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Lendas urbanas chegam às salas de aula

Histórias da Perna Cabeluda, Comadre Fulozinha e Emparedada da Rua Nova foram resgatadas por professores e farão parte de oficina em Escola de Santo Amaro

Marcela Balbino
Marcela Balbino
Publicado em 10/04/2013 às 6:16
Rodrigo Lôbo/ JC Imagem
Histórias da Perna Cabeluda, Comadre Fulozinha e Emparedada da Rua Nova foram resgatadas por professores e farão parte de oficina em Escola de Santo Amaro - FOTO: Rodrigo Lôbo/ JC Imagem
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Lendas urbanas que pairam no imaginário popular dos recifenses estão sendo resgatadas por uma dupla de professoras e levadas para as salas de aula. No lugar do medo e do susto, a leitura e o conhecimento. As histórias da Perna cabeluda, da Comadre Fulozinha, da Emparedada da Rua Nova e outras dezenas serão trabalhadas por dois meses com os alunos da Escola Municipal de Santo Amaro, na área central do Recife. A oficina Vivendo e Revivendo as Lendas de Pernambuco tem a proposta de extrapolar os muros do colégio e levar os estudantes aos locais onde estão ambientadas as histórias, como forma de estreitar a relação entre os pequenos cidadãos e a cidade. O projeto tem incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) e também será levado para as Escolas Santa Tereza, em Olinda, e Medalha Milagrosa, em Jaboatão dos Guararapes.

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O foco da oficina é o trabalho com crianças da 4ª série, entre 9 e 11 anos, que vivem em áreas de vulnerabilidade social. “Trabalhamos um ano em cima do projeto e nosso esforço é tentar que as lendas não caiam no esquecimento, manter viva a contação de histórias e estimular a leitura”, explica a coordenadora e professora da oficina, Shirley Rodrigues. “A ideia é reviver a tradição do povo”, acrescenta Eulina Fraga, professora do projeto.

Para apresentar as lendas de forma dinâmica, a dupla mergulhou na obra Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre. “As histórias também serão transmitidas por meio de releituras, vamos exibir alguns filmes tanto de curta quanto de longa-metragem e leituras dramatizadas para formar verdadeiros contadores de histórias”, explica Shirley.

Nesta terça-feira, na primeira aula do projeto, as crianças já aguardavam ansiosas pelas primeiras lendas. Outras contavam as histórias repassadas pela tradição oral, da avó para a mãe, do vizinho para tia. “Eu conheço a história da Mula sem cabeça e da Comadre Fulozinha, que assusta quem maltrata a natureza”, contou Yasmin Carla, 10 anos. “Estou ansioso para conhecer as casas mal-assombradas”, planejou Elton José Furtado, 11.

“Durante a oficina, iremos visitar os locais mais assombrados do Recife, como os velhos casarões do bairro de Santo Antônio. O lugar ficou conhecido pelo caso da Emparedada da Rua Nova. No século 19, uma jovem mulher da sociedade pernambucana teria sido enterrada viva pelo amante, entre duas paredes de sua casa. Até hoje ninguém sabe se é mito ou verdade”, conta a professora Eulina. A história ficou envolta de mistérios após relatos de moradores que dizem ouvir a voz de uma mulher pedindo socorro quando passam a noite ao lado do casarão.

As professoras planejam, ao fim do projeto, compilar o material em cartilhas e distribuí-las nas escolas. Questionada sobre edições futuras, Shirley afirmou que alimenta a expectativa de levar o projeto para cidades do Agreste e Sertão do Estado.

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