'ESCAFANDRO'

Pesquisadores da USP desenvolvem 'capacete-respirador' para tratamento de pacientes com coronavírus

O equipamento dispensa a intubação dos pacientes internados

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 13/05/2020 às 21:03
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DIVULGAÇÃO/USP
O capacete-respirador é composto por uma cúpula redonda de acrílico, por uma membrana de látex que se ajusta ao pescoço do paciente, uma almofada inflável sobre os ombros e filtros e válvulas de acesso - FOTO: DIVULGAÇÃO/USP
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com informações do jornal da USP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo 'capacetes-respiradores' para auxiliar no tratamento de pacientes infectados com o novo coronavírus. O capacete é adaptado ao respirador artificial e dispensa o a intubação em pacientes internados nas unidades de terapia intensiva (UTI). O protótipo está na fase final de desenvolvimento e deverá ser concluído ainda no mês de maio. O custo não foi estimado pelos pesquisadores, mas segundo informações veiculadas por representantes das indústrias parceiras, o capacete-respirador deverá custar menos de R$ 400

"Trata-se de uma opção menos invasiva, já que em muitos casos pode ser uma alternativa para evitar a necessidade de utilização do tubo endotraqueal introduzido no paciente", comentou o professor Raul Gonzales Lima, coordenador da iniciativa. A equipe é formada por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli), Faculdade de Medicina (FM) e da Faculdade de Odontologia (FO) da USP.

O protótipo do equipamento está na terceira versão. "A cada protótipo vamos aperfeiçoando e melhorando as funções. Desta vez estamos trabalhando para reduzir a complacência no equipamento, que resulta da movimentação do capacete de acordo com a entrada e saída do ar. Denominamos 'complacência' o espaço morto instrumental que acaba armazenando o CO2 que é retirado dos pulmões. Se isso ocorrer, parte desse CO2 acaba retornando ao órgão, o que é prejudicial ao paciente que utiliza o respirador. Por isso é importante utilizar materiais mais rígidos para que o volume do capacete varie pouco", explicou.

O capacete foi chamado de escafandro porque se parece com a vestimenta usada por mergulhadores. Ele é composto por uma cúpula redonda de acrílico, por uma membrana de látex que se ajusta ao pescoço do paciente, uma almofada inflável sobre os ombros e filtros e válvulas de acesso.

O capacete possui dois tubos que são ligados ao respirador artificial que funcionam como entrada e saída de ar. "Outra vantagem do equipamento é que ele impede a contaminação no ambiente de uma UTI, já que o ar é filtrado. Assim, possíveis partículas da covid-19 não serão dispersadas no ambiente hospitalar, e isso resultará em mais segurança aos que atuam diretamente com esses pacientes", disse o coordenador da iniciativa. "Além disso, como a estrutura permite a higienização poderá ser reutilizada para outros pacientes depois de descontaminada, reduzindo custos e descartes", completou.

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