Clima

Parte da Grande Barreira de Corais é irrecuperável devido ao aquecimento global

Cientistas australianos afirmaram que fenômeno de branqueamento dos corais é irreversível. Local é Patrimônio da Humanidade desde 1981

Ciara Carvalho
Ciara Carvalho
Publicado em 10/04/2017 às 18:36
Ed Roberts/AFP
Cientistas australianos afirmaram que fenômeno de branqueamento dos corais é irreversível. Local é Patrimônio da Humanidade desde 1981 - Ed Roberts/AFP
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SYDNEY ­- Os espécimes da Grande Barreira de Corais que sofreram pelo segundo ano consecutivo um fenômeno de branqueamento provocado pelas temperaturas elevadas não têm nenhuma possibilidade de recuperação, advertiram nesta segunda-feira (10) cientistas australianos.


Em março, pesquisadores anunciaram que os recifes da Grande Barreira haviam sofrido uma degradação sem precedentes pelo segundo ano consecutivo. Os temores acabam de ser confirmados por observações aéreas do local, Patrimônio da Humanidade desde 1981.


Este ecossistema, que se estende por 2.300 quilômetros - o maior do mundo -, sofreu em 2016 o episódio de branqueamento mais grave desde que o fenômeno é registrado, provocado pelo aumento das temperaturas do oceano em março e abril.


"Os corais embranquecidos não estão necessariamente mortos. Mas na parte central (da Grande Barreira) prevemos perdas muito elevadas", declarou James Kerry, biólogo na Universidade James Cook, que coordenou as observações aéreas.
"Será necessário no mínimo uma década para a recuperação total dos corais que crescem mais rápido", explicou. "Após dois episódios graves de branqueamento em um intervalo de 12 meses, os recifes danificados em 2016 não têm nenhuma oportunidade de recuperação".

1.500 km afetados


O branqueamento dos corais é um fenômeno de fragilização que é traduzido por uma descoloração, provocada pelo aumento aumento da temperatura da água. Isto provoca a expulsão das algas simbióticas que dão ao coral sua cor e seus nutrientes.

Os recifes podem ser recuperados se a água voltar a resfriar, mas também podem morrer se o fenômeno persistir. E esta é a quarta vez que acontece (as anteriores foram 1998, 2002 e 2016). Entre 2016 e este ano, 1.500 km de recifes foram afetados pelo branqueamento, o que significa que "apenas o terço sul permanece ileso", recordou Terry Hughes, da Universidade James Cook.

A Austrália assegura que nunca fez tantos esforços para proteger a barreira, comprometendo-se a dedicar mais de dois bilhões de dólares australianos (1,4 bilhão de euros) a este problema em dez anos. A barreira e seus 345.000 km2 escaparam, por pouco, de entrar na lista do Patrimônio Mundial em Perigo da Unesco em 2015.

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