MOBILIZAÇÃO

Mãe cria campanha nas redes sociais para salvar a vida do filho

Após perder um filho vítima de leucemia, a mãe, Rafaela, criou uma campanha nas redes sociais para salvar a vida de seu outro filho, mobilizando a cidade de Flores, no Sertão do Pajeú

Talita Barbosa
Talita Barbosa
Publicado em 20/02/2017 às 21:49
Foto: Reprodução/Facebook
Após perder um filho vítima de leucemia, a mãe, Rafaela, criou uma campanha nas redes sociais para salvar a vida de seu outro filho, mobilizando a cidade de Flores, no Sertão do Pajeú - FOTO: Foto: Reprodução/Facebook
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Não há como definir o que significa para uma mãe a dor de perder um filho. O primogênito da professora Rafaela Medeiros, Guilherme, se foi aos 14 anos, vítima de leucemia. Agora, com a mesma idade, Artur, seu outro filho, foi diagnosticado com a mesma doença.

Por ela, que ainda luta para carregar o peso de uma dor imensurável, por Artur, 'um menino doce, cheio de vida' e pelos filhos de outras mães, Rafaela criou uma campanha para encontrar um doador para o garoto e estimular a doação de medula. A ação já impactou toda a cidade de Flores, no Sertão do Pajeú. Mas ela ainda quer mais. A mãe de Guilherme - anjo, como ela ressalta - Artur e Júlia quer levar o movimento para todo o Estado. O lema da campanha? 'Meu filho precisa viver'.

"O meu apelo é para todos, de qualquer lugar. Seja um doador de medula. A corrida é pelo Artur, mas não só por ele, é também por muitos outros que também precisam", afirmou ela.


Artur não estava sentindo nada de anormal. O diagnóstico foi dado durante exames de rotina, quando foram detectadas taxas abaixo das regulares.

"Me assustei. A médica já encaminhou ele ao Recife e nos mandou em busca de especialistas", relatou a mãe do garoto. O baque do diagnóstico de aplasia medular veio mais uma vez. A doença, rara, altera o funcionamento da medula óssea, provocando falhas na produção de plaquetas O jovem agora está na UTI e a luta é contra o tempo, à espera de um doador.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que as chances de se encontrar um doador compatível na família é de 25%. Essa porcentagem cai para 1 em cada grupo de 100 mil pessoas quando se trata de encontrar alguém de fora desse núcleo. A dificuldade é tanta que, embora exista no Brasil uma lista com cerca de 4 milhões de doadores em potencial, ainda há centenas de pessoas à espera de um transplante. Diante desse quadro, quanto maior o número de cadastrados, maiores as chances de ajudar alguém que precise. É com essa esperança que aos poucos, com a mobilização nas redes sociais, ajuda de familiares e amigos, a campanha cresceu. O objetivo é conseguir um doador de medula para o Artur e aumentar o banco de doadores, a exemplo de outras campanhas.

DOacaoSangue

Quando uma mãe sofre, as outras sofrem juntas. Rafaela quer ajudar o filho dela e de outras mães. A ação também pretende incentivar o cadastro de mais doadores, salvando outras vidas.

"A brutalidade da perda de um filho anestesia por muito tempo, e ela, que já sofreu com isso, perdendo o Guilherme com a mesma idade e pela mesma doença, se vê diante de uma situação que parece irreal. Ele está com muita vontade de viver, ele precisa viver", afirmou Marta Bezerra, prima de Rafaela.

Informações sobre a doação de medula óssea

Antes da doação, o doador faz uma série exames para confirmar o seu bom estado de saúde. Não é preciso mudar os hábitos de vida, trabalho ou alimentação para doar.


Passo a passo para se tornar um doador

•Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.
•Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.
•Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.
•Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.
•Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em cem mil!
•Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.
•Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.
•A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo.
•É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato. Para atualizar o cadastro, basta preencher este formulário.

Caso você decida doar

1. Você precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante).

2. Onde e quando doar
É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros nos estados.

3. Como é feita a doação
Será retirada por sua veia uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais.

Seu sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro.

Seus dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se você for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários.

Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado.

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

 

O que é o redome?

O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) reúne informações como nome, endereço, resultados de exames com características genéticas das pessoas que se voluntariam a doar medula. (Teste de Histocompatibilidade – HLA). Um sistema informatizado cruza as informações dos voluntários cadastrados no REDOME com as dos pacientes que precisam do transplante, cadastrados no Registro Nacional de Receptores de Medula óssea (REREME). Quanto mais voluntários cadastrados de diferentes regiões de um mesmo estado ou país, mais fácil encontrar um doador compatível na região onde o paciente mora. Quando é verificada a compatibilidade, a pessoa é convocada para realizar a doação.


Telefones e Endereços para contato:


Fundação HEMOPE: Disque Doação - 0800-0811535
Hemocentro Coordenador Recife – Secretaria do doador - (81)–3182-4651, 3182 4648.
 Hemocentro Regional de Caruaru – (81) – 3719 9565
 Hemocentro Regional de Petrolina – (87) – 3866 6601
 Hemocentro Regional de Serra Talhada – (87) – 3831 9320
 Hemocentro Regional de Garanhuns – (87) – 3761 2910
 Hemocentro Regional de Arcoverde – (87) – 3821 8550
 Hemocentro Regional de Salgueiro – (87) – 3871 8569
 Hemocentro Regional de Ouricuri – (87) – 3874 1086

Fontes: Inca e Hemope

 

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