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A um mês do início, Copa América sente efeitos da covid-19 e crise social na Colômbia

Davi Saboya
Davi Saboya
Publicado em 13/05/2021 às 14:19
Sede da Conmebol fica no Paraguai. Foto: Jorge Adorno/Reuters
Sede da Conmebol fica no Paraguai. Foto: Jorge Adorno/Reuters
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AFP - Faltando um mês para começar, a Copa América é ameaçada pelos efeitos da intensa segunda onda da pandemia de covid-19 na América do Sul e da delicada situação social na Colômbia, uma das sedes do evento junto com a Argentina.

O que será feito em relação a essas questões pode ser esclarecido nesta quinta-feira, durante reunião do Conselho da Conmebol, formado pelos presidentes das dez federações nacionais que integram a entidade que rege o futebol na região.

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A Conmebol apoia a ideia original de realizar o torneio pela primeira vez em dois países (Argentina e Colômbia), informou à AFP uma fonte próxima à entidade.

Também não há motivos para temer que os clubes europeus, com o fim da temporada, se recusem a liberar seus jogadores sul-americanos.

Ninguém pode imaginar uma Copa sem o argentino Lionel Messi ou o brasileiro Neymar.

EFEITOS DA PANDEMIA

A 47ª edição do torneio de seleções mais antigo do mundo levantou uma série de dúvidas. A Argentina vive seu pior momento de infecções (3,1 milhões no total) e mortes (mais de 68.000) por covid-19. A Colômbia sofre uma convulsão social devido aos protestos de rua, com pelo menos 42 mortos e centenas de feridos. Isso sem contar com a devastação provocada em seu território pelo coronavírus.

Por conta das concentrações de manifestantes "é provável que o pico de infecções (mais de três milhões, com 78.000 mortes) não diminua", disse à AFP Diego Rosselli, professor de Epidemiologia da Universidade Javeriana.

Nem mesmo os ataques causados pelo conflito com o agora desmobilizado grupo guerrilheiro Farc conseguiram impedir a Copa América de 2001 na Colômbia. Só que a Argentina se absteve de participar e Brasil e Uruguai levaram times alternativos.

O planeta do futebol é resistente ao coronavírus e às tensões sociais. Quem agora se atreve a parar a bola?

O mundo anda como um equilibrista: quer sustentar as atividades e ao mesmo tempo proteger a vida das pessoas.

"Jogamos futebol sem tomar as devidas medidas e com muitos contágios", disse o ex-diretor técnico argentino Ángel Cappa.

COM OU SEM TORCEDORES?

O presidente da Colômbia, Iván Duque, disse que “seria um absurdo não realizar uma Copa América se houver uma Eurocopa, principalmente quando os números epidemiológicos em vários países são semelhantes ou até, em alguns lugares, piores".

Já o presidente da Argentina, Alberto Fernández, avisou: "Não quero frustrar a Copa América, mas quero que sejamos muito sensatos".

Quando a pandemia pareceu diminuir, a Conmebol anunciou seu desejo de ter a presença de torcedores nos estádios, mas as autoridades dos dois países não se pronunciaram definitivamente.

Com leitos de terapia intensiva à beira do colapso, o ministro da Saúde de Buenos Aires, Fernán Quirós, advertiu que "grande parte do país com conglomerados urbanos não tem condições de organizar shows com grande audiência".

Para pressionar, a Conmebol lançou a música tema oficial da competição. "É um sinal inequívoco de que o trabalho continua", disse uma fonte da instituição à AFP.

No momento, as cidades escolhidas na Argentina são Córdoba, Santiago del Estero, Mendoza e Buenos Aires. Na Colômbia, Barranquilla, Medellín, Cali e Bogotá..

Já no Paraguai, fala-se abertamente que as cidades de Assunção, Luque, Villarrica, Ciudad del Este e Encarnación poderiam receber o evento.

Por enquanto, o torneio está com início marcado para 13 de junho,  com o confronto entre Argentina e Chile no Monumental de Buenos Aires, com a final disputada em na colombiana Barranquilla, no dia 10 de julho.

VACINAÇÃO

O sinal de alerta segue aceso por conta da onda de casos de covid-19 nas equipes que disputam as copas Libertadores e Sul-Americana.

Para a Copa América, a Conmebol dispõe de 50 mil vacinas doadas pelo laboratório chinês Sinovac. Até as famílias dos jogadores serão imunizadas. A entidade vai ter postos de vacinação em Londres, Roma e Madrid para atender os sul-americanos que jogam na Europa.

No Brasil, por enquanto, nem a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nem o técnico da seleção, Tite, se manifestaram sobre as dúvidas que pairam sobre a Copa América.

Sob o ataque de uma segunda onda da pandemia, o Brasil é o segundo país do continente com o maior número de mortes (mais de 425.000 mortes), depois dos Estados Unidos. A vacinação está ocorrendo lentamente.

“Desde o início da pandemia, os dirigentes do futebol brasileiro só pensavam em si mesmos, no jogo e no dinheiro”, disse Walter Casagrande, ex-jogador e atualmente comentarista de TV.

A seleção brasileira, atual detentora do título do torneio, está no Grupo B, ao lado de  Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. No Grupo A estão Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai, o maior vencedor da competição, com 15 troféus).

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