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Sociedades médicas condenam tratamento de modulação hormonal

04 / fev
Publicado por Luana Ponsoni às 16:40

A reposição hormonal só deve ser realizada nos casos de eficiência específica comprovada e que tenha benefícios cientificamente observados

Corpo em dia, em forma e em pouco tempo. Parece até mágica, mas essa é uma das principais promessas do tratamento conhecido como modulação hormonal. Em tese, a proposta é otimizar os níveis de hormônios, fazendo o organismo funcionar na sua máxima potência. A prática, porém, não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina por meio da resolução nº 1999/2012. Consequentemente, também não encontra amparo na Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e na Sociedade Brasileira de Urologia.

“Tecnicamente, funciona com a ingestão de hormônios bioidênticos (iguais aos produzidos pelo corpo) mais aminoácidos, vitaminas e oxidantes que induzem o corpo ao seu pleno funcionamento na fase de juventude. A receita das dosagens é feitas após uma bateria detalhada de exames para análise dos exames do paciente. Resultados próximos aos extremos, ainda que normais, são considerados estágios pré-doença e devem assim ser “modulados”. E isso apresenta riscos a longo prazo, desconhecidos por falta de comprovação dos seus efeitos ou os conhecidos por superdosagens de testosterona e outros”, alertou o urologista e presidente da SBU Seccional Pernambuco Roberto Lucena.

De acordo com a resolução do Conselho Federal de Medicina sobre a modulação hormonal,  a reposição de hormônios e de outros elemento essenciais só deve ser  feita em caso de deficiência específica comprovada e que tenha benefícios cientificamente observados.

“Todo o uso desse tipo de tratamento é condicionado a algumas doenças e só pode ser indicado por médicos. O uso de hormônios esteroides anabolizantes e testosteronas pode ter efeitos colaterais perigosos, especialmente se empregados para estética e ganho de força muscular”, comenta Lucena. “Listo aqui os principais: aumento do LDL (mau colesterol), baixa do HDL; hipertensão arterial crônica; infarto do miocárdio; aumento do risco de cânceres de fígado, testículos, ovários; agressividade; insônia; reações alérgicas; diminuição considerável na produção de espermatozoides; impotência; ginecomastia; aumento no risco de tromboembolismo pulmonar e cerebral; aumento do risco de aterosclerose pela maior quantidade de citosinas no corpo; risco de vaso espasmos arteriais”, finaliza.

Aspectos que devem ser observados sobre a modulação hormonal

-É um ato médico e somente pode ser feita por profissionais médicos.

-O diagnóstico da deficiência de testosterona no homem deve ser baseado na presença de queixas clínicas associadas a níveis reduzidos do hormônio. A dosagem deve ser feita pela manhã e, preferencialmente, em duas ocasiões.

– O objetivo da terapia de reposição de testosterona é a obtenção de níveis fisiológicos do hormônio e a melhora dos sinais e sintomas associados à sua deficiência. Para a segurança do tratamento, exige-se um adequado monitoramento da terapia de reposição.

-A reposição de testosterona para níveis suprafisiológicos, isto é, acima do nível terapêutico, com objetivo de melhora de rendimento esportivo e/ou aumento de massa muscular, está associada a diversos efeitos colaterais, os quais podem ser irreversíveis, colocando em risco a vida do paciente e gerando complicações.

CONFIRA NOTA OFICIAL 

 


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