DESCONTROLE

Ciclista em guerra sem fim no Recife

A falta de estrutura em vias onde há ciclofaixa está acirrando a batalha diária por espaço na capital. Plano de Mobilidade ainda espera por aprovação na Câmara

Rafael Carvalheira
Rafael Carvalheira
Publicado em 04/10/2012 às 7:15
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
A falta de estrutura em vias onde há ciclofaixa está acirrando a batalha diária por espaço na capital. Plano de Mobilidade ainda espera por aprovação na Câmara - FOTO: Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A inércia na execução de projetos que podem ajudar a mobilidade está agravando a batalha diária, nas principais vias do Recife, entre motoristas e ciclistas. Para completar, pedestres começaram a usar faixas exclusivas para bicicletas, em busca de espaço para locomoção. A reportagem do Jornal do Commercio percorreu duas movimentadas vias da capital onde há ciclofaixa: a Avenida 21 de Abril, em Afogados, na Zona Oeste, e a Estrada do Arraial, em Casa Amarela, Zona Norte. Foram registrados flagrantes da falta de estrutura nas avenidas e imagens da guerra pelo espaço exclusivo. Enquanto isso, o Plano de Mobilidade do Recife está na Câmara dos Vereadores desde março do ano passado, esperando aprovação, de acordo com o Instituto da Cidade do Recife Engenheiro Pelópidas Silveira.

O Instituto foi criado pela Prefeitura do Recife para pensar a cidade para os próximos anos e fazer planejamento urbano de forma estratégica. Para elaborar o plano de mobilidade, os engenheiros e técnicos do instituto, também representantes da Câmara, viajaram para ver a realidade de outros países, como a Colômbia. A Política de Mobilidade deveria contribuir para o acesso amplo e democrático à cidade, por meio do planejamento e organização do Sistema de Mobilidade Urbana e a regulação dos serviços de transportes urbanos, como diz o documento. Mas, na prática, a situação é outra.

Na Avenida 21 de Abril é difícil saber onde começa e termina a ciclofaixa porque a sinalização na pista foi apagada com o tempo. Criada há sete anos, hoje apresenta problemas sérios em toda a extensão. São carros e motos que invadem a área para bicicletas e vice-versa. “O perigo aqui é constante. Eu uso essa avenida todos os dias, circulo cerca de dez quilômetros nessa região e já vi vários acidentes”, falou o autônomo Flávio Romero. Na Estrada do Arraial, os tachões que impedem a passagem de carros para a ciclovia ainda não foram colocados pela Companhia de Trânsito e Transportes Urbanos (CTTU), apesar da promessa de instalar o equipamento até o fim do mês passado. 

O presidente do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira, Milton Botler, explicou que, nesse caso, não precisaria da aprovação da Câmara para o Plano ser colocado em prática. “Foi o que aconteceu com Bogotá. Como o projeto faz parte do Plano Diretor de Transporte e Mobilidade, já poderia ter sido executado.” A presidente da CTTU, Maria de Pompéia, disse que até sexta-feira os tachões serão colocados na Estrada do Arraial. “Sobre a Avenida 21 de Abril, estamos esperando a Emlurb realizar obras para agirmos.”

Em nota, a Emlurb informou que fez levantamento das necessidades da Avenida 21 de Abril. O serviço de recapeamento da via e a recuperação da ciclofaixa estão em fase de planejamento, mas não foi definida a data de execução.

INQUÉRITO - A polícia informou que o motorista Elpídio Herculano Soares Filho, do ônibus que atropelou e matou o pedreiro Roberto Márcio da Silva, anteontem, em Beberibe, deve se apresentar hoje. “O advogado dele garantiu que vai trazê-lo para prestar depoimento”, disse o delegado Newson Motta, da Delegacia de Acidentes. Roberto Márcio estava de bicicleta e testemunhas afirmam que a morte só aconteceu por imprudência do motorista do coletivo.

 

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