HISTÓRIA

O que foi a Proclamação da República? Entenda por que 15 de novembro é feriado nacional

Levante político-militar deu inicio à República Federativa Presidencialista no dia 15 de novembro de 1889

Agência Brasil Katarina Moraes
Agência Brasil
Katarina Moraes
Publicado em 14/11/2021 às 8:39
BENEDITO CALIXTO
"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela - FOTO: BENEDITO CALIXTO
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Há exatos 132 anos, começava um novo capítulo no Brasil. Comemora-se nesta segunda-feira a Proclamação da República, o levante político-militar que deu início à República Federativa Presidencialista no dia 15 de novembro de 1889, acabando com a monarquia no País.

Até então, o Brasil era o único país independente das Américas que ainda era governado por um imperador. Mas após a Guerra do Paraguai, em um país em crise econômica, os militares passaram a exigir mais reconhecimento do governo. O O sistema de governo da Monarquia passou a ser considerado atrasado.

O Império ficou ainda mais em crise após a abolição da escravidão com a Lei Áurea, em 1888. Isso porque por um lado acreditava-se que os antigos escravizadores aderiram aos ideais republicanos para destituir a família real. Mas o cenário era bem mais amplo. Dom Pedro II estava muito doente e a sucessora seria a princesa Isabel, que era casada com um francês, o conde D'Eu, considerado impopular, figura que também já havia criado conflitos com os militares na ocasião da Guerra do Paraguai.

“A participação do conde D'eu na Guerra do Paraguai é um dos fatores de impopularidade. Ele era arrogante. Dizem que ele promoveu massacres. Não tinha aptidão para administrar”, conta a historiadora Catia Faria.

Arte/Agência Brasil
Hoje é Dia: Proclamação da República/Infografico - Arte/Agência Brasil

Quem também tinha pouco prestígio entre os militares era o visconde de Ouro Preto, chefe do gabinete do Império e conhecido pela intransigência. Ele foi nomeado por Dom Pedro II para fazer as reformas que os republicanos buscavam.

Para alguns historiadores, a primeira república brasileira não foi proclamada, mas sim aclamada pela pouca resistência que encontrou por parte da Monarquia. Uma das imagens que retrata a cena é a tela Proclamação da República, de Benedito Calixto (foto principal da matéria). Quem morava nas intermediações do Campo de Santana e do Palácio Duque de Caxias era um dos comandantes da Guerra do Paraguai, o marechal Deodoro da Fonseca.

Também chamada de golpe de Estado político-militar, a proclamação foi feita na Praça da Aclimação no Rio de Janeiro, a antiga capital do país, por um grupo de cerca de mil militares do exército brasileiro comandado pelo marechal, que assumiu o poder no País.

O marechal instituiu um governo provisório e, posteriormente, se consagrou o primeiro presidente do Brasil. Enquanto isso, o imperador Dom Pedro II foi tirado do poder e saiu do país na madrugada do dia 16 de novembro com destino à Europa.

Depois da expulsão, Dom Pedro II escreveu "Resolvo, cedendo ao Império das circunstâncias, partir com toda a minha família amanhã, deixando esta pátria de nós estremecida. Conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade."

O dia se tornou um feriado nacional em 1949, através da Lei nº 662. 

Confira o Hino da Proclamação da República

A letra foi escrita por Medeiros de Albuquerque, e a música composta por Leopoldo Miguez.

Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

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