Grafite

Comunidade do Bode se veste de cores e diz não às drogas

Projeto levou grafiteiros para colorir as ruas da Comunidade do Bode

Giovanna Torreão
Giovanna Torreão
Publicado em 11/09/2015 às 8:00
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Murais e paredes pintados com spray, estêncil e pinceis, além de música e poesia, ditaram o tom do Pão e Tinta, projeto que tomou conta da comunidade do Bode, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Em quatro dias, mais de 80 grafiteiros locais e de outros países, incluindo Chile, Colômbia, Uruguai, Argentina e México, transformaram ruas e vielas em um grande ateliê. Com ênfase no combate às drogas, eles levaram cores e desenhos à comunidade.

O evento é fruto de planejamento do coletivo 100Parar com o apoio da Secretaria de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas do Recife (Secod). “O grafite tem um papel social. Representa uma oportunidade em relação ao combate às drogas e para todos que estão em situação de vulnerabilidade social. A pintura mostra que existem outros caminhos, outros mundos, ele seduz as crianças para uma coisa boa”, explica um dos coordenadores do Pão e Tinta Stilo Santos. (LEIA TAMBÉM ENTREVISTA COM STILO SANTOS)

“Antes, as pessoas apresentavam resistência, mas com o tempo foram vendo como o trabalho era bonito. Neste ano, várias casas quiseram ter os muros pintados, as pessoas passaram a entender melhor o projeto e viram que grafite é arte”, avalia o serigrafista Benoni Alexandre, 49 anos. “Aos poucos fomos conquistando a confiança das pessoas, já estamos levando cultura aos moradores do Bode através do projeto há quatro anos, e a cada edição mais pessoas aparecem e mais os moradores são receptivos”, acrescenta Stilo Santos.

As grafitagens que embelezam os paredões foram produzidas com ajuda das crianças da comunidade, que participaram de oficinas e workshops durante os dias do projeto. O colorido dos muros chama atenção daqueles passam. “As pinturas trouxeram cores e alegria às ruas, mudou completamente o visual, achei uma excelente iniciativa. Ficou tão bonito que parei para fotografar”, diz o autônomo Anderson Almeida, 29. “Nosso objetivo é levar arte aos moradores da comunidade, que estão à margem da sociedade, combater o problema das drogas. E o grafite é uma forma de transmitir cultura e informação na maior galeria de todas, a rua, uma galeria à céu aberto”, conta o coordenador geral do Pão e Tinta, Shellder de Melo.

Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Comunidade do Bode ganha cores pelas mãos do projeto Pão e Tinta - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Paredes e muros deram espaço a painéis geométricos, coloridos e criativos - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Em quatro dias, mais de 80 grafiteiros transformaram ruas e vielas em um grande ateliê - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Em quatro dias, mais de 80 grafiteiros transformaram ruas e vielas em um grande ateliê - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Em quatro dias, mais de 80 grafiteiros transformaram ruas e vielas em um grande ateliê - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Em quatro dias, mais de 80 grafiteiros transformaram ruas e vielas em um grande ateliê - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Em quatro dias, mais de 80 grafiteiros transformaram ruas e vielas em um grande ateliê - Foto: Ashlley Melo/JC Imagem

Os moradores da comunidade que participaram da ação também aprovaram o projeto. “Deveria existir mais projetos como este dos grafiteiros. A pintura realçou e embelezou os nossos muros, todos aqui do Bode gostaram e também ajudou na minha venda”, afirma o comerciante Valdecir Félix, 44, da janela do fiteiro Cantinho da Nea. 

Encerrado na última segunda-feira, o Pão e Tinta foi considerado um sucesso, que promete continuar. O projeto Pão e Tinta acontece anualmente na comunidade do Bode, mas o coletivo também realiza mutirões de grafite no último domingo de cada mês. As ações acontecem tanto na Região Metropolitana do Recife, quanto no interior do Estado. Os interessados podem entrar em contato através da página do Pão e Tinta no Facebook (www.facebook.com/PAOETINTA). “Estamos sempre buscando novos muros”, finaliza Stilo Santos.

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