ABASTECIMENTO

Água suja assusta moradores do Recife

Fenômeno ocorreu com maior intensidade no Ibura, na Zona Sul. Água sai da torneira da cor de barro

Do JC Online
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Publicado em 03/07/2015 às 6:24
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Fenômeno ocorreu com maior intensidade no Ibura, na Zona Sul. Água sai da torneira da cor de barro - FOTO: Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Há pouco mais de uma semana, moradores da Zona Sul e de parte da Zona Oeste do Recife vêm sofrendo ao abrir torneiras e chuveiros de suas residências. A água que sai tem coloração marrom, além de exalar mau cheiro e, às vezes, até um pouco de espuma. Por causa das últimas chuvas, houve aumento no volume da barragem de Pirapama, que abastece a maior parte da cidade, e, de acordo com a Companha Pernambucana de Saneamento (Compesa), o nível de manganês – metal existente no fundo do reservatório d’água – ficou acima do normal, o que ocasionou o fenômeno. 

O problema atingiu o bairro do Ibura, na Zona Sul, e teve rebatimentos em vários outros, da mesma região, como Imbiribeira, Brasília Teimosa, Ipsep, Boa Viagem; Afogados e Torrões, na Zona Oeste; e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A dona de casa Maria José Firmino, moradora de Três Carneiros, no Ibura, resume a situação de forma bem-humorada, sem deixar de ser contundente. “A gente abre a torneira e parece que sai café, de tão preta que é a água. Não presta para nada: quando a gente tenta cozinhar com ela, o caldo da comida também fica preto”. Resultado: o orçamento já apertado tem que se adaptar à rotina da compra de água mineral, principalmente para cozinhar. São dois garrafões por semana, o equivalente a R$ 10. “E o pior é que ninguém informa o que é nem até quando vai continuar assim”. O abastecimento em todo o bairro obedece ao seguinte esquema: um dia com água, dois dias sem.

O motorista Amauri José de Lira mora na Lagoa Encantada, também no Ibura, e mostra a caixa d´água de sua casa totalmente tomada por uma fuligem preta. “Tenho medo de usar essa água para qualquer coisa”, comenta, informado que os vizinhos estão usando filtros para separar a água que vão usar até mesmo para lavar as roupas.

Também morador do Ibura, o vendedor Luiz Pontes notou, no final da semana passada, que a água em suas torneiras estava chegando com uma coloração diferente. “Certo dia fui tomar um banho e, pouco tempo depois, meu corpo todo começou a coçar. Só pode ter sido por conta desse problema”.

O comerciante João Marcos Batista, da UR3, também no Ibura, chegou a pensar que se tratava de um problema corriqueiro quando notou a cor estranha da água. “Acreditei ser um problema na tubulação e que voltaria ao normal, mas não voltou”. Sua família tem um restaurante que serve almoços na comunidade, e a rotina foi mudada de forma brusca com o problema no abastecimento. “Temos que comprar água mineral para tudo. Até mesmo para dar banho na minha avó, pois temos medo de que a pele dela, por ser mais sensível, tenha algum problema por causa dessa água”, completa.

Através do Facebook e do aplicativo ComuniQ, o Jornal do Commercio recebeu reclamações de pessoas de vários outros lugares da cidade. As queixas eram as mesmas: além da coloração nada comum da água que viam ao abrir as torneiras, afirmavam que em nenhum momento ao longo da semana a Compesa se posicionou para explicar o que estaria acontecendo. 

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) garante que o problema do excesso de manganês na água que sai do sistema de Pirapama foi solucionado na manhã de ontem e que, de hoje em diante, o líquido que chegará às torneiras do recifense será límpido como antes.

Segundo o diretor da companhia para a Região Metropolitana, Fernando Lobo, mesmo com a coloração marrom, a água com manganês não traz prejuízos à saúde de quem a utilizar. “Não é o normal, claro, mas está longe de ser uma contaminação por esgoto, por exemplo. É uma água que pode ser utilizada para todas as tarefas domésticas”, diz, acrescentando que, uma vez parada, a água tende a ficar cristalina e o manganês, sedimentado no fundo do reservatório.

O diretor explica que as chuvas fizeram a barragem transbordar e criaram correntes internas que fizeram substâncias como ferro, manganês e matéria orgânica serem remexidas do fundo do reservatório. “Diminuímos a vazão de água na tubulação, que normalmente é de 4 mil litros por segundo, para 2,7 mil litros por segundo, além de usarmos produtos químicos para equilibrar a coloração da água”.

Ainda de acordo com Lobo, os engenheiros e técnicos da Compesa passaram os últimos dias fazendo análises de duas em duas horas sobre a qualidade da água em todas as estações do sistema de Pirapama, e o resultado indica a volta da normalidade no abastecimento para o dia de hoje. Segundo ele, por estar localizado mais próximo à barragem, o bairro do Ibura foi o mais atingido pelo fenômeno. “Mas até na área central do Recife tivemos registros de pessoas que relataram o problema”, finaliza.

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