MOBILIDADE

Para sair do sufoco

Na volta às aulas, atitudes como compartilhar carona ou caminhar para levar os filhos à escola podem ajudar a diminuir os engarrafamentos

Margarette Andrea
Margarette Andrea
Publicado em 01/02/2014 às 6:30
Hélia Scheppa/JC Imagem
Na volta às aulas, atitudes como compartilhar carona ou caminhar para levar os filhos à escola podem ajudar a diminuir os engarrafamentos - FOTO: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Sair mais cedo de casa. Investir na carona solidária. Trocar o carro por uma caminhada. Não há fórmula mágica para solucionar o caos em que se transforma o trânsito no início do ano letivo, quando mais 200 mil veículos voltam a trafegar nas ruas do Recife, cuja frota já ultrapassa os 636 mil automóveis. Mas muita gente já encontrou caminhos alternativos para minimizá-lo. Portanto, antes de ir para as ruas nesta segunda-feira 3, quando as 2.400 escolas particulares do Estado retomam as aulas, vale se questionar o que você pode fazer para melhorar a situação.

O analista de sistemas Carlos Saldanha Filho e a esposa, a empresária Alcineide Maranhão, levam uma rotina que, para muitos, seria desesperadora. Eles moram no final de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, e os filhos (João Pedro, 6 anos, Maria Luíza, 8, e Maria Isabela, 10) estudam no Colégio Damas, nos Aflitos, Zona Norte, em um dos corredores mais engarrafados da cidade, a Avenida Rui Barbosa. São 16 quilômetros, passando por vias de grande fluxo. Mas o casal não quer abrir mão do apartamento de mais de 100 metros quadrados com vista para o mar nem de os filhos estudarem no mesmo colégio da família da mãe. A solução foi matriculá-los à tarde, quando o tráfego é menor.

“A rotina de todos foi adaptada para essa realidade. Trabalho no Parnamirim, próximo à escola, então saio antes das 6h para fugir do trânsito e frequento academia por lá. No horário do almoço, vou para casa, levo as crianças à escola e quando largo vou buscá-las. As aulas terminam às 18h, mas elas praticam esporte e retornamos umas 19h30, evitando o pico”, detalha Carlos. Alcineide tem uma papelaria perto de casa, assim pode cuidar dos outros compromissos dos pequenos. E ainda há tempo para o casal praticar esportes e passear.

CARONA - Para a designer Rejane Maciel, a rotina de levar os filhos Lucas, 9 anos, e Letícia, 15, à escola ficou mais fácil graças a ajuda de outras três mães. Ela começou a praticar a carona solidária antes de o caçula nascer e a “rede” de mães só fez crescer. Uma das caroneiras ela descobriu por acaso. “Ao deixar meu filho na escola, a mãe de uma colega dele percebeu fazermos o mesmo percurso e me abordou. Nos conhecíamos da escola, mas não sabíamos que éramos vizinhas de rua, daí ela propôs nos revezarmos”, relata.

Embora a residência, no Espinheiro, e as escolas, em Casa Forte e Parnamirim (a menina mudou de colégio recentemente), sejam todas na Zona Norte, o deslocamento, nos horários de pico, é lento. Mas as vantagens vão além do trânsito. Há mais tempo para o trabalho (o escritório é em cima da casa) e para os filhos terem outras atividades. “Eles se socializam, aprendem sobre sustentabilidade e eu ainda me inteiro melhor do seu dia a dia, pois a conversa com os amigos flui melhor”, observa rindo. Rafaela, 11, filha da vizinha solidária, considera a ideia muito boa. “Além de economizar combustível, minha mãe descansa um pouco, pois ela trabalha demais”, declara.

EXEMPLO  - Agente de trânsito em Caruaru, no Agreste, Eduardo Lins Azevedo leva os filhos de 10 e 14 anos ao colégio (o Encontro, nas Graças, Zona Norte) sempre que está em casa, na Boa Vista, Centro. E aposta no exemplo. “Tento sair cedo e desembarcá-los rapidamente, por isso já levam a bolsa no colo”, detalha. “Quando chegam tarde, eles não têm tempo de conversar com os amigos e isso é importante.” Mas nem sempre é possível. “Quando nos atrasamos, dificilmente encontro vaga para parar na rua da escola, então dou quantas voltas forem necessárias. Se minha mulher estiver junto, um dos dois desce e o outro sai com o carro”, salienta. “É preciso ensinarmos os filhos a respeitar as leis e a pensar no coletivo. Todo mundo tem horário. Não há benefício pessoal se prejudicamos outras pessoas.”

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