ASSISTÊNCIA

Para evitar tragédias como a de Maristela

Centro de Referência Maristela Just, que tem o nome da estudante morta pelo marido, em 1989, dá apoio psicológico e jurídico para vítimas de violência doméstica

Rafael Carvalheira
Rafael Carvalheira
Publicado em 01/11/2012 às 22:02
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
Centro de Referência Maristela Just, que tem o nome da estudante morta pelo marido, em 1989, dá apoio psicológico e jurídico para vítimas de violência doméstica - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Uma dona de casa de Jaboatão dos Guararapes cansou de ser humilhada e espancada pelo marido. Nem o filho do casal, na época com um mês, impediu que o companheiro maltratasse a mulher. Cansada da violência, ano passado resolveu procurar o Centro de Referência Maristela Just, no bairro de Prazeres. Foi orientada, teve apoio jurídico e psicológico. Então, denunciou o marido, que desapareceu. Um ano depois ela vive com um filho numa nova casa e nunca mais foi ameaçada.

A história é comum no dia a dia do centro, que ganhou o nome de uma das maiores vítimas da violência doméstica em Pernambuco. Maristela Just, estudante de sociologia, foi morta em 1989, com três tiros, pelo ex-marido, José Ramos Lopes Neto. Na época não existiam centros de referência, que pudessem ajudar Maristela e outras vítimas. Hoje, a história é diferente.

Criado em setembro de 2010, o Centro Maristela Just conta com uma equipe de psicólogas, advogadas e assistentes sociais. Lá, homem não entra. É um espaço onde as mulheres em situação de violência doméstica se sentem à vontade para ouvir e serem ouvidas. A coordenadora da entidade, Cláudia Barros, diz que aproximadamente 20 mulheres são atendidas mensalmente. “Muitas chegam com medo, mas depois usam o espaço como um local para desabafar e pedir orientação de todos os tipos”, explicou.

Apesar de não ter o poder de punir os agressores, o Centro de Referência trabalha em parceria com a Delegacia da Mulher. “Quando é necessário, encaminhamos a vítima para procurar a polícia, depois de ser orientada em outras áreas por nossas profissionais”, disse a coordenadora.

O lugar mantém também uma ligação com o Programa de Prevenção às Mulheres Vítimas da Violência, do Governo do Estado. O programa trabalha acolhendo e dando um lar provisório. “Elas ficam seguras até que tudo seja resolvido”, disse Cláudia. “Mas muitas desistem de continuar o processo de denúncia, o que deixa o agressor seguro de que ficará impune. Mas, um dia, a história muda e eles serão punidos.”

Outra preocupação de quem trabalha combatendo a violência contra a mulher está relacionada com o tipo de agressão provocada, muitas vezes vista de uma forma normal. “Como a violência patrimonial, por exemplo. O casal está se separando e o marido diz que vai levar tudo porque ele teria construído sozinho”, lembra Cláudia.

Ela diz que esse tipo de tratamento é bem comum no momento de uma separação. “Na verdade, ele teve o apoio da mulher para construir a vida da família. Ele não pode simplesmente jogá-la na rua e ficar com tudo”, disse.

Para o atendimento no Centro de Referência da Mulher Maristela Just, os interessados devem ligar para o 3468-2485. O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.

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