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Hemope e Bombeiros apelam por sangue e donativos

Alagamentos, engarrafamentos e boatos reduziram volume de doações

Diogo Menezes
Diogo Menezes
Publicado em 09/05/2011 às 8:10
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A chuva intensa que castiga cidades pernambucanas desde o mês passado não deixou apenas famílias desabrigadas e precisando de donativos. Também afetou o estoque de sangue da Fundação Hemope. Alagamentos, engarrafamentos e boatos de cheias no Recife diminuíram em mais de 50% o volume habitual de doações nas últimas semanas, de acordo com a diretora de Hemoterapia do Hemocentro de Pernambuco, Elisabeth Vilar.

Como está chovendo em outros municípios, além da capital, a coleta também está prejudicada no interior do Estado. O Hemope abastece mais de 200 hospitais públicos. "Precisamos de sangue de todos os grupos, principalmente daqueles de fator RH negativo", diz Elisabeth. A maior carência é do sangue O negativo e A positivo.

No Recife as doações podem ser feitas no Hemocentro da Rua Joaquim Nabuco, nas Graças, Zona Norte, por trás do Hospital da Restauração. Há coletas de segunda-feira a sábado, sem interrupção, das 7h15 às 18h30. Qualquer pessoa de 18 anos a 65 anos é um potencial doador. Basta ter boa saúde e mais de 50 quilos.

A quantidade retirada de cada doador - 450 ml - representa menos de 10% do volume total de sangue do corpo humano. "Em poucas horas a pessoa se restabelece e em poucos dias a perda é recuperada", informa Elisabeth. O desconforto, diz ela, é pequeno diante da ajuda oferecida. "Um doador salva a vida de três pessoas". Em condições normais, o Hemope conta com 350 doações por dia.

Enquanto o Hemope apela por sangue, o Corpo de Bombeiros pede mais donativos para a população afetada pelas enchentes na Zona da Mata Sul. Na tarde de ontem, a corporação despachou mais um caminhão para a cidade de Barreiros, com produtos de limpeza, água mineral, cesta básica, fraldas para crianças e adultos, material de higiene pessoal, botas e luvas.

"As doações ainda estão tímidas", observa o coronel Valdy Júnior. Segundo ele, na cheia de 2010, os bombeiros carregavam sete caminhões por dia com donativos. "Agora, enchemos um por dia". As doações podem ser levadas para os quartéis da Avenida João de Barros (Centro do Recife) e do Curado (Zona Oeste), na BR-232.

No Recife, a prefeitura também lançou uma ação com o objetivo de arrecadar donativos para as pessoas que perderam tudo nas chuvas. Alimentos não perecíveis, água, material de limpeza, produtos de higiene pessoal, roupas,fralda descartável, toalhas, lençóis podem ser entregues no Geraldão, Emlurb, CTTU, URB, Guarda Municipal, sede da Prefeitura da Cidade do Recife, Iasc, Rede de Voluntariado, Parques Dona Lindu, Jaqueira, Sítio Trindade e nas sedes dos clubes Náutico, Sport e Santa Cruz.

ALIMENTOS - A Secretaria Estadual de Agricultura e Reforma Agrária vai entregar nesta segunda-feira (9) 40 toneladas de alimentos nos municípios da Mata Sul atingidos pelas enchentes. De acordo com o secretário Ranilson Ramos, os alimentos foram adquiridos junto a produtores da agricultura familiar do Agreste Meridional do Estado.

Terão prioridade as cidades em que a situação é mais crítica, entre elas Palmares, Barreiros, Primavera, Água Preta, Cortês, Gameleira, Maraial, Catende, Jaqueira, Belém de Maria e Xexéu. "Esta é uma ação de duplo impacto. Ao mesmo tempo em que estamos ajudando a população afetada pelas fortes chuvas, há uma intensificação na compra de alimentos produzidos pelos Agricultores Familiares", explicou Ranílson Ramos.

A empresa de ônibus Cidade Alta que ajudou as vítimas da cheia no ano passado repete a iniciativa. Adiantou a campanha Arraiá Solidário, planejada para começar em junho, e também se integrou à corrente de ajuda.

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