relocados

Ambulantes são removidos da Avenida Cruz Cabugá

O último dia para a atividade dos comerciantes havia sido marcado para a última sexta-feira (29)

Do JC Online
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Publicado em 02/12/2013 às 11:34
Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Atualizada às 12h45

Ambulantes foram retirados na manhã desta segunda-feira (2) das calçadas da Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, região central do Recife, devido à determinação da prefeitura. A remoção foi realizada em decorrência das obras para implantação do Corredor Norte/Sul. O último dia para a atividade dos comerciantes havia sido marcado para a última sexta-feira (29).

Na manhã desta segunda, alguns ambulantes ainda chegaram instalar suas barracas em frente aos prédios da Assembleia de Deus e da Igreja Universal, mas por volta das 10h todos foram deslocados para a Avenida da Saudade, coordenados por agentes da Dircon.

Os comerciantes comentaram que já sabiam da determinação da prefeitura, mas ainda assim preferiram insistir em ficar. "É a nossa única opção. Na Avenida da Saudade não tem movimento nenhum, a gente não vai conseguir vender nada", disse Edna Maria, de 55 anos, que trabalha há dois anos na calçada das igrejas. No prazo dado pela PCR, estava implícito que o ambulante deveria procurar um novo lugar para se alojar. Caso não encontrasse, ficaria no local determinado.

Depois de serem relocados, os ambulantes chegaram a afirmar que uma igreja próxima ao local havia solicitado a relocação do grupo. O pastor França, diretor administrativo da Igreja Universal, disse que a instituição não tinha envolvimento o caso. "Não tenho nenhum conhecimento sobre a saída deles. Eu não tenho nada contra os ambulantes, porque eles não me atrapalham e estão ali ganhando a vida honestamente", disse França.

A Igreja Assembleia de Deus foi procurada pela reportagem do JC, mas também afirmou que não tinha conhecimento sobre assunto. Nenhum responsável pela igreja pôde se pronunciar.

ALTERNATIVA - A Avenida da Saudade, via que dá acesso ao Cemitério de Santo Amaro, cotidianamente é bastante deserta, de acordo com os ambulantes. A ida para este novo local significaria a falência do negócio que já não dá segurança financeira, a venda ambulante. Na manhã desta segunda-feira, já se encontravam na Avenida os vendendores. Alguns resignados, outros revoltados pela mudança. O fato é que eles ainda não têm uma solução definitiva para a saída da calçada conjugada entre as duas igrejas.

Severino Claudio de Lima, de 65 anos, trabalha com uma carroça há 12 anos nas calçadas da Cruz Cabugá. Sabendo da intervenção da Dircon, Severino deixou sua carroça no depósito e foi para o local de trabalho apenas para auxiliar os seus colegas. "É a primeira vez que sou retirado daqui. Eu vou tentar ganhar a vida do jeito que der. Se for preciso, eu saio daqui. Mas Deus vai me dar algo de bom", desabafou o vendedor.

Depois que os agentes da Dircon foram embora, Carla Vanessa, de 24 anos, retornou à frente da Igreja Universal, acompanhada do filho menor. Sentada numa cadeira, Carla vendia garrafas d'água a R$ 1, para sustentar quatro filhos pequenos e um bebê que ainda está na barriga. Desde os 6 anos de idade, a vendedora trabalha em frente aos dois templos, ajudando a mãe cadeirante, Lourdes Rodrigues de Lima, de 56 anos, que tem a perna amputada e está no local há mais de 20 anos.

A cadeirante Lourdes Rodrigues de Lima, 56 anos, trabalha há 20 anos na Cabugá

Em sua carroça, Carla vende lanches, mas nesta segunda, o "ganha-pão" teve que ficar no depósito. "Eu sabia que a gente ia ter que sair, mas eu tenho que tirar o sustento para os meus filhos. Só os R$ 200 do bolsa família não são suficientes para alimentar minha família", afirmou Carla. Ela disse que não teve condições de ir para a reunião com a prefeitura, porque não tinha com quem deixar os filhos e morava longe da mãe. "Eu moro no Brejo e minha mãe mora em Roda de Fogo. Eu sou separada do meu marido, por isso não fui. Não ia levar os meus meninos para eles ficarem aperreando lá", confessou.

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Dona Lourdes trabalha na Cabugá há 20 anos - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Ambulantes e agentes da Dircon arrumam carroças na Avenida da Saudade - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Dona Lourdes trabalha na Cabugá há 20 anos - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Ambulantes são relocados para Avenida da Saudade, em Santo Amaro - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Ambulantes e agentes da Dircon arrumam carroças na Avenida da Saudade - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Ambulantes são relocados para Avenida da Saudade, em Santo Amaro - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Calçada conjugada entre Assembleia e Universal já sem os ambulantes - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Vendedora retorna à calçada, após ambulantes serem removidos - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Local onde os ambulantes trabalhavam - Foto: Ulysses Gadêlha/JC
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Ambulantes são relocados para Avenida da Saudade, em Santo Amaro - Foto: Ulysses Gadêlha/JC

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