Burle Marx

Arquiteto quer jardins de Burle Marx no Recife como patrimônio mundial

Titulo da Unesco para as praças de Burle Marx foi sugerido pelo mexicano Saúl Alcántara Onofre, que participa no Recife de seminário internacional

Da Editoria Cidades
Da Editoria Cidades
Publicado em 22/03/2017 às 8:08
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Titulo da Unesco para as praças de Burle Marx foi sugerido pelo mexicano Saúl Alcántara Onofre, que participa no Recife de seminário internacional - FOTO: Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Leitura:

O arquiteto mexicano Saúl Alcántara Onofre sugeriu nesta segunda-feira (20), no Recife, a inclusão de seis jardins projetados na cidade pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) na lista indicativa brasileira do patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Conselheiro da Unesco no Comitê Internacional de Paisagens Culturais, o arquiteto lançou a ideia na abertura do 2º Seminário Internacional Paisagem e Jardim como Patrimônio Cultural, dia 20 de março à noite, no Forte do Brum, localizado no Bairro do Recife. O evento – seminário e workshop – termina sexta-feira próxima.

Na lista indicativa que o Brasil submeteu à Unesco já consta desde 30 de janeiro de 2015 o sítio onde o paisagista morou até 1994, em Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, como candidato ao título de patrimônio mundial. “Seria um erro muito grave do Iphan propor apenas o sítio de Burle Marx”, afirma Saúl Alcántara Onofre.

A lista deveria ser ampliada, diz ele, com a inclusão das praças de Burle Marx que foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em junho de 2015 e desde então são consideradas jardins históricos do Brasil: Casa Forte, Faria Neves, Euclides da Cunha, do Derby, Ministro Salgado Filho e Praça da República com os jardins do Palácio do Campo das Princesas.

“Burle Marx é o paisagista mais importante do século 20 no mundo”, destaca Saúl Onofre, professor de arquitetura da Universidade Autônoma Metropolitana do México. “Ele levou para os jardins que projetou no Brasil e no exterior, nas décadas de 1950 e 1960, a experiência dos anos de trabalho no Recife”, destaca o arquiteto.

O paisagista, nascido em São Paulo, dirigiu o Setor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco de 1934 a 1937. “Não faz sentido indicar só o sítio na lista de patrimônio mundial. Burle Marx fez aproximadamente 2,5 mil projetos, a obra dele é mundial e tem um estilo próprio, o jardim moderno tropical, conceito que ele criou no Recife”, observa.

INVENTÁRIO

Grande parte dos estudos necessários para propor a candidatura dos seis jardins como Patrimônio da Humanidade já foram realizados pelo Laboratório da Paisagem do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diz o arquiteto. Ele se refere ao Inventário dos Jardins de Burle Marx no Recife, e-book lançado pela equipe do laboratório segunda-feira (20), na abertura do seminário.

“O governo do Estado, a Prefeitura do Recife e a reitoria da UFPE deveriam apoiar o Laboratório da Paisagem e propor essa iniciativa (a inclusão das praças de Burle Marx na lista indicativa de patrimônio mundial) ao governo federal”, diz Saúl Onofre ao visitar, na tarde de terça-feira (21), o primeiro projeto de jardim público do famoso paisagista, a Praça de Casa Forte, na Zona Norte do Recife.

O arquiteto coordena, pelo México, 2º Seminário Internacional Paisagem e Jardim como Patrimônio Cultural, organizado pelo Laboratório da Paisagem da UFPE e Universidade Autônoma Metropolitana do México, em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE). A coordenação brasileira é da arquiteta da UFPE Ana Rita Sá Carneiro.

Últimas notícias