Forte de Pau Amarelo

Forte de Pau Amarelo no abandono e entregue a própria sorte

O forte secular, construído no século 18, sofre com a sujeira e o vandalismo. Prefeitura de Paulista diz esperar aprovação do Iphan para iniciar obras de revitalização

Guilherme Bertouline
Guilherme Bertouline
Publicado em 28/04/2016 às 6:30
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Na cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, um monumento que guarda um pedaço da história do período de dominação portuguesa no país pede socorro. O Forte de Pau Amarelo, construído pelos lusitanos na primeira metade do século 18, hoje é uma imagem distante dos tempos áureos em que serviu de ponto estratégico para defesa do território nacional. Tombado desde 1938, o prédio está abandonado. Quem chega à fortaleza se depara com muita sujeira e vandalismo. De acordo com a Prefeitura de Paulista, um plano de revitalização para o espaço está em curso, mas depende da autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em março do ano passado, o JC já havia denunciado o estado de degradação do Forte de Pau Amarelo. Além da pintura irregular dos seis canhões abrigados no terraço superior, as guaritas serviam como depósito de lixo. Na frente do prédio, o mato alto tomava conta. Nem mesmo a placa com informações sobre o forte resistiu, e estava quase toda apagada. 

Nesta quarta-feira (27), a reportagem do JC voltou ao local e a situação era praticamente a mesma de 2015. O mato continuava alto, além das muitas bitucas de cigarro e garrafas de bebida espalhadas pelo corredor que leva às salas do andar térreo. Uma das salas, fechadas a cadeado, virou depósito para materiais cênicos. Na parte de cima, os muros estavam ainda mais pichados que no ano anterior, assim como todos os canhões, já bastante enferrujados. As guaritas, além do acúmulo de lixo, se transformaram em banheiros públicos. As instalações elétricas apresentavam sinais de violação. Pelo telhado avariado era possível ver duas caixas d’água com água acumulada e parada, ambiente propício para o mosquito Aedes aegypti.

A aposentada Maria José Paes Barreto, 79 anos, vizinha do forte há meio século, se queixou do descaso e da falta de segurança. “O forte não tem nenhuma conservação. É fechado e hoje virou ponto de drogas. Não tem nenhuma segurança, muitas vezes as pessoas sobem e carregam as telhas. A polícia só vem aqui quando a situação está muito perigosa. Fora isso, os desordeiros tomam conta”, reclamou. 

A negligência afasta turistas e prejudica o comércio local. É a avaliação da comerciante Gleice Arcoverde, dona de um bar localizado no entorno da fortaleza. “Os turistas chegam na expectativa de conhecer o forte e acabam frustrados. Os clientes sempre comentam sobre a decepção de encontrar o forte nesse péssimo estado. É uma vergonha”, contou a comerciante, que também denunciou que o local virou ponto de encontro para pegas de carro nas noites de terça-feira. 

Segundo o secretário de Turismo e Cultura de Paulista, Fabiano Mendonça, o abandono do forte está perto do fim. “Na semana passada, fizemos uma vistoria conjunta com técnicos do Iphan para avaliar o que precisa ser feito. Nossa intenção é levar a Secretaria de Turismo para a fortificação e, assim, dar uma proposta de uso para o local. Como o prédio é tombado, precisamos de uma autorização do Iphan para iniciar a revitalização do forte”, revelou. 

De acordo com o titular da pasta, serão feitas intervenções no telhado, na parte hidráulica e elétrica e nas áreas internas, que receberão espaços destinados ao artesanato e turismo, além de alguns conselhos municipais. Segundo o secretário, as intervenções são simples e o tempo de execução da obra é de 20 dias, a partir da autorização do Iphan, que pode demorar de 30 a 45 dias. As obras serão realizadas com recursos da própria prefeitura. 

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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