SAÚDE

"O sofrimento é muito grande, a sensação de falta de ar é uma das piores que existe", diz pneumologista sobre falta de oxigênio em hospitais

Nas últimas horas, ao menos 24 pacientes morreram por falta de oxigênio no Amazonas e no Pará

JC
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Publicado em 20/01/2021 às 15:20
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MARCELO SEABRA/AGÊNCIA PARÁ
Estudo apontou que o medicamento pode reduzir a mortalidade de pacientes que precisam de oxigenação simples ou ventilação mecânica invasiva - FOTO: MARCELO SEABRA/AGÊNCIA PARÁ
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Os recentes relatos de falta de oxigênio em alguns municípios brasileiros vem chocando a população do País. A escassez do insumo, considerado essencial no combate a covid-19, doença que ainda não possui tratamento preventivo comprovado pela ciência, pode aumentar o já elevado número de óbitos causados pela doença no Brasil. Em entrevista a Rádio Jornal, o pneumologista Murilo Guimarães destaca a importância do oxigênio para pacientes acometidos pela doença. 

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De acordo com Murilo, a demanda por oxigênio que um paciente internado com covid-19 pode ter é variável. "A duração de um cilindro depende da necessidade do paciente, podemos precisar de 15 litros por minuto num paciente que esteja numa grave situação respiratória. Também tem gente que basta 1 litro por minuto. Mas um cilindro pode acabar pra um paciente em 3 ou 4 horas", explica.

A possibilidade de variação na demanda e o aumento no consumo do oxigênio durante a pandemia deveriam estimular os governos, em todas as esferas, a manterem uma politica de estoque e estímulo de produção do insumo. "Temos que agir precocemente, todos os governos se valerem dessa péssima experiência do amazonas e se anteciparem ao problema, se prepararem para ter o estoque adequado. O caminho é a prevenção", afirmou o pneumologista. 

O médico comenta que, durante os seus anos de profissão, nunca precisou enfrentar a falta do oxigênio. "Não me recordo de ter havido falta de oxigênio ao longo da minha vida. É um absurdo porque isso tudo era possível prever que um dia ia acontecer. A fabricação de oxigênio é uma coisa relativamente simples, nós temos oxigênio no ar e as fábricas tem essa fonte inesgotável, não compreendo como isso pode ter acontecido".

Guimarães avalia que, com o passar do tempo, a população pode ter relaxado na prevenção da doença. "Quem tem problemas, quando tem, o sofrimento é muito grande, porque a sensação de falta de ar é uma das piores que existe", observa. O médico destaca que, apesar do foco nos problemas respiratórios que podem ser causados pela doença, ela é capaz de afetar todos os órgãos do corpo, aumentando o sofrimento dos infectados. 

Algumas vezes, não é possível reverter o quadro, mesmo com oxigênio disponível. "Infelizmente, mesmo usando de recursos de uma ventilação invasiva, entubar e colocar no respirador e usando 100% de oxigênio, você não consegue vencer. Porque o pulmão tá tão inflamando que o oxigênio não chega no sangue". Nesses casos, alguns médicos recomendam o uso de morfina, na tentativa de aliviar o sofrimento do doente. "Além de fazer a pessoa dormir, de alguma forma você reduz o metabolismo orgânico. A morfina é para diminuir o sofrimento da pessoa e ao mesmo tempo reduzir um pouco a necessidade metabólica". 

O médico avalia que, nesses casos, o comprometimento do corpo é tão grande, que os doentes costumam não resistir. "Lembrando que a função do oxigênio no nosso corpo é de permitir que se forme energia em tudo que a gente faz. Ficar sem oxigênio é como querer que uma grande fábrica funcione sem os motores e sem energia", finalizou.

Confira a entrevista completa:

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