Controle urbano

Desordem sob viaduto da PE-15

Entulhos se acumulam embaixo de elevado, em Olinda, transformando local em um depósito de ferro-velho

Do JC Online
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Publicado em 22/07/2015 às 6:00
Edmar Melo/JC Imagem
Entulhos se acumulam embaixo de elevado, em Olinda, transformando local em um depósito de ferro-velho - FOTO: Edmar Melo/JC Imagem
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Quem passa por debaixo do Viaduto Bajado, na PE-15, no bairro dos Bultrins, em Olinda, surpreende-se com tantos entulhos. No local, estão amontoados papéis, papelões, pedaços de madeira, garrafas pet e vários tipos de sucata, como ferro, cobre e alumínio. Alguns pedestres e motoristas chegam a ter a impressão de que um depósito de ferro-velho esteja instalado ali. Outras pessoas acreditam que o lugar é reflexo do descontrole urbano.

A questão é que, entre tantos entulhos, esconde-se a Ecoponto (nome que está gravado em uma das colunas embaixo do viaduto), uma cooperativa de reciclagem de resíduos sólidos sem registro legal. O pedreiro José Edson Mendonça Júnior, conhecido como Buda, é quem toma conta do local, ao lado de mais uma dezena de pessoas que ele diz ser seus parentes. Entre filhos, cunhados e sobrinhos, o negócio tem funcionado num terreno onde estão expostos fios e gambiarras. Cadeiras, sofás, geladeira, fogão e mesas estão espalhados pelo local, definido como segundo lar pelo próprio Buda.

“A prefeitura tem é que agradecer porque nós estamos tirando todo o lixo que está acabando com a cidade. Estamos realizando o trabalho que era para ser feito por eles. Além disso, aqui embaixo do viaduto, a população vivia insegura porque era um ponto de tráfico de drogas antes da nossa chegada. A cidade está completamente desordenada”, diz Buda. Ele acrescenta que lamenta o fato de o viaduto ser alvo dos pichadores e que seria interessante as alças ganharem as cores da grafitagem.

Com o dinheiro já arrecadado ao longo de um mês com a venda dos materiais para reciclagem, ele comprou um caminhão da década de 80, que custou R$ 1 mil, e está sendo usado para transportar o material, assim como uma carroça, que circula por Ouro Preto em busca de qualquer item que esteja pelo lixo e que possa ser reciclado.

“Nosso objetivo agora é comprar uma prensa, que custa uns R$ 8 mil pelo o que vimos na internet. Como vem de São Paulo, ainda tem o frete de R$ 1 mil.” Na Ecoponto, os materiais são vendidos por peso. O quilo do papelão custa R$ 0,20; do ferro, R$ 0,15; da garrafa pet, R$ 0,50.

“Já procurei uma pessoa da Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura, que não se interessou em nos apoiar. Mas continuamos com a cooperativa. Quero saber o que preciso fazer para que eu possa legalizar o negócio”, conta Buda, que nunca deixa o local sem vigilância. “A cada noite, três pessoas dormem aqui para tomar conta do nosso espaço. Também realizamos um culto à noite, a cada quinze dias”, completa.

A Prefeitura de Olinda informa que tem conhecimento da situação embaixo do viaduto e que já realizou uma visita para notificar as pessoas que estão no local. “Trata-se de uma ocupação irregular. Por isso, há 15 dias, fizemos uma fiscalização e intimamos que o lugar fosse desocupado espontaneamente, mas isso ainda não aconteceu”, informa o secretário de Planejamento e Controle Urbano de Olinda, Estevão Britto.

Ele acrescenta que a área é do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Pernambuco (DER-PE), mas a ocupação irregular é de responsabilidade da prefeitura. “Estamos montando uma operação, em parceria com a Polícia Militar e a Secretaria de Desenvolvimento Social, Cidadania e Direitos Humanos de Olinda, a fim de que possamos retirar essas pessoas do local e fazer uma realocação”, diz Estevão. A previsão é que a intervenção seja realizada em 15 dias.

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