FÔLEGO PARA O SERTANEJO

Boas ações transbordam em locais de seca em Pernambuco

O projeto Salve Sertão já atendeu mais de 60 comunidades em 15 cidades diferentes de Pernambuco. O grupo foi formado durante as cheias da Mata Sul

Túlio Feitosa
Túlio Feitosa
Publicado em 21/05/2018 às 21:00
Letícia Pedra
FOTO: Letícia Pedra
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Com o intuito de ajudar famílias atingidas pela escassez das chuvas, o grupo Salve Sertão promoveu uma ação comunitária no município de Iguaracy, Sertão de Pernambuco, nesse final de semana. A organização distribuiu cestas básicas, brinquedos, águas e roupas para a comunidade de Monte Alegre no sábado (19) e no domingo (20).

Segundo Eduarda Brito, uma das organizadoras do projeto, a ação visava atender em torno de 170 famílias com mais de 120 crianças. “A gente sempre procura conhecer as pessoas antes de realizar os procedimentos de entrega dos mantimentos, para que eles se sintam à vontade com os voluntários”, explicou.

Além dos mantimentos, o grupo também levou para a comunidade os princípios da permacultura, que consiste em usar o potencial da terra para tirar os alimentos sem o uso de produtos químicos, criando uma horta comunitária na região para que as pessoas possam plantar e colher em conjunto. “Gostamos sempre de fazer algo mais sólido, como ajudar nessa parte de vegetação e na criação de cisternas. A ideia do Salve Sertão é ser não só um projeto de doação, mas algo fraternal, de acolhimento”, explicou Guido Cavalcanti, idealizador do projeto.

Atualmente, o Salve Sertão tem entre 40 e 45 pessoas participando como voluntárias. Além das doações, os custos com deslocamento e transporte do que foi arrecadado são divididos entre próprios voluntários, que se colocam à disposição para ajudar. O projeto também conta com parcerias de um grupo que promove corridas solidárias periodicamente, além de estabelecimentos que oferecem seus espaços para servirem como pontos de doações, como a Faculdade Estácio, nas zonas central e sul do Recife.

Para arrecadar dinheiro, o grupo costuma fazer um “pedágio” diferente nos semáforos: por meio de faixas, panfletos e informações sobre o projeto, os motoristas são incentivados a contribuir com qualquer valor. Outra forma de arrecadação é um ensaio fotográfico feito por um profissional voluntário, no qual são produzidas sete fotos por um valor simbólico de R$ 20.

“Enquanto a chuva não vem, tem que chover caridade”

Esse é o lema do Salve Sertão, idealizado em 2012 pelo professor do curso de Direito, Guido Cavalcanti. Apesar do nome, o grupo vai aonde houver necessidade, sendo uma cidade do Sertão ou não. Em seis anos de atuação, mais de 60 comunidades em 15 cidades diferentes foram atendidas.

Tudo começou com a consequência das enchentes nas cidades da Mata Sul de Pernambuco, em 2010. Devido à grande quantidade de pessoas vivendo em situações precárias e de risco, o professor organizou um grupo com alguns amigos e alunos para arrecadar mantimentos e levar na caçamba da sua caminhonete para as regiões ainda afetadas. A crise hídrica no Sertão também atraiu os olhos dele, que manteve a ideia de continuar ajudando comunidades carentes, ampliando o projeto para essa região.

Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), em 2012 era esperado, em média, 134 mm de chuva entre os meses de janeiro e abril, mas o volume foi 67% inferior ao esperado. A falta da chuva alastrou ainda mais o perímetro de seca na região. O período sem precipitações permaneceu durante cerca de seis anos. Em 2014, por exemplo, era previsto um volume de 214 mm de chuva nos primeiros meses do ano, choveu 47% a menos do que o esperado.

Quando observava-se a situação dos grandes reservatórios da região, a desesperança falava mais alto. Em 2012, os 29 reservatórios do Sertão estavam com média de apenas 21% da sua capacidade e, em 2017, reduziu ainda mais, chegando a 4%.

Houve melhora em relação às chuvas nos primeiros meses de 2018. Os 436 mm esperados foram superados e choveu 6,6% a mais no Sertão. Apesar da média, há cidades onde as chuvas ainda tiveram pouca influência.

Ainda em processo de documentação, o Salve Sertão segue no caminho para se oficializar como uma Organização Não Governamental (ONG). “É um sonho, mas ainda há muitas nuances para que isso seja resolvido”, frisou Eduarda. Ainda segundo a organizadora, o grupo passou a ter controle maior dos voluntários desde que começou a caminhada para virar ONG.

Como ser voluntário?

Como o projeto conta com pequenas ações semanalmente, a integração de novos voluntários é sempre bem vinda. E não há burocracia para participar do Salve Sertão. Basta entrar em contato pelo Facebook ou Instagram do projeto. Em seguida, o interessado será incluso em um grupo no Whatsapp e convidado para encontros entre voluntários. “A receptividade do Salve Sertão é calorosa. O grupo age como uma família”, finalizou Eduarda.

No calendário, duas grandes ações estão previstas. No Dia das Crianças, no mês de outubro, para a qual o Salve Sertão arrecadará brinquedos e levará para crianças de uma comunidade carente que ainda será definida. Por último, a “Ação de Natal”, em dezembro, que é feita em formato de ceia natalina. “Nunca precisamos pesquisar na internet se há alguma comunidade passando por necessidades. Elas (as comunidades) sempre nos procuram”, acrescentou Eduarda.

Letícia Pedra
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Júlio Vieira
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Júlio Vieira
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