TRANSPORTE

Contra Uber, motorista de táxi cria serviço premium

Ideia é oferecer o máximo de conforto ao preço da tarifa regular

JC Online
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Publicado em 10/10/2016 às 21:00
Guga Matos/JC Imagem
Ideia é oferecer o máximo de conforto ao preço da tarifa regular - FOTO: Guga Matos/JC Imagem
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Antonio Isolino não tinha do que reclamar como taxista. Ele conseguia faturar cerca de R$ 300 por dia, e com carro próprio, o que o livrava das temíveis diárias que muitos motoristas pagam aos donos dos veículos que dirigem. Até que o advento do Uber, em março deste ano, mudou tudo. “Num dia bom, eu passei a ganhar R$ 100, no máximo R$ 150. A queda foi grande e afetou a situação financeira da minha família”, diz. Em vez de lamentar ou perseguir motoristas do Uber pelas ruas, ele decidiu investir no próprio serviço para correr atrás do prejuízo. 

A ideia é simples: se o aplicativo mundial de carros compartilhados conquistou clientes devido ao preço e a mimos como água e bombons, o taxista tem que fazer o possível para resgatar e fidelizar o passageiro perdido. Ele, então, criou o que chama de Táxi Prime.

Carro impecavelmente limpo, água mineral, doces, internet wi-fi, máquina para receber pagamentos em todos os cartões de crédito, inscrição em todos os aplicativos de táxi disponíveis e, sim, alguns descontos nas tarifas. “O taxista ainda inspira uma confiança maior por ser um profissional que conhece a cidade. Quando oferecemos as mesmas vantagens do Uber, as pessoas preferem ficar conosco”, acredita. O investimento inicial para melhorar o serviço foi de cerca de R$ 200. Isolino comprou os suportes para os bancos traseiros do carro, onde passou a colocar doces, confeitos e água mineral. Paga R$ 29 por mês pela máquina que o permite aceitar todos os cartões de crédito e usa os dados do plano do próprio celular para oferecer internet wi-fi para os clientes, através de um roteador instalado no veículo. “Consegui imprimir mil cartões de apresentação por R$ 70 e comecei a fazer meu próprio marketing.”

Alguns hábitos simples também mudaram, como o vestuário. “Eu não dirigia desarrumado, com barba por fazer. Mas agora que tenho um serviço de excelência, tenho que dar um exemplo ainda maior.” Antônio usa camisa de manga longa – abotoada – com gravata, além de calça e sapatos sociais. “A aparência faz muita diferença. O carro tem que estar sempre limpo e o motorista, bem vestido. Se for educado e atencioso, o cliente vai pedir seu serviço de novo, eu garanto.”

O resultado desse upgrade foi sentido no bolso. Isolino garante que voltou ao patamar de faturamento diário que tinha antes da chegada do Uber, e ainda espera melhorar. “Quem usa o serviço, volta. Eu termino recebendo muitas ligações de clientes por dia.” Para dar vazão à demanda, ele já “cadastrou” quatro outros taxistas. Mas todos precisam ter o mesmo padrão de serviço. “Eles perceberam que não adianta nada oferecer apenas água, ou apenas a internet, ou somente estar bem-vestido. Tem que ser tudo junto”, explica.

CRESCIMENTO

Ele admite que o Uber cresceu em um vácuo criado pelos próprios taxistas, e que é hora de recuperar o tempo perdido. “O tempo passou e não houve reciclagem da categoria. Quase ninguém se preocupa em atender bem o cliente.”

O recado que ele dá aos colegas de profissão é simples. “Existe espaço para todos, nós e o Uber. Mas é preciso que os taxistas se conscientizem de que devem oferecer um serviço diferenciado, ou vão ficar reclamando para o resto da vida.”

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