EDUCAÇÃO

Alfredo e Moacyr, eleitos para reitoria da UFPE, falam de desafios e expectativas

Os professores foram os mais votados pela comunidade universitária nos dois turnos do pleito. Mas para assumirem, precisam do aval do presidente Bolsonaro

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 23/06/2019 às 7:32
Foto: Alexandre Gondim /  JC Imagem
Os professores foram os mais votados pela comunidade universitária nos dois turnos do pleito. Mas para assumirem, precisam do aval do presidente Bolsonaro - FOTO: Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
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Em outubro, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) terá novos reitor e vice. Os professores Alfredo Gomes e Moacyr Araújo foram escolhidos pela comunidade universitária para ocupar esses cargos, respectivamente. Venceram nos dois turnos do pleito. Mas a nomeação depende do presidente Bolsonaro.

O Conselho Universitário da UFPE deve se reunir, no mês de julho, para definir uma lista tríplice e depois encaminhá-la para o Ministério da Educação (MEC). É praxe o candidato mais votado encabeçar essa lista.

O presidente Bolsonaro, então, dirá, entre os três nomes da lista, qual deles vai comandar a UFPE no quadriênio 2019 - 2013. 

Alfredo e Moacyr estiveram na TV JC para falar sobre suas expectativas e desafios.

 

Leia a entrevista

JORNAL DO COMMERCIO - Semana passada o presidente Jair Bolsonaro nomeou dois reitores (Unirio e UFTM) que não tinham sido os escolhidos pela comunidade universitária. Os senhores temem que isso aconteça na UFPE?

ALFREDO - É importante destacar que em quatro universidades federais o atual governo indicou o primeiro nome da lista tríplice. E em duas escolheu outra pessoa que não estava como a mais votada. Nós fomos eleitos defendendo a autonomia da universidade pública, democrática e gratuita. Esperamos, portanto, que a autonomia da universidade seja respeitada. O nosso papel como reitor é defender a universidade e nós o faremos da melhor forma possível. Temos plena confiança de que o governo federal vai indicar nosso nome para que possamos tomar posse no dia 14 de outubro. Para fazer a gestão da UFPE conforme os compromissos e a carta programa que debatemos amplamente com a comunidade universitária, para que possamos fazer uma gestão de muito protagonismo e interação com a sociedade.

MOACYR - Não dá medo de jeito nenhum. Acho que o processo será tranquilo. Não conheço os detalhes de como foi nessas universidades. Mas conheço bem o processo da UFPE. Houve uma forma muito clara de legitimar a escolha pela nossa chapa. Com a votação como a que tivemos, isso chama a atenção para uma proposta aceita pela maioria da universidade.

JC - Como encaram o desafio de começar uma gestão com promessa de menos verbas federais?

ALFREDO - Devemos nos unir às outras universidades federais para fazer um amplo diálogo com o governo federal para que não se materialize nenhum tipo de corte. As universidades federais são um patrimônio estratégico da sociedade brasileira, prestam um serviço de extrema relevância no processo de ensino, pesquisa, extensão e inovação. Colocam o Brasil de uma forma diferente no contexto da geopolítica global. O governo precisa ter essa compreensão. Faremos um esforço de dialogar para demonstrar a importância desse processo e assim recuperar os investimentos nas universidades.

JC - A UFPE tem mais da metade dos alunos em situação social vulnerável. Muitos não conseguem permanecer estudando porque não têm como pagar o transporte ou alimentação. Como fortalecer a assistência estudantil, sobretudo nesse cenário de corte de recursos da União?

ALFREDO - Esse perfil socioeconômico dos estudantes foi fruto de políticas muito importantes introduzidas por volta de 2013 e um pouco antes com o processo de interiorização. Com o sistema de cotas, passamos a ter 50% dos alunos de todos os cursos provenientes de escolas públicas, o que criou um outro perfil da população estudantil. As universidades precisam se planejar para ter políticas de permanência e não só de acesso. Teremos que fazer um trabalho dentro da universidade para garantir o pleno funcionamento do Restaurante Universitário, no Recife. Temos também que ampliar a oferta de alimentação universitária no Recife e em Caruaru. Também em Vitória, que ainda não tem RU.

JC - Mas com que dinheiro?

ALFREDO - É preciso eleger quais são as prioridades para fazer os investimentos. Os estudantes, sem sombra de dúvida, na nossa gestão, são prioridade número um. Vamos buscar verbas, sejam próprias, ou através de mais recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil, seja por emenda parlamentar ou outras iniciativas para, efetivamente, prover as condições da permanência qualificada do nosso aluno.

JC - A UFPE se destaca nacionalmente e internacionalmente. Mas a infraestutura é um dos problemas da instituição. Como farão para melhorá-la?

ALFREDO - Foi um tema que surgiu bastante durante a campanha. Conhecemos, eu e Moacyr, essa realidade de forma concreta. Vamos chamar uma reunião de planejamento, logo no primeiro mês da gestão, envolvendo toda a UFPE, coordenações de cursos, chefias de departamento, pós-graduação, diretores de centro e pró-reitores para planejarmos a universidade. Precisamos sentar e elencar as prioridades dos próximos quatro anos, a curto, médio e longo prazo, para que possamos dar um salto de qualidade e resolver questões históricas de dentro da universidade.

JC - Uma das promessas da campanha dos senhores é uma gestão participativa e com diálogo. Como farão isso?

MOACYR - Uma das ações, que está na nossa carta programa, é uma agenda aberta. Significa que pelo menos uma vez por mês, eu e Alfredo vamos ter um dia para receber toda e qualquer pessoa na comunidade que queira falar conosco diretamente, sem precisar de agenda prévia, sem precisar marcar nada. A única coisa é obedecer a ordem de chegada.

ALFREDO - Temos também o Fórum de Planejamento Estratégico para a consolidação dos campi do interior, um instrumento de gestão compartilhada. Temos as mesas de diálogo e negociação com estudantes e técnicos. Inclusive os técnicos reclamaram bastante da falta de diálogo da atual gestão. Então precisamos retomar esse processo. Mas não é o diálogo pelo diálogo. É o dialogo enquanto instrumento para fazer uma gestão participativa, com planejamento e monitoramento, envolvendo a comunidade no processo de construção das políticas universitárias.

JC - Quais os planos dos senhores para a pesquisa?

MOACYR - A UFPE tem uma produção científica importante. Precisamos reforçar isso. Uma boa parte dos nossos pesquisadores não está ainda inserida no Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação. Precisamos motivá-los, criar editais específicos, estimular o desenvolvimento de pesquisas no interior. Caruaru tem avançado um pouco. Vitória possui um potencial enorme que a gente deve fortalecer. As ideias são muitas. Também pretendemos investir na internacionalização, para que seja mais abrangente, do ponto de vista de toda a diversidade que a UFPE tem.

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