Patrimônio

Cemitério dos Ingleses foi alvo de arrombamento no domingo

Dois homens pularam o muro, violaram um dos túmulos e roubaram objetos da administração

Cidades
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Publicado em 18/01/2017 às 7:07
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Dois homens pularam o muro, violaram um dos túmulos e roubaram objetos da administração - FOTO: Divulgação
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Com mais de dois séculos de existência e tombado como patrimônio de Pernambuco desde 1984, o Cemitério dos Ingleses, em Santo Amaro, área central do Recife, vem sendo alvo constante de furtos. A última investida dos ladrões aconteceu no último domingo. Segundo o administrador do local, Esmeraldo Veloso de Melo, de 74 anos, dois homens danificaram a cerca elétrica e pularam o muro, depois arrombaram um túmulo e entraram na administração forçando a porta da frente e outra interna, levando vários objetos.

“Nossas câmeras mostram que eles ficaram no cemitério das 14h30 até as 18h. Arrombaram um túmulo e puxaram uma caixa que tinha dentro, provavelmente pensando que eram joias. Mas quando abriram e viram que eram ossos largaram no chão e saíram correndo”, conta Esmeraldo. “Na área de administração levaram duas máquinas de cortar grama, dois carros de mão, bujão de gás e um rádio, cortaram fios e deixaram a maior bagunça”.

Abandono

O administrador explica que o cemitério abre diariamente, das 7h às 17h, exceto aos domingos. O local está bastante abandonado, com ferrugens, rachaduras e mato entre os túmulos. “Desde que foi tombado o Consulado Britânico deixou de fazer a manutenção. Alguns associados (são 200) pagam a taxa, outros não. Arrecadamos cerca de R$ 6 mil por mês, mas as despesas ficam em R$ 7 mil e o governo não ajuda. Isso aqui é um ponto turístico e histórico, o primeiro do Recife (1814)”.

Um projeto de recuperação tenta, pelo terceiro ano, apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). “Se não conseguir vou entregá-lo para administração da prefeitura”, desabafa. Além de britânicos, o local tem túmulos de franceses, suíços, holandeses e brasileiros, como o general José Inácio de Abreu e Lima (1794­1869), que não teve permissão do bispo Cardoso Ayres (1821­1870) para ser sepultado no de Santo Amaro por fazer parte da Maçonaria.

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