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Mais de 900 cidades no Brasil já solicitaram vacina da covid-19 ao Instituto Butantan, incluindo município de Pernambuco

Em Pernambuco, município de Carnaíba oficializou o pedido nesta sexta-feira

Danielle Santana
Danielle Santana
Publicado em 11/12/2020 às 12:02
ADRIANA TOFFETTI/ESTADÃO CONTEÚDO
CORONAVAC - FOTO: ADRIANA TOFFETTI/ESTADÃO CONTEÚDO
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O Instituto Butantan informou que, até o momento, 913 cidades brasileiras já manifestaram o interesse de adquirir a Coronavac, vacina desenvolvida pela Sinovac em parceria com o Instituto, em São Paulo. Nesta sexta-feira (11), o município de Carnaíba, localizado no Sertão do Estado de Pernambuco, formalizou seu pedido por meio de um ofício enviado ao diretor geral do Butantan, Dimas Covas. No Estado, a Associação Municipalista (AMUPE), está elaborando uma lista com os municípios interessados em adquirir a vacina.

O prefeito de Carnaíba, Anchieta Patriota, afirmou que a aquisição será realizada com recursos do município, ou através de parceiras com a AMUPE ou com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Segundo Patriota, a manifestação de interesse será efetivada de acordo processo de aquisição estabelecido pela lei. No Brasil, a venda de vacinas só pode ser realizada após o registro no Ministério da Saúde. 

Ontem, o presidente da Amupe, José Patriota, alegou que "falta uma orientação sobre a vacina do coronavírus". "A questão da vacina deveria ser a prioridade de todos. Não só pelo crescimento do número de casos, mas também porque aumenta os custos com internações. E a perda de vidas é incalculável. O ideal era fazer a transição com a vacina para todos", comentou José Patriota.

De acordo com o Butantan, 12 estados brasileiros já manifestaram interesse em comprar a vacina do instituto. São eles: Acre, Pará, Maranhão, Roraima, Piauí, Mato Grosso Sul, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Sul, além de São Paulo. Até janeiro serão disponibilizadas 46 milhões de doses. Quatro milhões delas serão oferecidas a outros estados e municípios brasileiros. 

Recentemente, o Governo do Estado de São Paulo firmou acordo com a Federação Catarinense de Municípios (FECAM) para fornecimento de doses da Coronavac. O protocolo de intenções assinado nesta quinta-feira (10) ainda não definiu o valor das doses que poderão ser adquiridas pelos municípios de Santa Catarina.

“O Butantan está há 120 anos se dedicando no combate de doenças e pandemias e mais uma vez estamos oferecendo uma vacina, a primeira em solo nacional. Estou imensamente grato pelo apoio dos prefeitos que estão aqui hoje e reafirmo que o Butantan está inteiramente à disposição dos municípios”, afirmou Dimas Covas.

Aprovação

O resultado da fase 3, responsável por divulgar o índice de eficácia do imunizante, deve ser disponibilizado até a próxima terça-feira, dia 15 de dezembro. Durante as fase 1 e 2, os estudos clínicos demonstraram que 94,7% dos voluntários não tiveram evento adverso. Dos que apresentaram alguma reação, 99,7% relataram sintomas de baixa gravidade, como dor no local da injeção e dor de cabeça leve. Um artigo publicado na revista científica The Lancet apontou que a vacina do Butantan produziu resposta imune em 97% dos participantes dos estudos.

A disponibilização do imunizante para a população ocorrerá somente após a comprovação da eficácia, que deverá acontecer após a conclusão da terceira fase dos estudos clínicos e posterior aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ontem, a Anvisa autorizou temporariamente o uso emergencial, em caráter experimental, de vacinas contra a covid-19. A liberação foi decidida em uma reunião extraordinária realizada pela diretoria da agência na manhã desta quinta-feira (10). Agora, as empresas estão liberadas para realizar o pedido em caráter emergencial. A Anvisa estabeleceu que a “dispensa de análise de impacto regulatório e de consulta pública” poderá ser feita devido ao “alto grau de urgência e gravidade”.

São Paulo

Em São Paulo, o governador João Doria (PSBD), anunciou na última segunda-feira (7), o plano de vacinação do Estado contra a covid-19, ele mostra como funcionará a vacinação em São Paulo, caso a CoronaVac, vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac, seja aprovada nos testes de eficácia.

A vacina deverá ser administrada em duas doses e aplicada gratuitamente no estado, de acordo com João Doria (PSDB). Na primeira fase, serão vacinados profissionais da área da saúde, indígenas, quilombolas e idosos acima de 60 anos.

Exportação

O Instituto também negocia a possibilidade de exportação da vacina. Durante uma entrevista coletiva concedida na quinta-feira (10), o diretor geral do Butantan, Dimas Covas, afirmou as negociações estão em andamento na América Latina. Além das 100 milhões de doses oferecidas ao Ministério da Saúde, outras 40 milhões estão sendo oferecidas a América Latina. 

Recentemente, um protocolo de intenções de fornecimento de 10 milhões de doses para a Argentina foi tratado pelo diretor. Apesar do contrato ainda não ter sido assinado, o Instituto está negociando para que o fornecimento aconteça a partir de janeiro de 2021.

"Temos pleito semelhante do Peru, Uruguai, Honduras, Paraguai e da Organização Pan-Americana da Saúde, que abriu concorrência e solicitou propostas com preço definido. Estamos preparando documentação para oferecer. Temos essa possibilidade muito próxima de acontecer", afirmou Covas.

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