PALEONTOLOGIA

UFPE faz inventário de fósseis de Exu

Peças coletadas por pesquisadores vão compor acervo de primeiro museu do gênero no Estado

Claudia Parente
Claudia Parente
Publicado em 09/09/2015 às 8:02
Paleolab/ Divulgação
Peças coletadas por pesquisadores vão compor acervo de primeiro museu do gênero no Estado - FOTO: Paleolab/ Divulgação
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O Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal de Pernambuco (Paleolab) está fazendo um inventário dos sítios fossilíferos e fósseis de Exu, no Sertão do Araripe. O Projeto Tesouros do Araripe, do Paleolab, que propõe a criação de uma coleção didática e seleção de peças para compor o acervo do primeiro museu de paleontologia do Estado, naquela cidade, venceu um edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) no valor de R$ 98 mil.

Assim que o projeto foi aprovado, depois de um ano de luta, a equipe do Paleolab, encabeçada pela professora Alcina Barreto, caiu em campo. Em dez dias de trabalho (no fim do mês de agosto) fez, pelo menos, uma coleta significativa no distrito de Zé Gomes. “Encontramos uma tartaruga praticamente inteira, com cabeça, rabo e casco bem preservados”, revela Alcina. 

O fóssil foi trazido à UFPE para estudo. “Não é comum coletar tartarugas. Por isso, precisamos saber se a espécie já é conhecida”, esclarece Márcia Silva, paleontóloga da Universidade Federal de Alagoas que acompanhou a expedição no Araripe. As peças já identificadas e em bom estado foram deixadas em Exu para o futuro museu. “No papel, ele já existe”, diz Alcina Barreto. No mês passado, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, uma indicação sugerindo ao Executivo a criação de um museu de história natural na cidade.

Além de montar o acervo, o Projeto Tesouros do Araripe vai capacitar professores da região para trabalhar com fósseis em sala de aula. “Conhecendo melhor esse patrimônio, as pessoas entenderão a necessidade de preservá-lo”, acredita Alcina, acrescentando que também serão realizados concursos de redação, frases e desenhos sobre o tema e distribuição de uma cartilha. 

Geologicamente, o município de Exu está situado na Bacia Sedimentar do Araripe, porção de 10 mil quilômetros quadrados que abrange parte dos Estados de Pernambuco, Ceará e Piauí. É um dos mais importantes sítios fossilíferos do mundo, com a ocorrência de fósseis de peixes, plantas e répteis gigantes como dinossauros, pterossauros e crocodilos. Esses animais e plantas habitavam a região no período Cretáceo, há 110 milhões de anos.

Mas essa riqueza ainda é ameaçada pelo desconhecimento da população e comércio ilegal, que já abasteceu instituições de várias partes do mundo. O que restou do único dinossauro encontrado em Araripina há mais de dez anos – o Mirischia asymmetrica, descrito pelos paleontólogos Darren Naish, David Martill e Eberhard Frey em 2004 – está no Museu de História Natural de Karlsruhe, na Alemanha. “Queremos que os fósseis fiquem no município de origem e que as pessoas possam se apropriar de um patrimônio que é delas”, enfatiza Alcina.

A pesquisadora lembra que os fósseis são patrimônio natural e cultural da União, a partir do Decreto-Lei 4.146 de 1942 e Constituição de 1988, (Portaria nº 55 de 14/03/1990 do MCT e Lei 8.176/1991), ficando sob fiscalização e guarda do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

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