Educação

Plataforma educacional une tecnologia Apple e ensino bilingue

Sistema UNO Internacional foi lançado pelo Grupo Santillana no Brasil. Escolas particulares são o alvo

Maria Luiza Borges
Maria Luiza Borges
Publicado em 30/06/2012 às 0:41
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Sistema UNO Internacional foi lançado pelo Grupo Santillana no Brasil. Escolas particulares são o alvo - FOTO: Divulgação
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A proposta é tecnologicamente ousada. Uma sala de aula onde todo o material do professor e dos alunos está dentro de iPads de última geração. Nas tabuletas estão livros didáticos, vídeos do Discovery Channel, aulas de inglês da Cambridge Esol, processos de avaliação realizados por empresas especializadas em fornecer estatísticas que orientem o processo de aprendizagem. Sem falar em tudo o que se pode acessar no mundo virtual. Essa sala de aula do século 21 foi apresentada a escolas privadas brasileiras pelo Uno Internacional, do Grupo Santillana, um dos maiores produtores de material didático do mundo, que no Brasil controla a Editora Moderna. A apresentação do sistema – que há um ano e meio funciona em escolas de dez países latino-americanos – foi realizada em seminário em Florianópolis, no fim de semana passado.

Consultor em Inovação Educacional do UNO, Sérgio Hernandes explica que no iPad do professor estarão livros-texto, exercícios, material didático para aula, vídeos, áudios. Tudo isso é projetado em sala de aula, podendo o aluno interagir a partir do próprio iPad. Além dos parceiros Unesco, Apple, Discovery, Cambridge Esol e Animal Planet, o projeto inclui treinamento pedagógico.

"Começamos a trabalhar neste modelo há dois anos e meio, a partir da constatação de que o mundo mudou, mas o processo educacional permanece cristalizado e ineficiente. Precisamos fornecer aos alunos ferramentas para um mundo que nem existe ainda”, comentou o diretor internacional do UNO, Pablo Doberty. O vice-diretor, Ricardo Rubio, detalhou que a ideia é incorporar a internet no dia a dia da escola. Conteúdos, tarefas e todo o material didático estariam disponíveis não só nos iPads da escola mas também a partir de qualquer computador ou dispositivo móvel. A proposta incorpora ainda o bilinguismo (com até 10 horas de ensino de inglês por semana) e a formação de uma espécie de rede social integrando as comunidades escolares de todos os países participantes. Por conta da rede social, as escolas no Brasil incorporariam lições de espanhol.

Cai por terra a estrutura em que aula de tecnologia é dada em laboratório, em horário determinado e no restante do tempo o aluno fica desconectado. Na nova plataforma, ele passa a ser estimulado a usar a tecnologia a toda hora. Em princípio, não conectado diretamente à internet, mas a um servidor dentro da escola, que recebe dados de atualização de hora em hora. Isso para driblar os problemas de conexão de banda larga típicos do Brasil. As escolas adquirem licenças de uso dos equipamentos da Apple, que são renovados sempre que um modelo mais novo é lançado no mercado.

Para falar do projeto, o grupo Santillana trouxe representantes de várias escolas que já usam a plataforma. Os depoimentos foram entusiasmados. “O UNO junta tudo: conteúdo, bilinguismo e tecnologia”, comentou Vitor Ugo Calderón, de Guayaquil, no Equador. “Na minha escola chegamos ao ponto de os alunos não quererem sair quando toca para o recreio”, acrescentou Maria Luísa García, do México.

O projeto teve investimentos iniciais de 15 milhões de euros e sua versão para o Brasil está orçada em 20 milhões de euros. “Estimamos em um ano e meio estar em 250 escolas brasileiras, atendendo a mais de 200 mil alunos”, diz o diretor de Desenvolvimento de Negócios, Nelson Azevedo. Neste momento, o conteúdo em português está sendo concluído, obedecendo às diretrizes do Ministério da Educação.

REPERCUSSÃO

O lançamento atraiu representantes de mais de 800 colégios do Brasil, entre donos, mantenedores, gestores e coordenadores pedagógicos. Instituições tão diferentes quanto tradicionais escolas católicas como o Damas do Recife e o Pedro II, de João Pessoa, a Escola Libanesa Brasileira de Foz do Iguaçu (que tem 100% da clientela formada por muçulmanos) e o Colégio Integrado Jaó, de Goiânia, cuja proposta harmoniza alta tecnologia a um espaço ecologicamente saudável (o nome do colégio é uma homenagem a um pássaro quase extinto).

Das escolas participantes, 27 eram de Pernambuco. O supervisor do ensino médio do Colégio Motivo, Sérgio Ribeiro, disse que teve uma impressão muito boa. O colégio, com mais de 2 mil alunos, fica em Boa Viagem. “Claro que uma mudança como essa tem que ser estudada. Ninguém faz da noite para o dia. Mas é algo novo, dentro do que o mercado está precisando. E as parcerias são muito fortes. Empresas como Apple, Cambridge e Discovery não vão se associar a um projeto que não seja bom”, resumiu. Ele também acredita que a mudança possa ser feita a um custo viável. “Pelo que disseram, para cada perfil de escola, para cada projeto, há um custo. Mas baseando no que os pais gastam com livros didáticos, não deve ficar muito distante”, estima. Ele vai apresentar a plataforma à direção e aguardar o contato dos consultores do Uno Internacional.

Dono do Pentágono Colégio e Curso, que tem duas unidades em Piedade, Abel Sotero de Souza ficou animado. “Faço mestrado em Inovação Pedagógica na Universidade da Madeira (Ilha da Madeira, Portugal), e tenho certeza de que o gestor que não estiver preocupado com inovação, sua escola vai deixar de existir”, comenta. “A cada dia a escola se distancia da realidade dos alunos. Eles estão prontos para a tecnologia, já os professores e a própria escola ainda resistem”, acrescenta. Ele acha que é possível sintonizar a proposta do Pentágono com a nova plataforma do Grupo Santillana.

"Os alunos estão prontos. Os professores e a escola ainda resistem", diz Abel Sotero, dono de escola

Alguns representantes, no entanto, ponderaram que a questão dos custos pouco foi abordada no seminário. É difícil para um gestor tomar uma decisão sem ter os números de quanto custa a mudança”, comentou o diretor do Colégio Integrado Joá, Marcos das Neves. Segundo os representantes do UNO Internacional, como a proposta é adaptada a cada instituição, a partir de agora consultores do grupo vão visitar os colégios para adequar o sistema ao projeto pedagógico.

* A jornalista viajou a convite do UNO Internacional

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