História

Igreja de Santa Tereza foi construída como pagamento de promessa

A segunda matéria da série de reportagens sobre os primeiros prédios da cidade de Olinda tombados individualmente como patrimônio brasileiro traz hoje a Igreja de Santa Tereza

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 21/05/2018 às 8:08
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
FOTO: Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Leitura:

A Igreja de Santa Tereza não fica na Cidade Alta de Olinda e não abre todos os dias para visitação. Localizada na avenida que leva o mesmo nome da cidade, na área de proteção do Sítio Histórico, ela é um templo votivo. Foi construída por João Fernandes Vieira, um dos heróis da Restauração Pernambucana no século 17, como pagamento de uma promessa a Nossa Senhora do Desterro pelo triunfo dos lusos-brasileiros contra os holandeses na Batalha do Monte das Tabocas (1645), em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco.

Em 1686, com a chegada dos Carmelitas Descalços a Olinda, a Igreja de Nossa Senhora do Desterro é ocupada pelos padres. Logo em seguida, é construído o Convento de Santa Tereza para abrigar as atividades desenvolvidas pela ordem religiosa. Acusados de participação em movimentos libertários, os padres terésios (como eram chamados) são expulsos da província em 1823.

Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Igreja de Santa Tereza, em Olinda, construída como pagamento de promessa a Nossa Senhora do Desterro - Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Nicho de pedra calcária na fachada da Igreja de Santa Tereza, em Olinda, é um destaque no prédio - Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Azulejos que ornamentam a nave da igreja, em Olinda, retratam passagens da vida de Santa Tereza - Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Construção barroca do século 18, Igreja de Santa Tereza (Olinda) é patrimônio brasileiro desde 1938 - Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
A Igreja de Santa Tereza foi construída, originalmente, por João Fernandes Vieira e depois reformada - Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Mosaico colorido do piso da Igreja de Santa Tereza, em Olinda, é um diferencial no prédio histórico - Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem
Iphan restaurou a capela-mor da Igreja de Santa Tereza, na cidade de Olinda, em 1993 - Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem

 

As edificações passam por reformas ao longo dos séculos e a igreja chega aos dias atuais conservando a arquitetura religiosa barroca do século 18. Popularmente conhecida como Igreja de Santa Tereza, ela integra a lista dos primeiros bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), 80 anos atrás.

O templo católico, mantido pela Santa Casa de Misericórdia e administrado pelas Irmãs Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo desde 1858, recebe o público às terças e quintas-feiras, a partir das 16h, sem cobrança de taxa. “Também estamos abertos aos domingos, na missa das 16h”, informa irmã Maria Galindo. Lá, o visitante vai encontrar altar em talha dourada, painéis de azulejo retratando cenas da vida de Santa Tereza na nave (local onde os fiéis assistem às cerimônias) e piso de mosaico.

Na capela-mor o visitante pode contemplar dois painéis de azulejo, um representando o profeta Elias com o seu discípulo Eliseu – considerados fundadores da Ordem Carmelita – e outra com a figura de Nossa Senhora do Carmo. O altar-mor preserva a imagem da Sagrada Família (Jesus, Maria e José) simbolizando Nossa Senhora do Desterro. A Igreja de Santa Tereza foi reaberta à comunidade em 1965, depois de ter sido restaurada.

Educandário

“Somos muito procurados para casamentos, é comum as noivas escolherem essa igreja porque a mãe e a avó se casaram aqui”, comenta irmã Maria Galindo. O convento, transformado num orfanato em 1835, abriga o Educandário Santa Tereza desde 1863. Entidade filantrópica, o colégio acolhe 100 meninas carentes de 6 a 18 anos, moradoras da vizinhança, em regime de semi-internato. Elas chegam às 7h30 e voltam para casa às 16h30.

Os professores são cedidos pela prefeitura, a Santa Casa assume a manutenção e a Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo dirige o educandário, diz a religiosa. “As meninas ficam um turno na escola e no outro turno participam de atividades manuais, dança, canto, recreação e aulas de informática”, declara irmã Maria Galindo. Atualmente, cinco freiras moram no Convento de Santa Tereza.

Frederico Almeida, engenheiro do Iphan, informa que o tombamento protege apenas a igreja, sem incluir o convento. “Fizemos uma obra grande de restauro na Igreja de Santa Tereza, em 1993. Por falta de verba, não aplicamos ouro no altar, colocamos um pigmento ocre amarelado imitando o dourado”, afirma o engenheiro.

Ele destaca, no templo religioso, a fachada com nicho e detalhes em pedra calcária e a galilé, um terraço coberto na entrada do prédio com aberturas em forma de arco. “É um prédio muito bonito”, diz Frederico Almeida. As paredes externas, na cor branca, precisam de nova pintura.

Serviço

Igreja de Santa Tereza
Avenida Olinda, 750, Santa Tereza
Fone: (81) 3429-3686

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias