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HISTÓRIA DO FUTEBOL

Campeão brasileiro pelo Sport em 87 revela o que fez pedir para interromper os pênaltis na decisão do Módulo Amarelo

Estevam Soares era o zagueiro e capitão do Leão na partida contra o Guarani e admite que não queria bater novamente naquela quase infindável disputa de pênaltis

Marcelo Cavalcante
Marcelo Cavalcante
Publicado em 06/08/2021 às 12:29
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Carlos Teixeira/Arquivo JC
Estevam entrando em campo numa das partidas do Sport no Campeonato Brasileiro de 1987 - FOTO: Carlos Teixeira/Arquivo JC
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Falar do Campeonato Brasileiro de 1987 é motivo para polêmica. Menos para o ex-zagueiro do Sport, Estevam Soares. "Foi uma das maiores alegrias da minha carreira levantar aquela taça", diz o agora técnico de futebol. Na equipe rubro-negra treinada pelo iniciante e já exigente Emerson Leão, Estevam, com então 29 anos, era respeitado pelos companheiros pela sua qualidade técnica e experiência. E impunha também respeito dos atacantes adversários. Jogava firme, sem apelar para a violência. Mas na decisão do Módulo Amarelo daquele ano, ele sentiu o peso da responsabilidade e, literalmente, "tremeu".

Sport e Guarani chegaram naquela decisão com campanhas brilhantes na fase de grupos. No primeiro, duelo, em Campinas, vitória do clube paulista por 2x0. No dia 13 de dezembro, as duas equipes se enfrentaram numa Ilha do Retiro lotada. Como venceu o confronto de ida, o Guarani jogava pelo empate. E o Bugre tinha um baita time: Ricardo Rocha, Evair, Neto, Paulo Isidoro... Mas o Sport atropelou. Fez 3x0 no tempo normal. O curioso é que saldo de gol não servia como critério de desempate. A partida foi para a prorrogação, que terminou empatada em 0x0. Aí, começaria os pênaltis que ninguém imaginava ser tão desgastante. No total, 24 penalidades foram cobradas. Estevam foi o oitavo cobrador do Leão. E mandou para as redes. Mas só deus sabe como.

"Olha, eu detesto cobrança de pênaltis. Nos meus 21 anos de carreira como atleta de futebol, só cobrei aquele. Depois, nunca mais bati. Na hora que eu sai do meio de campo da Ilha do Retiro e fui em direção à marca do pênalti... Nossa Senhora. A perna tremia. Uma sensação horrível. Eu peguei forte na bola, que bateu no ombro de Sérgio Néri (goleiro do Guarani) e entrou", conta. Foi um alívio. Mas ele seguiu nervoso. Afinal, disputa seguiu. Ribamar havia perdido para o time rubro-negro, enquanto Valdir Carioca desperdiçou para o Bugre. Tudo igual: 11x11.

Quando percebeu que havia a possibilidade de ir para a cobrança novamente, Estevam sentiu o sistema nervoso ser acionado. "Eu estava vendo que a bronca voltaria para o meu lado. Cada gol feito, eu já tava pensando: 'ih, lá vou eu de novo'. Foi quando falei para Homero Lacerda (presidente do Sport) para acabar com essa história. Ele comprou a ideia e foi conversar com o árbitro e o presidente do Guarani". No final das contas, deu tudo certo. As cobranças foram interrompidas. Tempos depois, a CBF declarou Sport como único campeão.

BOAS LEMBRANÇAS

Estevam chegou no Sport logo depois de disputar o Campeonato Brasileiro de 1986 pelo Bahia. Foi uma das contratações de peso do clube, que ainda contou com Robertinho, Ribamar, Émerson Leão e Éder. "Eu havia feito um grande campeonato nacional. Numa partida no Recife, eu recebi a visita do empresário Geraldo Samico, que fez a sondagem para vir jogar no Sport. Topei. Foi um grande time. No Pernambucano, vi os desentendimentos de Leão e Ernesto Guedes, então treinador", lembra. Dias antes da final do Pernambucano, Guedes foi demitido e Leão foi o goleiro e treinador na decisão contra o Santa Cruz. "Ele era o capitão. E quando o campeonato nacional começou, me deu a braçadeira", diz Estevam.

O ex-zagueiro não teve problemas com Leão. Pelo contrário, é amigo até os dias de hoje. Mas encarou dureza. Enquanto a CBF não definia o regulamento do Campeonato Brasileiro de 87, o elenco treinava em regime integral. Eram dois expedientes de treinos pesados: de 8h às 11h e das 15h às 18h.

Para Estevam, o ex-treinador rubro-negro foi, sem dúvida, uma peça muito importante para o título nacional. "Ele foi um exemplo para todos nós. Um cara profissional, exigente. Não lembro de uma pré-temporada como aquela. Mas isso foi decisivo. Porque nosso time voava fisicamente" Na véspera da partida decisiva do Módulo Amarelo, Estevam lembra que o time fez um treino de pênalti muito ruins. E Leão pediu para mudar a forma de bater. "Ele disse para todos baterem com força. Foi o que fiz. E deu certo", disse.

O ex-zagueiro não entra nessa polêmica de quem é o campeonato brasileiro de 1987. Ele crava que foi o Sport, sem pestanejar. Motivos não faltam. Foi titular da equipe daquele ano e, durante todas batalhas judiciais acontecidas durante esses anos, só deu Leão. "O chato é ouvir do Zico: "Quem era o Sport? Escala o time do Sport de 87". Uma pena que um ídolo como ele fale isso. Digo sempre, se o futebol no Brasil fosse sério, Flamengo e Inter-RS teriam ficado fora das competições durante dois ou três anos. Porque foi um regulamento acordado e eles se negaram a jogar", criticou.

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