Patrimônio

Obra vai resgatar pintura original da Igreja Conceição dos Militares

O serviço contempla as talhas da nave central da Igreja Conceição dos Militares, no Centro do Recife

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 07/06/2017 às 8:08
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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A obra de restauração da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, trará de volta o douramento e a pintura original das talhas que decoram a nave central, onde os fiéis assistem à missa. Para isso, serão removidas as três camadas de tinta que cobrem o forro, balcões, sanefas, púlpitos, arco e varanda, num trabalho delicado e manual.

Com prazo de execução previsto para três anos, a intervenção começa em junho de 2017 e será realizada pela Grifo: Diagnóstico e Preservação de Bens Culturais. É a mesma empresa que fez a restauração da capela-mor da igreja, em 2007 e 2008. “Na capela, quando removemos as camadas de tinta, encontramos o douramento e uma pintura jaspeada”, informa a restauradora Pérside Omena, coordenadora da Grifo.

Dez anos atrás, quando restaurou a capela, ela fez a recuperação do forro da nave, que apresentava avarias decorrentes da infestação de cupins, e identificou o mesmo tipo de pintura. O trabalho, contratado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-PE), corresponde à segunda etapa da obra de restauração da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares.

As talhas, esculpidas em cedro, decoram sanefas e tribunas (balcões) de dez janelas, dois púlpitos, o arco-cruzeiro (separa a nave da capela-mor) e dois retábulos (molduras dos altares laterais de São João e do Cristo Crucificado). Com exceção do forro, tratado em 2008, todos terão de passar pelo processo de imunização e consolidação da talha, para repor as partes destruídas pelos cupins.

PAC

De acordo com a superintendente do Iphan em Pernambuco, Renata Borba, o serviço na Igreja Conceição dos Militares, custará R$ 8,7 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal, o PAC Cidades Históricas. A restauração artística do prédio tinha sido anunciada em dezembro de 2015, mas só agora foi liberada. O Iphan estava aguardando a aprovação da inexigibilidade de licitação para contratar a empresa.

“Não podíamos aceitar outra firma porque o resultado da restauração ficaria diferente”, justifica o engenheiro do Iphan Frederico Almeida. “Pérside desenvolveu estudos, ao longo dos anos, para fazer a remoção das camadas de tinta sem danificar a pintura original”, acrescenta.

A Grifo também tinha executado, em 2004 e 2005, a obra de consolidação do forro da capela mor, danificado por cupins e que corria o risco de desabar. As duas intervenções mais antigas (2005 e 2008) tiveram financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, tombada pelo Iphan, está fechada para obras de restauração desde outubro de 2014. A primeira etapa do serviço – recuperação de piso e esquadrias, modernização das instalações elétricas e hidráulicas, implantação de acessibilidade nos banheiros e pintura das paredes – também com recursos do PAC, está entrando na fase de acabamento.

MONUMENTO

“Pretendemos concluir as obras civis até o fim deste ano”, diz Renta Borba. O templo católico, construído por militares no século 18, em estilo rococó, preserva curiosidades, como o forro do coro, uma pintura de 1781 com a representação da Batalha dos Montes Guararapes, de 1648, entre luso-brasileiros e holandeses que ocuparam o Nordeste brasileiro por 24 anos, de 1630 a 1654.

O autor identifica, no desenho, chefes luso-brasileiros no campo de batalha: Henrique Dias, João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Antônio Dias Cardoso, Felipe Camarão e Francisco Barreto de Menezes. E chefes holandeses.

O forro da nave da Igreja Conceição dos Militares, observa Frederico Almeida, foi definido como a capela sistina do rococó pelo historiador de arte francês Germain Bazin (1901-1990), em livro publicado após visita ao Brasil na década de 1950.

Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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