Boa Vista

Tombamento estadual preserva quatro casas do século 19 na Boa Vista

As edificações, conjugadas, ficam na Rua da União, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 06/04/2017 às 8:08
Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem
As edificações, conjugadas, ficam na Rua da União, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife - FOTO: Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem
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A lista de bens tombados de Pernambuco será ampliada com a inclusão de quatro casas do século 19 do bairro da Boa Vista, Centro do Recife. Testemunhas do início da ocupação da Rua da União, as edificações passaram por alguma reforma, mas preservam sua principal característica: um charmoso e pequenino pavimento superior, conhecido pelos arquitetos como camarinha.


São os únicos imóveis da Boa Vista e possivelmente do Recife que mantém camarinha, quarto com janela típico de construções urbanas do período colonial, de acordo com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Tombamento foi deferido pela Fundarpe e aprovado pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural.


Falta a resolução do conselho e o decreto do governo do Estado para as casas de número 47, 55, 61 e 73 da Rua da União entrarem em definitivo no rol de prédios tombados da capital. Isso significa que não podem ser demolidas ou descaracterizadas. Nenhuma delas conserva o uso residencial de origem. O imóvel 73, antiga residência do poeta Joaquim Cardozo (1897-1978), está fechado. Os demais abrigam comércio.


Proprietário da casa 47, onde funciona uma lotérica, o corretor de imóveis José Everaldo da Rocha Barros concorda com a proteção às edificações e cobra mais incentivo do governo para obras de restauração e manutenção do imóvel. “Todo serviço em casa tombada é mais caro”, pondera José Everaldo. Ele mudou-se para o sobrado da Boa Vista em 1952 e em 1971 abriu a lotérica no térreo.


“Minha família alugava o imóvel, a gente morava nele e depois minha mãe abriu uma pensão. O piso era de tijolos e o fogão movido à lenha, a fiação era de pano e cacimbas garantiam o abastecimento de água, era uma cacimba para cada duas casas”, recorda José Everaldo. Nos anos 50, diz ele, só havia comércio no número 55. “Era uma mercearia muito movimentada, que vendia de tudo.”

DESTAQUE


As quatro casas conjugadas, entre a Avenida Conde da Boa Vista e a Rua do Riachuelo, pertenciam a uma família de portugueses. “Um primo meu comprou o prédio 47, mas me vendeu quando soube do tombamento. Um imóvel de preservação tende a se desvalorizar porque a gente não consegue passá-lo adiante”, declara. O tombamento foi solicitado à Fundarpe em 1989, pelo médico Públio Adérito de Albuquerque, inquilino da casa 61.


“Públio procurou a Fundarpe e solicitou proteção para os imóveis depois que derrubaram sete casas idênticas na Rua da Saudade (paralela à Rua da União) e o terreno virou estacionamento de um banco. Eu fui junto com ele fazer o pedido.” As construções demolidas na Rua da Saudade, na Boa Vista, eram de propriedade da mesma família portuguesa.


No parecer enviado ao Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural, a Fundarpe ressalta que esse trecho da Rua da União surgiu na década de 1840 (meados do século 19) e hoje se configura como um setor de destaque do bairro da Boa Vista e do Recife. De acordo com a Fundarpe, apesar das modificações nas casas, o conjunto continua íntegro.


O prédio 47, originalmente com duas janelas e uma porta na fachada, hoje tem três portas. Uma porta esteira foi colocada no lugar das duas janelas do prédio 55, sem consentimento da Fundarpe. A casa 61 preserva a fachada, mas teve as divisões internas alteradas. A edificação de número 73 passou por obra de restauração com orientação técnica da fundação.

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