GESTÃO

No dia em que Ministério da Saúde completa 2 meses sem titular, Bolsonaro tece elogios a Pazuello

O presidente da República se posicionou nas redes sociais

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Publicado em 15/07/2020 às 14:57 | Atualizado em 15/07/2020 às 14:57
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Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello - FOTO: JOSÉ DIAS/ALAN SANTOS/PR

Nesta quarta-feira (15), dia em que o Ministério da Saúde completa dois meses sem chefe titular, após a saída de Nelson Teich, que permaneceu menos de um mês no cargo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teceu elogios ao ministro interino da pasta, general Eduardo Pazuello, pelas redes sociais. Bolsonaro iniciou a publicação afirmando que "todos nós queremos o melhor para o Brasil", e em seguida compartilhou um breve histórico de Pazuello.

Segundo o presidente da República, "quis o destino que o general Pazuello assumisse a interinidade da Saúde em maio último. Com 5.500 servidores ministério, o general levou consigo apenas 15 militares para a pasta". O general do Exército, que era secretário-executivo na gestão de Teich, comanda a pasta desde o dia 15 de maio e só teve a nomeação oficializada no Diário Oficial da União no dia 3 de junho.

No final do texto, Bolsonaro afirma que Pazuello "é um predestinado, nos momentos difíceis sempre está no lugar certo para melhor servir a sua Pátria", e completou, dizendo que o Exército brasileiro "se orgulha desse nobre soldado".

Gestão interina

Quando decidiu que Pazuello seria ministro interino, Bolsonaro argumentou que o militar ajustaria gestão e logística da Saúde. Apesar do salto de casos (de 218 mil para mais de 1,9 milhão) e mortos (de 14,8 mil para mais de 74 mil) no período de comando do general, Bolsonaro manteve os elogios. "Estamos com uma falta na Saúde, mas se bem que o Pazuello está indo muito bem. A parte de gestão está excepcional. Coisa nunca vista na história. Sabemos que ele não é médico, mas ele está com uma equipe fantástica no ministério", disse no dia 25 de junho, em transmissão nas redes sociais.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) criticou a gestão de militares na pasta. Ele afirmou que a equipe de Pazuello é especialistas em "balística" em vez de "logística". "Eu só vejo é acúmulo de óbitos nessa política que está sendo feita", disse Mandetta no último dia 11. Mandetta ainda afirmou que a Saúde perdeu a credibilidade após o governo federal tentar alterar a forma de divulgação de dados sobre a doença. "Você ter segredos é o caminho mais rápido para a tragédia. Primeira coisas que (os militares) fizeram foi não mais mostrar os dados às cinco da tarde. O Ministério da Saúde perdeu a credibilidade", disse.

Também marca a gestão de Pazuello a mudança de orientação da Saúde sobre uso da cloroquina. Dias após assumir o comando interino, a Saúde publicou recomendações para administrar a droga desde os primeiros sintomas da covid-19, mesmo sem eficácia comprovada do tratamento contra a doença. A medida era uma exigência de Bolsonaro e atropelou recomendações dos próprios técnicos do ministério e de entidades de saúde.

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