Erosão marinha

Plano milionário para solucionar problemas na orla de Jabotão, Recife, Olinda e Paulista

Confira infográfico sobre as ações a serem realizadas para conter a erosão marinha nas maiores cidades do litoral

Rafael Carvalheira
Rafael Carvalheira
Publicado em 25/05/2011 às 23:24
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Uma combinação de espigão, quebra-mar e engorda de praia é a solução indicada para conter a erosão marinha nas cidades de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista. O governo de Pernambuco apresentou a receita, mas além de o remédio ser caro (está avaliado em quase R$ 200 milhões), falta um componente essencial: as jazidas que irão fornecer a areia para aumentar a faixa de praia.

Infográfico

Combate à erosão marinha

As alternativas de obras de proteção costeira para recuperação da orla e recomposição da praia foram elaboradas pela empresa Coastal Planning & Engineering do Brasil, contratada pelo Estado. “Levamos em conta a variação da linha de costa, dados sobre ondas, estudos de correntes e marés”, diz Rodrigo Barletta, oceanógrafo da empresa e responsável pela divulgação do trabalho.

Para o público que compareceu ao auditório da Secretaria de Meio Ambiente, no Bairro do Recife, nesta quarta (25), ele informou que serão necessários algo em torno de 5,3 milhões de metros cúbicos de areia para engordar as praias dos quatro municípios. O problema, agora, é identificar essas fontes. “O estudo das jazidas não é barato”, adianta Rodrigo Barletta.

Na avaliação do secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, o estoque de areia é o ponto crítico do projeto. “O uso da jazida não ocorre só na obra inicial. De tempos em tempos haverá necessidade de se buscar mais material para repor a areia perdida. É preciso analisar esse impacto”, comenta o secretário.

A área do estudo tem cerca de 40 quilômetros de extensão e pelos cálculos da Coastal Planning, cada cinco quilômetros consome de seis a oito meses de obra. “Esse é um trabalho que transcende gestões. Não adianta fazer uma intervenção desse porte na costa e achar que daqui a cinco anos estará tudo do mesmo jeito. O governo deve ter uma previsão orçamentária para manutenção”, alerta Rodrigo Barletta.

Pelo cronograma da empresa, o projeto básico das obras estará pronto em 15 de julho próximo e o processo de licitação para contratação da empresa que vai elaborar os projetos executivos e o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima) será aberto em 30 de julho. A data de entrega dos projetos e do Eia-Rima é 30 de novembro. As obras começariam em 3 de março de 2012.

Questionado sobre a fonte de recursos para execução dos serviços, Sérgio Xavier disse que haverá participação das prefeituras, Estado e União. “O assunto vai ser discutido, mas é prioridade do governador Eduardo Campos”, declara. A proposta da empresa foi avaliada por especialistas no tema, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“Abrimos o debate à sociedade, para escolhermos a solução mais adequada”, diz ele. O professor da UFPE Pedro Pereira, um dos que analisaram a proposta, disse que o projeto de engorda da praia não prevê ocupação dessas áreas com prédios, calçadões ou ciclovias. Secretário-executivo de Meio Ambiente do Estado, Hélvio Polito, não descarta a derrubada de construções na orla, onde for possível, para complementar o combate à erosão marinha.

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