Crime ambiental

MPF cobra medidas emergenciais de repressão a garimpo ilegal no Rio Madeira, na Amazônia

Documento pede interrupção imediata das atividades ilícitas; centenas de balsas fazem extração de ouro no Rio Madeira e afluentes, provocando danos ambientais à região

Estadão Conteúdo
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Publicado em 24/11/2021 às 22:36
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BRUNO KELLY / GREENPEACE / AFP
Balsas de garimpo ilegal que seguem enfileiradas pelo Rio Madeira - FOTO: BRUNO KELLY / GREENPEACE / AFP
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O Ministério Público Federal (MPF) fez uma recomendação pedindo a adoção emergencial de ação coordenada de repressão e desarticulação ao garimpo ilegal de ouro na calha do Rio Madeira e afluentes, no município de Autazes, distante 113 quilômetros de Manaus, em atuação integrada de órgãos e autarquias federais e estaduais competentes, no prazo de 30 dias.

No documento, são cobrados a tomar providências na recomendação o Exército Brasileiro, por meio do Comando Militar da Amazônia (CMA); a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas; a Agência Fluvial de Itacoatiara, unidade da Marinha encarregada do rio Madeira, subordinada à Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC); o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), à Presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Superintendência da Agência Nacional da Mineração (ANM) no Amazonas.

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Balsas de garimpo ilegal que seguem enfileiradas pelo Rio Madeira - BRUNO KELLY / GREENPEACE / AFP
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Balsas de garimpo ilegal que seguem enfileiradas pelo Rio Madeira - BRUNO KELLY / GREENPEACE / AFP
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Balsas de garimpo ilegal que seguem enfileiradas pelo Rio Madeira - BRUNO KELLY / GREENPEACE / AFP

Como revelou o Estadão, a Polícia Federal articula ações para conter o avanço de centenas de balsas de garimpo ilegal que seguem enfileiradas pelo Rio Madeira. Outros órgãos federais devem participar da operação, como o Ibama e o Ministério da Defesa.

À reportagem, integrantes do alto escalão do Ministério da Justiça confirmaram que a polícia organiza uma forte operação sobre o caso. Questionada pelo Estadão, a superintendência da PF no Amazonas confirmou que está ciente do fato e que já está tomando medidas a respeito do assunto.

De acordo com o MPF, os órgãos devem, cada um dentro de sua esfera de atribuições, realizar a identificação e autuação administrativa de todos os empreendimentos irregulares em operação ou com sinais de operação em passado recente na calha do rio Madeira ou afluentes, além de adotar medidas para a imediata interrupção das atividades ilícitas, inclusive mediante destruição dos instrumentos do crime, caso necessário.

O MPF acompanha a situação por meio de procedimento extrajudicial, instaurado para apurar a ocorrência de suposta invasão em massa de garimpeiros na região, ocorrida no dia 22 de novembro de 2021, após notícias repercutidas na imprensa regional e nacional, que registrou a chegada de várias dragas e balsas pelo rio Madeira, na região de Autazes, por meio de imagens e vídeos amplamente divulgados", declarou o MPF.

O documento do MPF destaca ainda que cabe a uma série de órgãos prestar apoio logístico e operacional aos órgãos ambientais, a fim de viabilizar a eficiente repressão aos ilícitos, dentre os quais a Polícia Federal, o Comando Militar da Amazônia, a Agência Nacional de Mineração e a Marinha.

"A atuação coordenada entre todos esses atores propiciaria uma resposta rápida e eficiente à atividade ilegal em curso no Município de Autazes/AM, com papel de destaque e de coordenação a ser exercido pelos órgãos ambientais, detentores de especial expertise no enfrentamento a ilícitos ambientais na Amazônia", afirma o MPF na recomendação.

Em agosto deste ano, a Justiça Federal condenou o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) a anular as licenças concedidas irregularmente para as atividades de extração de ouro no leito do rio Madeira, em área de mais de 37 mil hectares, na região sul do Amazonas.

A sentença, que permanece válida, reafirmou uma decisão liminar de dezembro de 2017 nesse mesmo sentido. Com isso, toda a atividade garimpeira antes amparada por essas licenças irregulares deve seguir paralisada. A ação que originou a sentença é do Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública. Atualmente, o processo está em fase de recurso.

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