CETAS

Centro oferece reabilitação a animais silvestres no Recife

Os animais, a maioria vítima de tráfico, são tratados e devolvidos à natureza

Amanda Rainheri
Amanda Rainheri
Publicado em 25/07/2017 às 8:00
Bobby Fabisak/JC Imagem
FOTO: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Um sabiá com diabetes, um carcará com má formação no bico, um guaxinim atropelado e um macaco-prego com inflamação nos dentes. Todos esses animais são moradores temporários de um santuário localizado no bairro da Guabiraba, Zona Norte do Recife. Somente nos seis primeiros meses deste ano, o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas), inaugurado em dezembro pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), já recebeu mais de 5 mil animais. Desses, 3.974 foram devolvidos à natureza após serem cuidados e preparados para a soltura.

O centro funciona em um terreno de 2,6 hectares e abriga animais provenientes do tráfico, da entrega voluntária e de denúncias. Os pacientes são aves, mamíferos, répteis e aracnídeos apreendidos por órgãos como a Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma), as brigadas ambientais e a Polícia Federal. Maio registrou o recorde de entradas com 1.529 novos visitantes. O maior número de solturas aconteceu no mês passado, quando 866 animais voltaram à natureza.

Por ano, todo o trabalho custa R$ 3 milhões. Os bichos são assistidos por 20 funcionários, entre veterinários, biólogos, tratadores de alimento e equipe de limpeza. “Era uma atribuição do Ibama, repassada aos Estados em 2014. Temos um dos melhores centros do Brasil em termos de área e tratamento”, destaca o diretor-presidente da CPRH, Eduardo Elvino. A primeira etapa do centro, concluída em dezembro do ano passado, compreendeu a construção dos locais onde ficam os animais e de uma clínica veterinária. A segunda prevê a reforma de parte dos ambientes destinados aos pacientes e deve ter início após o término da compra do terreno, prevista para o fim do ano.

Após tratamento clínico para curar ferimentos, os animais passam para a etapa seguinte: a adaptação ao habitat natural. O tempo de preparo para o retorno à natureza é variável e depende, principalmente, do grau de domesticação do bicho. “Nosso trabalho consiste em retirar os hábitos adquiridos, para que os animais se tornem selvagens e possam ser reinseridos no seu ambiente”, pontua o veterinário do Cetas, Fábio Mashka.

É o caso de um macaco-prego-galego criado em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste do Estado, e entregue ao Cetas pelo antigo dono. O animal teve os quatro caninos serrados e os dentes inflamaram, formando fístulas que estouraram. Por esse motivo, ele passou a se alimentar raspando os alimentos e levando até a boca. “Ele está se recuperando. Vai ter uma redução na qualidade de vida, mas nada que o impeça de voltar à natureza, porque ele já aprendeu a comer assim”, explica o veterinário.

Resgatado em setembro do ano passado em Serrita, no Sertão pernambucano, a onça parda batizada de Diego – o único animal do centro a receber um nome –, também está em processo de adaptação. Como não teve contato com outros de sua espécie, o felino não aprendeu a caçar. A intenção da CPRH é devolver o animal para a região onde foi encontrado.

Bobby Fabisak/JC Imagem
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TECNOLOGIA

Para intensificar os cuidados, o centro está prestes a ser o primeiro no Brasil a fabricar próteses com uma impressora 3D. O equipamento, apreendido e doado pela Receita Federal, está em São Paulo. Hoje, um documento será protocolado junto ao órgão para dar início ao processo de transferência. Entre os primeiros a serem beneficiados pela novidade estão dois carcarás, um com problemas de nascença no bico e outro com necessidade de reconstrução de uma das patas.

A entrega voluntária pode ser realizada através do telefone (81) 3182-8923 ou do site cprh.pe.gov.br e isenta o pagamento de multa, que vai de R$ 500 a R$ 5 mil por animal para criadores ilegais.

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