URBANISMO

Lixo prejudica população no período chuvoso

Resíduos descartados irregulamente entopem canais e galerias e contribuem para alagamentos no Grande Recife

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 01/07/2015 às 6:49
Foto: Guga Matos /  JC Imagem
Resíduos descartados irregulamente entopem canais e galerias e contribuem para alagamentos no Grande Recife - FOTO: Foto: Guga Matos / JC Imagem
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Geladeira, fogão, estante, cama, aparelhos de som e DVD, ventilador, caixa d’água. Mais restos de comida e de embalagens, sacolas, metralha. Tudo isso em frente à Escola Municipal Alda Romeu, no Córrego do Deodato, bairro de Água Fria, Zona Norte do Recife, onde dezenas de crianças circulam diariamente. O montante de lixo impressiona e incomoda. Também obstrui canais, entope canaletas, polui rios, provoca alagamentos e contribui para deslizamentos de barreiras, como ocorreu anteontem na Bomba do Hemetério. Um problema que atinge a Região Metropolitana do Recife e que fica mais evidente neste período de chuvas.

Com uma população de cerca de 1,6 milhão de habitantes, a capital pernambucana tem 530 pontos críticos de lixo, segundo a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). Moradores das áreas de morro e comunidades de baixa renda são os que mais sujam as vias públicas. “Fizemos um mapeamento e identificamos em maio 530 pontos críticos de descarte irregular de lixo, número que cresceu em junho. As pessoas precisam entender que ao jogarem lixo na rua estão prejudicando a si mesmas e a cidade, pois os entulhos entopem galerias e canaletas”, ressalta a diretora de Limpeza Urbana da Emlurb, Maria Carolina Azevedo.

Em meses de chuva, a coleta de lixo é reforçada justamente para evitar alagamentos. Além de mobilizar 382 garis, como acontece no verão, a Emlurb coloca mais 173 homens para ajudar na tarefa de recolher os resíduos, sobretudo de morros e encostas. Por mês, a gestão municipal gasta R$ 13,4 milhões com coleta de lixo e limpeza urbana. São recolhidas, em média, 64 toneladas de entulhos mensalmente.

Mãe de uma aluna da Escola Alda Romeu, Fernanda Carvalho, 31, diz que não adianta o município limpar. “É uma nojeira. Se os garis limparem de manhã, à noite já tem lixo de novo”, comenta. Segundo a Emlurb, a coleta no Córrego do Deodato é diária e acontece no período diurno.

No Alto do Pascoal, moradores reconhecem que a sujeira é provocada por eles mesmos. “Jogam até bicho morto na barreira. O pior é que se a gente reclamar ou apanha ou morre. Tem que ficar quieta”, diz a dona de casa Gilda Souza, 71, que mora na parte de cima da barreira que deslizou segunda-feira e que resultou na morte de dois homens.

Em Olinda, município que tem cerca de 388 mil habitantes, um dos locais que mais chama a atenção pela grande quantidade de lixo é o canal conhecido como Lava Tripa, que fica no cruzamento das Avenidas Presidente Kennedy e Segunda Perimetral, em Peixinhos. São tantas garrafas plásticas que não dá para ver a água do canal.

Secretário municipal de Serviços Públicos, Manoel Sátiro considera lixo o maior problema hoje das cidades. “A sensação é de que estamos enxugando gelo. Limpamos de manhã e à noite já está sujo. No Canal Lava Tripa, por exemplo, foi feita limpeza em maio. Em menos de um mês já estava tudo sujo novamente”, lamenta Manoel.

Por ano, Olinda investe R$ 35 milhões com coleta de lixo e limpeza urbana. Para coibir o descarte irregular de resíduos, a prefeitura vai multar moradores e comerciantes a partir de outubro. Vinte e três câmeras estão sendo instaladas para fazer o monitoramento. As multas vão variar de R$ 100 a R$ 5 mil.

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