
Diante do aumento da destruição da Amazônia, que apresenta altas sucessivas nos alertas de desmatamento desde maio do ano passado, um grupo de 62 organizações da sociedade civil elaborou uma lista de cinco medidas emergenciais para tentar conter o problema.
Números até o dia 23 de julho já apontavam que desde agosto do ano passado, a perda da floresta já tinha superado em 28% os alertas feitos nos 12 meses anteriores (entre agosto de 2018 e julho de 2019) - 8.758 km², ante 6.844 km².
Veja a seguir as propostas detalhadas:
Proibição de qualquer desmatamento na Amazônia por no mínimo 5 (cinco) anos, com exceções para ações de subsistência e de populações tradicionais, agricultura familiar, planos de manejo, obras de utilidade pública e de segurança nacional.
2. Endurecimento das penas a crimes ambientais e desmatamento
- Aumento de penas para o desmatamento ilegal, mandantes e financiadores de crimes ambientais, fundiários e invasão e comercialização ilegal de terras públicas.
- Criação de força-tarefa para repressão a crimes fundiários, em especial grilagem de terras e invasão de terras públicas.
- Criação de força-tarefa para a expulsão de invasores e o cessar de todas as atividades ilegais em territórios de povos e comunidades tradicionais, principalmente terras indígenas e arredores, como grilagem, desmatamento, roubo de madeira, garimpo, pecuária e mineração ilegal.
- Congelamento imediato de bens dos cem maiores desmatadores ilegais do país.
- Extremo rigor na aplicação da Lei de Crimes Ambientais (Lei no 9.605/1998 e Decreto no 6.514/2008), incluindo a realização de embargos e a destruição dos equipamentos utilizados para a prática de crimes ambientais.
3. Retomada imediata do PPCDAm - Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal
Retomada imediata das medidas e ações governamentais previstas nos quatro eixos do PPCDAm (Ordenamento Fundiário e Territorial; Monitoramento e Controle; Fomento às Atividades Produtivas Sustentáveis; Instrumentos Econômicos e Normativos), incluindo garantia de recursos e a publicação de cronogramas, prazos e plano de implementação, com prestação de contas transparente e participação social.
- Homologação imediata das terras indígenas já demarcadas.
- Demarcação imediata das áreas indígenas com processos em trâmite no Governo Federal.
- Proteção de todas as terras indígenas, independente de seu estágio de regularização, com atenção especial as terras ocupadas por povos em isolamento voluntário ou de recente contato.
- Implementação e consolidação efetiva das unidades de conservação já criadas.
- Criação de 10 milhões de hectares de unidades de conservação, considerando o mapeamento das áreas prioritárias, sítios de gestão integrada e novas áreas estratégicas para a conservação da biodiversidade e combate ao desmatamento.
- Titulação dos territórios quilombolas. Reconhecimento e regularização dos territórios quilombolas requisitados.
- Restituição das competências e condições institucionais do Ibama e ICMBio para que retomem o seu protagonismo no combate ao desmatamento e crimes ambientais.
- Realização com urgência de concurso para analistas ambientais do Ibama e ICMBio, destinados prioritariamente à fiscalização ambiental.
- Substituição dos gestores das três autarquias que não são técnicos da área por pessoal especializado.
- Restituição das responsabilidades institucionais da Funai, voltadas à proteção e promoção dos direitos indígenas, principalmente relacionadas com a demarcação e proteção das terras indígenas.