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Onze homens em situação análoga à escravidão são resgatados em Fortaleza

As vítimas moravam em meio à sujeira em um galpão no bairro Itaperi, na Capital cearense, em jornadas de trabalho sem descanso e sem cuidados de proteção contra a covid-19

Do jornal O Povo para a Rede Nordeste
Do jornal O Povo para a Rede Nordeste
Publicado em 22/07/2021 às 20:13
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PF e MPT realizam fiscalização de denúncias de trabalho análogo à escravidão no bairro Itaperi, Fortaleza - FOTO: REPRODUÇÃO/WHATSAPP
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Por Levi Aguiar

Auditores-fiscais do trabalho resgataram 11 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Fortaleza, capital do Ceará. Após denúncia anônima, os homens foram encontrados em um galpão no bairro Itaperi na última terça-feira (20). A operação começou no dia 6 de julho e constatou que os homens eram oriundos do Rio Grande do Norte e de três cidades da Paraíba: Catolé do Rocha, São Bento e Brejo Cruz. A matéria é do jornal O Povo para a Rede Nordeste.

Segundo as investigações, os trabalhadores atuavam na Capital cearense e na Região Metropolitana em vendas de redes, produtos eletrônicos e artigos de cama, mesa e banho. Esta comercialização e a contratação dos homens ocorriam na informalidade, sem registro na carteira de trabalho e sem recebimento de salário pelo trabalho exercido. O nome da empresa e do dono ainda não podem ser revelados devido ao julgamento em processo.

“O mais grave é que além das multas e interdições, o empregador deve responder criminalmente”, revelou Klenio Lima, um dos auditores-fiscais que atuaram no resgate. Além de longas jornadas de trabalho sem descanso semanal, os trabalhadores eram submetidos a endividamento contínuo. “Eles não tinham noção do que o atingiam, muitos eram gratos por ter um teto para morar”, acrescenta o auditor.

“Os homens moravam em uma garagem, que deveria servir apenas para alocar carros. Viviam em meio à sujeira. Sobretudo, eles também não foram informados sobre os cuidados da Covid-19 e sequer usavam máscaras”, explicou Klenio. Devido aos riscos, o galpão foi interditado; no processo, foi constatado risco de choque elétrico em razão de instalações incorretas.

Klenio revelou que o empregador era do interior da Paraíba, por isso conseguiu recrutar alguns dos homens e transportá-los a Fortaleza. Outros foram escalados no “boca a boca”, em busca de oportunidades de emprego. Depois da operação, os 11 receberam cerca de R$ 42 mil em salários atrasados e verbas rescisórias. O valor foi calculado com base no tempo de serviço prestado, conforme a Superintendência Regional do Trabalho.

Guias de Seguro-Desemprego Especial do Trabalhador Resgatado também foram emitidas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho. Com elas, as vítimas poderão receber três parcelas de um salário mínimo (R$ 1.100 cada). Após o pagamento, os homens poderão retornar aos seus municípios de origem e deverão ser encaminhados a órgãos de assistência social.

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