pedido de desculpas

Ministro da Saúde vai pedir desculpas após ter dito que "meios de comunicação são sórdidos" na cobertura da crise do coronavírus

Fala gerou reações em vários setores da imprensa. Ministro disse que falou em momento de estresse e tensão

Elton Ponce
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Elton Ponce
Publicado em 30/03/2020 às 10:11 | Atualizado em 30/03/2020 às 10:51
REPRODUÇÃO/TV BRASIL
Questionado sobre o descumprimento do isolamento social de algumas pessoas, o Ministro da Saúde afirmou que a única coisa que pode fazer é recomendar a não aglomeração - FOTO: REPRODUÇÃO/TV BRASIL

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, vai pedir desculpas por sua fala durante entrevista coletiva no último sábado (28). Mandetta fez crítica à imprensa, mandou a população desligar a televisão, disse que "os meios de comunicação são sórdidos" e que focam nas notícias ruins para vender jornal na crise do novo coronavírus. A informação do pedido de desculpas foi veiculada pela colunista da Rádio Jornal Eliante Cantanhêde, durante participação no programa Passando a Limpo. Segundo Eliane, Mandetta disse que sua fala ocorreu num momento de estresse e tensão.

"Desliguem um pouco a televisão. Às vezes ela é tóxica demais. Há quantidade de informações e, às vezes, os meios de comunicação são sórdidos porque eles só vendem se a matéria for ruim. Nunca vai ter que as pessoas estão sorrindo na rua. Senão, ninguém compra o jornal", afirmou. "Todo mundo tem que se preparar, inclusive a imprensa. Se não for assim, vai trazer mais estresse à população", disse o ministro em coletiva.

A fala gerou indignação em vários setores da imprensa. O presidente da Associação Nacional dos Jornais, Marcelo Rech, emitiu nota criticando a posição de Mandetta. "Como presidente da ANJ, venho lamentar a injusta e equivocada referência aos jornais brasileiros expressa na sua entrevista deste sábado. Jornais, como médicos, não são imunes a erros. Mas, assim como os médicos, não vivemos de equívocos nem de notícias ruins, como vossa excelência mencionou em sua fala, que desconsiderou a dedicação de toda a imprensa em levar orientações e informações corretas, combatendo as desinformações, muitas vezes em cooperação estreita com o Ministério da Saúde", afirmou Marcelo Rech.

Em editorial, o Grupo Globo também fez fortes críticas ao ministro. No Jornal Nacional do último sábado (28), a jornalista Ana Paula Araújo leu o posicionamento da TV Globo. "O ministro da Saúde encontrou uma outra maneira de agradar o presidente: criticou o trabalho da imprensa, afirmando que os meios de comunicação são sórdidos, porque, na visão dele, só vendem se a matéria for ruim. Na pandemia de um vírus letal, contra o qual não há medicamento ou vacina, é estarrecedor que ele não reconheça que o nosso trabalho, o trabalho de todos os colegas jornalistas — daqui da Globo, mas também de todos os veículos — é um remédio poderoso: dar informação para que o povo possa se proteger. Há muitos trabalhos essenciais — o dos médicos, enfermeiros em primeiro lugar. Mas nós, jornalistas, estamos nas redações e nas ruas arriscando nossa saúde para cumprir nossa missão. E fazemos isso com orgulho", dizia o texto.

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