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Dos gramados à barbearia: ex-jogadores do futebol pernambucano se reinventam após aposentadoria

LOURENÇO GADÊLHA
LOURENÇO GADÊLHA
Publicado em 11/04/2021 às 10:03
Jean Batista e Adriano Félix jogaram jogadores de futebol e agora se aventuram profissionalmente no mundo da barbearia. Foto: Acervo pessoal
Jean Batista e Adriano Félix jogaram jogadores de futebol e agora se aventuram profissionalmente no mundo da barbearia. Foto: Acervo pessoal
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Foram anos e anos de vida dedicados à carreira de jogador de futebol. Treinos, concentração, jogos. Essa é a rotina habitual de um atleta profissional, que ainda costuma ficar muito tempo longe da família. Porém, apesar da vitrine, este período não dura para sempre. Chega um momento em que é a hora de pendurar as chuteiras e, muitos deles, precisam se reinventar para a vida pós-aposentadoria. É o caso do ex-zagueiro Adriano Félix e também do ex-lateral Jean Batista. Em comum, além do futebol, os dois agora tocam a vida no mundo da estética, mais precisamente, no ramo de barbearia. Em entrevista ao Jornal do Commercio, eles falaram sobre a transição dos gramados até o mundo da estética, mais especificamente, a barbearia. 

Natural de Fortaleza, no Ceará, o ex-zagueiro Adriano Félix fez sucesso em solo pernambucano. Por aqui, teve destaque nas passagens por Santa Cruz e Sport, onde chegou, inclusive, a Seleção Brasileira. Passou ainda por Celta de Vigo, na Espanha, Fluminense e Vasco da Gama, entre os clubes de maior expressão. Depois de anos dentro de campo, chegou a hora de pendurar as chuteiras, mesmo que antes do esperado, devido a uma lesão. Com a aposentadoria, veio também as dificuldades do pós-carreira. 

Minha mulher e minha família me ajudaram bastante, até na hora de parar. Não encerrei a carreira por opção, foi por conta de lesões. Isso me doeu um pouco. Depois de parar, a gente sempre procura alguma coisa. Mesmo que você tenha mentalidade, tenha estudado, trabalhado, organizado sua vida para parar, depois que você encerra a carreira, o mundo para de girar em torno de você. Muitos acham que a vida do jogador é muito simples. Não existe nada fácil. Tem que correr atrás sempre, principalmente quando para (de jogar). Quando você está em evidência, muita gente quer estar ao seu lado", contou. 

Adriano em campo com a Seleção Brasileira. Foto: Acervo Pessoal

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Depois que encerrou a carreira de jogador, Adriano continuou no futebol. Durante quatro anos, foi auxiliar técnico do Santa Cruz, período que recorda com muita satisfação. No entanto, após a saída do clube em 2018, uma pausa. Dessa vez, para organizar a vida fora de campo e longe do futebol.  “Surgiu algumas coisas, como uma loja de bicicletas que eu coloquei. Depois, veio essa nova etapa de barbearia, voltando com tudo. Eu e um amigo chegamos decidimos colocar uma barbearia juntos. Hoje, está bem estruturada, dentro da Toyolex, na Rui Barbosa, onde tem estacionamento, segurança, bons profissionais e onde a gente trabalha de maneira segura, com luvas, máscaras normais e de acrílico, tentando fazer o possível para deixar o cliente seguro”, detalhou.

Adriano Félix, ex-zagueiro e proprietário da Oficina da Barba. Foto: Acervo Pessoal

Com a barbearia montada de um ano e meio para cá, Adriano viu de perto os impactos causados pela pandemia do novo coronavírus. Tanto em 2020, quanto neste ano, algumas vezes, o espaço teve que ser fechado devido às restrições para conter o avanço do vírus. “Foi e está sendo muito duro até agora para manter funcionários e não deixar as pessoas que trabalham com a gente na mão. Tudo foi muito difícil, com muito medo. Normal, dentro de um quadro que a gente se encontra. Diminuiu muito a frequência, com as pessoas preocupadas, com medo de aglomeração, de contato. Isso nos prejudicou bastante. A gente vem tentando sobreviver. O prestador de serviço que não estiver atualizado, procurando melhorar ou buscar outras opções, infelizmente a tendência é fechar. Mas a gente vai conseguir”, relatou Adriano.

BARBEIRO DE OFÍCIO

Diferente de Adriano, o ex-lateral Jean Batista além de ser dono do próprio negócio, também exerce a profissão de barbeiro. No início da carreira, ainda na base do Sport, passou a cortar o próprio cabelo, como medida de economia. Depois, com máquina e tesoura em mãos, começou a utilizar os colegas mais próximos como ‘cobaias’. A vida seguiu, Jean passou por grandes clubes do futebol brasileiro como Vasco, Fortaleza, Paysandu e América-MG, etc. Até que em 2014, após uma lesão no ligamento cruzado do joelho, a vida o reaproximou do corte de cabelo através de um convite do irmão.  

“Confesso que nunca passou pela minha cabeça que ia me tornar um barbeiro após o final da carreira. Fazia mais os cortes para poder economizar um pouco, já que o dinheiro que ganhávamos era muito pouco. Acabei entrando através dele (irmão) para fazer o curso de barbeiro no Senac. No meio do curso, surgiu a oportunidade para trabalhar numa barbearia em Jardim São Paulo. Pra minha surpresa, minha instrutora me indicou. Tomei a decisão de ir e foi quando tudo começou”, contou.

Jean Batista, na época que era lateral-esquerdo no Vasco. Foto: Acervo Pessoal

Da primeira oportunidade em Jardim São Paulo, Jean migrou para a Barbearia Brasil, que ficava na rua do Espinheiro. Foi então que ele passou a ser procurado pelos clientes como o ex-jogador de futebol que virou barbeiro. “Os clientes sentavam na cadeira e começavam a falar de futebol. Era muito engraçado. Muitos iam lá, às vezes nem sabiam meu nome, mas me procuravam por saber que eu era ex-jogador. Passei alguns clubes de expressão, joguei fora do país e conversávamos muito sobre futebol, as coisas que aconteciam nos bastidores, concentração. Comecei a conversar, explicar, dava risada porque também gostava”, contou.

Com o sucesso, Jean foi se aprimorando, fazendo cursos para expandir seu conhecimento na área, quando chegou a montar seu próprio espaço, o Templo do Corte, localizado na Avenida Conselheiro Portela. “Hoje, tenho a minha própria barbearia, o meu espaço. Sou muito grato aos proprietários da Barberia Brasil, que me deram a oportunidade. Foi a segunda casa que passei. Eles encerraram as atividades devido a outras atividades que tinham, outras ocupações, e me deram a oportunidade de fazer uma cartela de clientes na Zona Norte para abrir o meu espaço. Atualmente, vai fazer três anos que estou com o Templo do Corte”.

Jean trabalhando como barbeiro. Foto: Acervo Pessoal

Assim como Adriano, o Templo do Corte, de Jean, também sentiu os duros impactos da pandemia. Foi então quando ele teve que se reinventar e passou a atender à domicílio. "As coisas estavam andando direitinho até chegar a pandemia. Ninguém esperava estar passando por um momento tão difícil. Com a pandemia, tive que me reinventar para poder fazer os serviços em domicílio. Era a única forma de manter o negócio aberto. A loja não é própria, então tenho que pagar aluguel. A grande dificuldade é que o poder aquisitivo dos clientes está diminuindo. A gente precisa dos clientes, que é o nosso patrão. Estamos nos virando, se adequando aos horários dos clientes, fechando no horário estabelecido para obedecer as regras", disse, antes de destacar sua realização na profissão que exerce atualmente.

“Estou muito feliz, realizado. Te confesso que trabalho mais do que na época do futebol, mas é prazeroso quando você faz o que gosta. Queria eu que todos os meus amigos que vão parar de jogar futebol e vão precisar trabalhar, pudessem encontrar algo que lhes deixem realizado. Sempre falo que encerrou um ciclo na minha vida e começou outro, que é a vida do barbeiro. É assim que sou conhecido, como o boleiro barbeiro. O importante é ser feliz, estar bem consigo mesmo", finalizou Jean.

 

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