido com nada errado", afirmou.

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Na labuta desde os 17 anos, inclusive, seguindo os passos do pai, que é massagista do Santa Cruz, Paulinho contou que sempre teve uma vida ligada ao trabalho, e que nos horários vagos, costuma se dedicar a família e a casa. Mais uma vez, agradeceu ao desembargador que concedeu o habeas corpus, e logo fez questão de projetar um "retorno a vida normal" após os dias que passou encarcerado no COTEL.

"Desde os 17 anos sempre trabalhei. Minha vida é trabalho, casa, família. Quem me conhece, sabe.. Só tenho que agradecer a Deus pela oportunidade que ele está me dando de estar em casa com a minha família. Agora é levantar a cabeça, voltar tudo ao normal, além de confiar e acreditar que vou ser inocentado e logo logo esse pesadelo acabar. É muito difícil estar naquele lugar ali. Eu pedi a Deus todos os dias para me tirar daquele lugar. Eu não desejo isso para ninguém. É tanta coisa que é até difícil de explicar. Vi tanta coisa que.. meu Deus. Estou muito feliz pelo desembargador ter olhado o meu processo com atenção e me dar essa oportunidade de responder em casa. Agora vou aproveitar a família, voltar ao trabalho", declarou Paulinho.

APOIO

O caso envolvendo o massagista do Náutico ganhou maior repercussão na quarta-feira (17), depois de uma campanha de jogadores pedindo a liberdade de Paulo. Participaram do ato, nas redes sociais, o técnico alvirrubro, Hélio dos Anjos, o auxiliar Kuki junto com membros da comissão técnica, o atacante Kieza e até Jorge Henrique, que deixou o Timbu nesta temporada. O episódio gerou tanta comoção que uniu até os rivais do Náutico, já que também endossaram o pedido de liberdade os capitães de Sport e Santa Cruz, que são Patric e Danny Morais, respectivamente. Na quinta-feira, foi a vez do Náutico divulgar uma nota em apoio ao massagista.

Na entrevista, Paulo Mariano estendeu o agradecimento à todos que, de forma direta ou indireta, torceram pela saída do massagista da prisão. "Quero agradecer também a todos os meus companheiros, ao presidente Edno, ao pessoal do Sport e Santa Cruz que me apoiou também. Hoje minha esposa me mostrou, a dra. Kelle também me falou. Ainda não vi o vídeo dos meninos (do Náutico), mas quando me falaram, eu fiquei muito feliz. Todos acreditando em mim, me apoiando e confiando. Quem me conhece, sabe que eu nunca precisei disso", disse, antes de relembrar a trajetória profissional e as amizades que fez durante todo o percurso, iniciado em 2012.

"Comecei a trabalhar com 17 anos, no América-PE, quando era auxiliar de roupeiro. No decorrer do campeonato, surgiu uma oportunidade de trabalhar como massagista. Como meu pai trabalhou nessa função 12 anos no Náutico e 14 no Santa Cruz, eu aproveitei a oportunidade para seguir no ramo do meu pai. Desde 2012 que eu trabalho. Passei pelo América-PE, Ypiranga-PE, Timbaúba, Sport, Náutico. Fiz muitas amizades, graças a Deus. Se eu fosse uma pessoa mau caráter, ninguém ia fazer isso por mim. Tenho que agradecer muito", completou.

Antes de finalizar a entrevista, Paulinho não escondeu a vontade de voltar a trabalhar e fazer aquilo que mais ama. "Estou louco para voltar ao Náutico para agradecer ao professor Hélio dos Anjos, ao presidente Edno, ao vice Diógenes, toda a comissão técnica, jogadores, todos mesmo. Estou doido para voltar a trabalhar. Eu amo o que eu faço. Desde do dia 24 que não tenho mais contato com eles. Agora vou tentar retomar minha vida de volta. Agradeço demais a todos vocês da imprensa também que me deu essa maior ajuda", concluiu.

ENTENDA O CASO

Aos 27 anos, Paulinho foi preso dia 24 de fevereiro pela Polícia Civil, no bairro de Brejo da Guabiraba, nas proximidades do Centro de Treinamento Wilson Campos, onde o massagista trabalha.  No processo, ele é acusado de ter participado junto com outros suspeitos de um assalto a um ônibus da linha Xambá/Joana Bezerra, na noite do dia 25 de dezembro de 2018, no bairro da Joana Bezerra, área central do Recife. Na época, ele ainda trabalhava no Sport. O crime foi registrado pelas câmeras de segurança do coletivo e o mandado de prisão preventiva foi concedido com base no reconhecimento facial das imagens. Desde a prisão, no fim de fevereiro, ele estava no COTEL, localizado em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. No entanto, a esposa Amanda Araújo, alega que ele estava comemorando o Natal em casa, no bairro onde mora, em Maranguape, Paulista, junto com familiares e amigos no exato momento do ocorrido, que aconteceu no Recife.

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