Mais um caso

Garota de 19 anos chegou à penúltima tarefa do Baleia Azul no Recife

Família descobriu participação no jogo por meio de foto postada no Facebook

Margarida Azevedo Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 13/05/2017 às 8:01
Divulgação
Família descobriu participação no jogo por meio de foto postada no Facebook - FOTO: Divulgação
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A mais nova vítima do jogo Baleia Azul que a Polícia Civil de Pernambuco tem conhecimento é uma moça de 19 anos, de classe média e moradora da Zona Oeste do Recife. Apavorada com a descoberta, a mãe da jovem fez questão de conversar com a imprensa, na manhã desta sexta, para alertar outras famílias para a gravidade da brincadeira virtual que vem estimulando adolescentes e jovens a se matarem. Na avaliação da polícia, o caso dessa garota – o oitavo registrado oficialmente no Estado – é o mais grave até agora. E poderia ter terminado de forma trágica pois ela estaria na última prova do jogo.

A mãe descobriu depois que um tio da jovem viu uma foto que ela postou na sua conta do Facebook na madrugada de quarta-feira. Na imagem, a moça aparece de calcinha com cortes nas coxas, na barriga e nos braços. Entre os seios há outro corte, que aparenta ser o mais profundo, em formato de cruz. Ao ver a foto, o parente contou imediatamente à mãe dela, que procurou a Delegacia do Cordeiro. Além de negar o envolvimento no jogo, a garota parou de falar com a família e só permitiu que o exame traumatológico, realizado no Instituto de Medicina Legal (IML), fosse feito parcialmente.

“Pela gravidade das mutilações e pelas informações que constam nas mensagens que trocou com o curador do jogo, dá a entender que ela estaria na parte final. Ele diz para a jovem subir num telhado. Acreditamos que provavelmente mandaria ela se jogar de lá”, destacou o delegado do Cordeiro, Carlos Couto. “Ao que tudo indica, a moça está sob coação constante do curador. Ontem (quinta-feira), ela ficou na delegacia do final da manhã até por volta das 18h e não disse nenhum palavra, nem por escrito. Deu meros acenos de cabeça”, contou o delegado. Foi instaurado um inquérito para apurar o caso.

ALERTA

A mãe disse que ficou horrorizada quando descobriu. E alertou outros pais. “É muito preocupante, as famílias devem ficar mais atentas. Eu sou do lar, estou sempre em casa. Eu saio rapidinho, mas sempre estou voltando para casa. Tenho uma boa relação com minha filha. E a encontrei já neste estágio. Imagina como é que estão os filhos dos pais que são mais ausentes, daqueles pais que estão trabalhando durante o dia todo? É uma situação bem delicada”, observou a dona de casa.

Os dois celulares que a jovem usava para acessar as redes socais pertencem aos seus pais. Os aparelhos foram entregues à policia para perícia. Duas primas da vítima, a quem ela teria comentado sobre sua participação no Baleia Azul, serão chamadas para prestar esclarecimentos. Pelo comportamento da garota, o delegado comentou que a impressão é de que ela tem interesse em permanecer no jogo.“Ela está retraída, revoltada porque eu atrapalhei o andamento do jogo”, destacou a mãe.
Dos oito casos registrados no Estado, seis estão sob investigação da Polícia Civil e dois da Polícia Federal. Esse é o terceiro envolvendo um morador de Recife. Dois são de Moreno, no Grande Recife. Os outros foram de um adolescente de cada uma das seguintes cidades: Paulista, Goiana e Vicência.

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