Conjuntura

Paulo Guedes diz que "Brasil vai sair primeiro dessa confusão", em referência à crise do coronavírus

Ministro disse que o tempo saúde não é o mesmo da economia, mas ponderou sobre a necessidade de haver um equilíbrio entre os dois

Adriana Guarda
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Publicado em 28/03/2020 às 20:13 | Atualizado em 28/03/2020 às 22:14
Foto: Sérgio Lima/ AFP
O ministro da Economia, Paulo Guedes (foto), e o secretário especial de Desburocratização e Gestão do Ministério da Economia, Paulo Uebel, responsável pela coordenação da elaboração da proposta de reforma administrativa, são ex-membros do instituto que fez o estudo - FOTO: Foto: Sérgio Lima/ AFP
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi entrevistado ao vivo na noite deste sábado (28) na live da XP Investimentos sobre medidas econômicas do governo contra o coronavírus. Na conversa acompanhada por mais de 45 mil pessoas, sobretudo empresários, ele falou sobre sua aposta de saída rápida do Brasil após o choque da covid-19, da operacionalização das medidas propostas pelo governo a partir dessa semana e do apoio de empresas no combate à epidemia. Questionado sobre o tempo da quarentena, Guedes não se arriscou a dizer qual seria o tempo adequado para o isolamento social, mas destacou que o tempo da economia é diferente do tempo da saúde. 

"Eu não me arrisco em assuntos de saúde, porque não é minha especialidade. Também afirmo que, nesse momento, não existe um entendimento entre os ministérios da Saúde e da Economia sobre qual seria o tempo adequado. O que sabemos é que na saúde a expectativa é de que a onda atual do coronavírus dure três meses. O tempo que a saúde exige não é ideal para a economia, que poderá entrar em colapso. Dependendo como os casos vão evoluir, talvez tenhamos que ir reduzindo o isolamento social antes do que a saúde espera", ponderou Guedes. Pesquisa realizada pela XP Investimentos com 700 empresas no País, apontou que 60% das companhia não conseguem se manter paradas entre 30 ou 60 dias. 

O ministro sugeriu que uma das medidas para liberar as pessoas a voltar ao trabalho e às ruas é aumentar a testagem entre a população. Ele disse que em reunião com empresas como a Vale e a Ambev e elas já vão contribuir. "O aumento da taxa de detecção ajuda a impedir o contágio. A Vale adquiriu milhões de testes, testou seus funcionários e vai doar o restante ao Poder Público. A mesma coisa fez a Ambev, comprou um milhão e vai usar cerca de 70 mil para testar seus funcionários e familiares dos colaboradores e depois doar o restante", revela. Durante a live, várias empresas demonstraram interesse em colaborar.  

A expectativa é de que na segunda semana de abril a situação já esteja organizada as medidas comecem a funcionar. "Se isso não acontecer teremos falhado, porque no final deste mês todo mundo deve receber salário, mas depois se a situação se estender vai complicar", admitiu Guedes, dizendo que é um desafio gigante e complexo despejar o equivalente a 4,8% do PIB na economia em um curto período de três ou quatro semanas.

"Acredito que o País será o primeiro a sair dessa confusão, porque o Brasil já estava decolando. Não tenho dúvida de que vamos sair disso juntos. Já tivemos a primeira onda da doença e agora estamos entrando na segunda onda, mas não podemos deixar ela crescer. As organizações produtivas precisam continuar funcionando para não deixar as prateleiras vazias e continuamos acompanhamos. O que eu peço aos empresários e às pessoas é que tenham um pouco de calma. Empresário não demita seus funcionários, espere porque dentro de dois a três dias as coisas vão acontecer, as medidas anunciada serão operacionalizadas. O mesmo pedido eu faço ao taxista, ao informal, que se perguntam: cadê os meus R$ 600? Isso também vai acontecer até a próxima semana", garante. 

PLEITOS

Paulo Guedes diz que o ministério recebeu 720 pleito de empresas e trabalhadores, isso foi selecionado para 80 solicitações e as respostas foram distribuídas em quatro categorias: trabalhista, tributária, crédito e legislação. Sobre as medidas tributária ele lembrou que já foi postergado o recolhimento do FGTS, com possibilidade de parcelamento em seis vezes a partir de julho deste ano. Lembrou que foram eliminados alguns encargos trabalhistas, mas que não se pode sair postergando todos os impostos. "Fazer isso é estimular a desobediência civil e todo mundo achar que não precisa pagar. E isso não pode", defende.

O ministro também defende que quando a situação mais crítica passar é preciso acelerar a volta doa dinamismo econômico, tocando as reformas, destravando as privatizações e as concessões e retomando as obras de infraestrutura, que ajudam a gerar empregos. "Juntos somos mais fortes. Vamos todos contribuir para sairmos logo dessa crise", convocou. 

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O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada

 

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