VIOLÊNCIA

Suspeito de assassinar gamer Sol enviou email para blogueira feminista contando detalhes do crime

No texto, além de anexar imagens do corpo da vítima, Guilherme comentou a decisão de cometer o crime

JC
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Publicado em 26/02/2021 às 18:14
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A gamer Ingrid "Sol" Bueno, de 19 anos, foi morta a facadas na última segunda-feira (22) no município de Pirituba, em São Paulo - FOTO: REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS
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A professora da Universidade Federal do Ceará e blogueira Lola Aronovich, informou ter recebido um e-mail de Guilherme Alves Costa, de 18 anos, suspeito de ter assassinado a gamer Ingrid "Sol" Bueno. No texto, Guilherme comentou sobre a decisão de cometer o crime. Fotos e vídeos do corpo da vítima também foram anexados ao email.

Um livro de 52 páginas escrito pelo jovem também foi enviado na mensagem eletrônica. Em entrevista ao UOL Esporte, a professora afirmou ter observado uma misoginia explícita, rancor em relação ao pai e raiva da dependência da mãe na mensagem. 

"Recebi o email na noite de segunda-feira, mas, como já havia desligado o computador, só li no dia seguinte. Não sei dizer se foi ele quem enviou ou se ele deixou pronto para que alguém enviasse. Não dei muita bola porque não é nada muito diferente das mensagens que eu costumo receber. Além disso, ele não foi claro, não explicava o que havia acontecido. Junto à mensagem, deixou quatro links, que, primeiramente, decidi não abrir. No fim do dia, começaram as primeiras notícias sobre o assassinato de Ingrid. Então, relacionei o email ao ocorrido", relatou a professora.

Ao analisar o livro, Lola observou que, apesar de demostrar ódio pelas mulheres, o garoto também destacou o ódio pela humanidade. "Quando ele diz que se sente superior à metade da população, imagino que se refira às mulheres. Ele fica muito incomodado por depender financeiramente da mãe, ao mesmo tempo, diz que é obrigação dela sustentá-lo. É um discurso contraditório. Guilherme diz, no livro, que, se pudesse criar leis, criaria uma que puniria com prisão perpétua ou pena de morte quem abandonasse os filhos. Ele sente muito por não ter conhecido o pai biológico", afirma a professora.

A professora, que estuda sobre misoginia, observa a existência de um padrão entre os channers, membros de fóruns anônimos que espalham ódio pela internet. De acordo com ela, todos eles também são gamers. "Não vou dizer que todos os gamers são misóginos porque não acredito nisso, mas sei que o ambiente de jogos online é muito tóxico com as mulheres. Muitas jogadoras relatam que criam avatares masculinos para evitar que sejam ameaçadas de estupro, xingadas e assediadas. Isso é muito comum", afirmou.

Relembre o caso

A gamer Ingrid "Sol" Bueno, de 19 anos, foi morta a facadas na última segunda-feira (22) no município de Pirituba, em São Paulo. A vítima foi encontrada sem vida na casa do principal suspeito de cometer o crime, um estudante de 18 anos. Os dois teriam se conhecido na internet.

A jovem jogava profissionalmente Call of Duty: Mobile na equipe FBI E-Sports. Já o suspeito também joga profissionalmente, mas pelo time Gamers Elite. Segundo a Gamers Elite, o suspeito enviou um vídeo da jovem morte no grupo e que os responsáveis informaram "às devidas autoridades".

De acordo com informações colhidas pelo G1, a vítima foi encontrada na casa do suspeito com diversas facadas. Após cometer o crime, o estudante fugiu, e informou que iria se suicidar. No entanto, o irmão do suspeito conseguiu impedir. A mãe do suspeito informou que não conhecia a garota. Ao se entregar à polícia, ele confessou o assassinato e disse que escreveu um livro com os objetivos do crime.

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