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Brasil ainda não confirma se vai organizar Copa América em 2021

LOURENÇO GADÊLHA
LOURENÇO GADÊLHA
Publicado em 01/06/2021 às 10:02
Foto: Reprodução
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AFP

A menos de duas semanas para o seu início, o Brasil, o segundo país com mais mortes pela covid-19 no mundo, foi escolhido nessa segunda-feira (30) pela Conmebol como anfitrião da Copa América 2021, que acontece de 13 de junho a 10 de julho. Porém, a disputa do torneio no país não está 100% confirmada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ao menos é o que garante o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos.

"Ainda não tem nada certo, quero pontuar de uma forma bem clara. Estamos no meio do processo. Mas não vamos nos furtar de uma demanda, caso seja possível, de atender", disse Ramos em Brasília. O ministro explicou que o governo de Jair Bolsonaro impôs várias condições à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a realização do torneio, como a ausência de público e que todos os membros das delegações sejam vacinados.

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Decisão nesta terça-feira

"Esse evento, caso se realize, não terá público. Por enquanto são dez times, com dois grupos, 65 pessoas por delegação. Todos vacinados. Com relação às sedes, serão de responsabilidade da CBF, e de acordo com as escolhas, eles irão tratar com os estados", disse o ministro. "Amanhã (terça) teremos uma posição final", acrescentou.

O Brasil, que sediou a última Copa América em 2019, era um dos países menos citados entre os candidatos para substituir Argentina e Colômbia, embora possua a melhor infraestrutura da região para receber a competição, por conta dos estádios modernos construídos para a Copa do Mundo de 2014.

No entanto, também é um dos países mais afetados pela pandemia no mundo, com 462 mil mortes, o segundo pior balanço global, enquanto ocupa o terceiro lugar no ranking de número de casos com mais de 16 milhões de infecções. A Conmebol deve anunciar os locais e as datas dos jogos do centenário torneio de seleções nas próximas horas.

Mais cedo nessa segunda-feira, na primeira reação do governo brasileiro, o vice-presidente, Hamilton Mourão, garantiu que a realização da Copa América no país tem "menos risco" do que na Argentina, que vive seu pior momento na pandemia. "A vantagem é o tamanho do nosso país e o número de estádios. Dá para distribuir" os jogos pelo território, afirmou Mourão, na saída do Palácio do Planalto, em Brasília.

Ao argumentar pela escolha da nova sede do torneio sul-americano, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, disse que "o governo do Brasil demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano", segundo o site da entidade.

Pandemia e crise social

A Copa América havia sido adiada em 2020, devido ao surgimento da pandemia do coronavírus. No último domingo, a Conmebol decidiu que a Copa América não deveria ser disputada na Argentina, devido ao crescimento das infecções de covid-19 e por conta das exigências do governo local para o cumprimento de um protocolo sanitário muito rígido.

Há 10 dias, também decidiu cancelar a realização do evento na Colômbia por conta dos distúrbios políticos que levaram a protestos violentos nas últimas semanas, nos quais morreram dezenas de pessoas, e pelo crescimento da pandemia no país. Esta seria a primeira edição deste campeonato a ser realizada em dois países simultaneamente. Manifestantes colombianos foram às ruas para expressar sua insatisfação com a possibilidade de seu país organizar o evento, enquanto na Argentina uma pesquisa recente indicou que 70% de seus habitantes eram contra a realização da competição.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse nessa segunda-feira que pediu à Conmebol “tempo” para analisar a situação da saúde, mas que as “sedes do evento” no país estão “em alerta epidemiológico”. A Argentina registra quase 3,8 milhões de infecções com mais de 77.000 mortes, e nas últimas semanas registrou mais de 21.000 casos diários, uma situação de saúde que o governo considera a pior desde o início da pandemia. A taxa de mortalidade é de quase 500 por dia.

Preocupação

A alarmante situação epidemiológica na América Latina também chamou a atenção dos jogadores, que se posicionaram contra o torneio pelo alto índice de infecções. Diego Godín, capitão e zagueiro da seleção uruguaia, e o atacante Luis Suárez, falaram na concentração da seleção em Montevidéu, e manifestaram sua preocupação com a realização da Copa.

"O que queremos e desejamos é ter as garantias e a tranquilidade para todos os atores da Copa América (...) Será disputada onde nos derem a tranquilidade de que será possível jogar", disse nesta segunda-feira Godín, jogador do Cagliari, de 35 anos.

Antes do cancelamento da Copa na Argentina, Suárez tinha destacado que "estamos em uma situação difícil em nível mundial, mas mais ainda na América do Sul nos últimos meses e a Argentina é um dos países mais complicados. Por isso, chama um pouco a atenção que se dispute a Copa América".

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