Acidente

Gravações podem ajudar a esclarecer morte do ciclista atropelado por ônibus

O motorista do coletivo que atropelou o ciclista na última terça (2) prestou depoimento nesta quinta (4). De acordo com ele, o ciclista estava pedalando após ter vindo de uma contramão. Versão contradiz testemunhas

Alana Lima
Alana Lima
Publicado em 04/10/2012 às 12:30
Alana Lima / JC
O motorista do coletivo que atropelou o ciclista na última terça (2) prestou depoimento nesta quinta (4). De acordo com ele, o ciclista estava pedalando após ter vindo de uma contramão. Versão contradiz testemunhas - FOTO: Alana Lima / JC
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Gravações das câmeras internas e externas do ônibus que atropelou um ciclista na última terça-feira (2) em Porto da Madeira, Zona Norte do Recife, podem ser usadas pela Delegacia de Delitos de Trânsito para esclarecer o caso. Na manhã desta quinta (4), o  motorista Elpídio Herculano Soares Filho, 38, prestou depoimento sobre o acidente que resultou na morte do ajudante de pedreiro Roberto Márcio da Silva, de 32 anos. A informação sobre as câmeras foi repassada por Elpídio à polícia que solicitará as imagens à empresa Globo.

De acordo com o advogado do motorista, Marcos Rosendo, o circular da empresa Globo seguia atrás de outro ônibus da mesma linha. Os dois estariam alternando os pontos de ônibus onde paravam. Enquanto o outro ônibus estava parado no ponto, Elpídio Soares teria ido fazer uma ultrapassagem quando ouve o acidente. O motorista do coletivo declarou que Márcio da Silva estava pedalando no momento do atropelamento, contrariando a versão dada pelo amigo do pedreiro, José Adriano Fragoso. Adriano Ferreira afirmou que Elpídio tentava atravessar a rua e levava a bicicleta ao lado do corpo. De acordo com o advogado do motorista, o ônibus estaria em baixa velocidade.

ABANDONO DO LOCAL - Elpidio Soares é motorista da empresa Globo há seis anos e após o acidente deixou o local sem prestar assistência à vítima, mas, de acordo com o advogado, teria ligado para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O fato de o motorista ter deixado o lugar do acidente gerou polêmica na repercursão do caso. De acordo com Marcos Rosendo, foi um conselho dos próprios passageiros do ônibus: "A população que estava na rua ficou revoltada, os passageiros aconselharam que ele fosse embora por segurança", explica o advogado. Logo em seguida, o motorista teria procurado o advogado que foi até à delegacia de Água Fria, na Zona Norte, representar o cliente.

De acordo com Elpídio, o abandono do coletivo é uma recomendação da própria empresa de ônibus. "Mas ele deixou a carteira de habilitação no painel do ônibus para que pudesse ser identificado", lembra o advogado. Segundo o delegado responsável pelo caso, Newson Motta, caso seja comprovado o posicionamento da empresa, poderá haver algum tipo de sanção à ela. "O fato de não prestar socorro é um agravante aos acidentes. A orientação é que as pessoas continuem no local da ocorrência e se apresentem quando as autoridades chegarem", esclarece o delegado.

CONCLUSÃO DO CASO - A polícia tem até 30 dias para concluir o caso. Até o momento, apenas o motorista do coletivo foi ouvido em depoimento. Nos próximos dias, testemunhas devem ser ouvidas. De acordo com o delegado Newson Motta, até agora as investigações apontam para homicidio culposo, quando não há intenção de matar.

Elpídio Herculano Soares Filho prestou depoimento por cerca de uma hora. A esposa dele também estava na delegacia, mas nenhum dos dois quiseram falar com a imprensa. Elpídio Soares foi embora dirigindo.

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