EDUCAÇÃO

Escola de Arte João Pernambuco padece com precária infraestrutura

Unidade, que funciona na Várzea, no Recife, também precisa de mais professores

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 27/04/2018 às 7:23
Foto: Guga Matos /  JC Imagem
Unidade, que funciona na Várzea, no Recife, também precisa de mais professores - FOTO: Foto: Guga Matos / JC Imagem
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Professores, estudantes, funcionários e pais de alunos da Escola Municipal de Arte João Pernambuco, localizada na Várzea, Zona Oeste do Recife, denunciam problemas na estrutura física do prédio e reivindicam aquisição de materiais e instrumentos musicais, além da realização de concurso para docentes. Única unidade de ensino exclusivo de artes da rede municipal da capital pernambucana, a escola tem 2.281 alunos que aprendem gratuitamente teatro, música, dança e artes visuais. A precariedade é tão grande que está circulando um abaixo-assinado exigindo providências da prefeitura. Ontem à noite estava previsto um ato público na Praça da Várzea para chamar a atenção da sociedade para as dificuldades enfrentadas pela comunidade escolar.

“A deterioração é crescente. Os últimos investimentos na estrutura foram na década de 90. Quando chove, por exemplo, não há aula no teatro e em uma das salas de dança porque existem buracos no telhado. Também precisamos urgente de concurso. Temos mais estagiários que professores efetivos. São 17 docentes do quadro e 23 estagiários”, ressalta a coordenadora pedagógica da escola, Elizama Messias. “Atendemos pessoas de Recife e cidades vizinhas, a partir de 7 anos de idade. Somos a única escola de artes gratuita do Recife que oferece quatro linguagens artísticas”, complementa Elizama.

Faz dois anos que o teatro está com buracos no telhado. Um dos dois camarins está interditado por causa de vazamentos. O que funciona não tem espelho. Numa das salas de dança (são três), as barras para apoio dos alunos estão danificadas. “Há espelhos quebrados. Se falta água, não temos aula. Se chove, também são suspensas as aulas porque a sala alaga. Ventiladores não funcionam. Os banheiros estão péssimos”, lamenta Tainã Moema Souza, 19 anos, aluna de dança. “O diferencial da João Pernambuco é a qualidade dos professores e a dedicação deles. São excelentes”, assegura a estudante.

Nas 16 cabines para estudo individual de música, o revestimento acústico precisa ser refeito. O mofo nas paredes prejudica as aulas. “É muito ruim pois como a cabine é pequena, o cheiro de mofo atrapalha”, atesta Elias Santos, 30, que estuda bateria no local. Segundo Elizama, é constante o adoecimento dos docentes com problemas respiratórios provocados pela umidade nas paredes da escola.

No abaixo-assinado, que já soma mais de 900 nomes, professores e estudantes enfatizam que a “falta de manutenção e de aquisição de instrumentos e equipamentos como mesa de luz e de som e projetores complica o desenvolvimento das atividades”.

“Quero aprender violão mas não tem professor. Na nossa sala, um piano está quebrado e outro bem precário”, lamenta Carmelita Ramalho, 59, aluna de música. “Sinto falta de acessibilidade no prédio”, diz Mateus Jeremias, 20, que é cego e estuda bateria na João Pernambuco.

POSICIONAMENTO 

Não há previsão de grandes reparos na estrutura da Escola Municipal de Arte João Pernambuco, segundo a Secretaria de Educação do Recife. A promessa do secretário executivo de Gestão Pedagógica, Rogério Morais, é consertar o telhado em breve e mandar, na próxima semana, uma equipe da engenharia para avaliar a situação da unidade. Outro compromisso é abrir concurso público para professor este ano. E enviar instrumentos musicais e equipamentos eletrônicos até o início do próximo semestre.

“Está no nosso planejamento fazer a manutenção do prédio da Escola João Pernambuco. As telhas quebradas ainda não foram repostas porque são especiais. A previsão é comprar novas em maio”, diz Rogério. A unidade está entre as que devem ser climatizadas até o final do próximo ano. Atualmente, informa o secretário, 47% das salas de aula da rede municipal estão com ar condicionado.

Uma licitação no valor de R$ 1,4 milhão para aquisição de 170 instrumentos musicais (piano, flautas, saxofones, entre outros) e 14 equipamentos de áudio (com caixa de som e microfones, por exemplo) está sendo concluída no próximo mês. “Acredito que até o começo do próximo semestre alunos e professores já contarão com esse material”, observa Rogério.

Uma comissão foi formada para organizar um concurso para cerca de 500 vagas de docentes em toda a rede municipal. Desse total, pelo menos 40 estão previstas para a João Pernambuco, conforme o secretário executivo de Educação. Na seleção simplificada aberta mês passado, cujo resultado final será publicado deste sábado no Diário Oficial, há docentes que serão lotados para a unidade de ensino.

* Os estudantes resolveram fazer também um abaixo-assinado virtual. Clique aqui

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